Crônicas

Copa do Mundo em tempo de “boneca” rosa

em
19 de junho de 2018

Ai que bonitinhos. Eles têm barba na cara, conta bancária,talvez a pensão do filho pra pagar, mas ficam ouriçados ao fazerem uma piada sobre a vagina. É como se voltássemos a 4ª série. Aula de ciências, “o corpo humano”. A turma ri cada vez que a professora diz “vagina”. A cena é triste. A russa não vê muita graça, mas colabora com o bando de moleques sem saber o que diziam. Aliás, diga-se de passagem, a única pessoa que tinha algum culhão naquele vídeo era a russa. Porque se ela fosse brasileira, e tivesse um grupo de homens atiçadinhos com proximidade em demasia, já sabia de cor e salteado, que a temática da reunião era um assédio.

Cês tem noção que enquanto a mulherada tava pintando a Argentina de verde e fazendo história, vocês estavam pagando preço de ouro para assediar mulher do outro lado do mundo? Hein, omis?

Neste embaraço todo, me peguei pensando em outra Copa do Mundo, não muito distante. Aquela que aconteceu aqui, no nosso quintal. Lembro-me do vuco-vuco que rolou nos principais jornais do sul do Brasil falando sobre o “assédio” aos gringos cometidos pelas mulheres. Isso que só tava rolando uns pegas – todos muito consentidos-  entre as brasileiras e os nossos visitantes. Entretanto, sabe por que aqui essa pauta ganhou capa de jornais em 2014 e o assédio da russa não? Porque “azarar” mulher, da pior forma que seja, é socialmente esperado e tolerável.

A nação canarinho precisou criar leis como Maria da Penha, o disk denúncia 190, tudo para tentar, muito moderadamente, conter os “desejos e ímpetos” do sexo “predominante” na hora da conquista. Ver o vídeo do comportamento dos torcedores brasileiros na Rússia me deu uma saudade imensa do time que entrou em campo aqui em 2014. As mulheres, essas sim, eu vi jogando um bolão de respeito.

Agora temos senhores-doutores com carteirinha da OAB e políticos pensando que é lindo apertar o play e tocar o foda-se no bom senso. Na empatia. Representantes destas classes, aquelas dos homens da lei que juraram respeito pela ordem e bem estar de todo e qualquer cidadão. Que prometeram honrar suas imagens públicas e se comportarem dignamente, e não como meninos recém-saídos da puberdade, lidando com a primeira ereção ao ouvir as palavras “boceta rosa”.

Sabem, garotos, a gente já ficou tempo demais achando que futebol era diversão só pra homem, então parem com esta palhaçada. Respeitem-nos também nos estádios. Futebol não lhes pertence! Pergunte a Marta.

E a vocês, donos de vergonha nacional maior do que o cabelo do Neymar: preservem-nos, se preservem. A única coisa rosa nesta história tá longe de ser a russa. Rosa é a cara de vergonha da mãe de vocês, pensando que não foi pra isso que ela os pariu de dentro da b* rosa delas.


Fim da sessão.

 

ps: todo o meu respeito a todas as b* rosas e multicoloridas deste mundo. #tamojuntas

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2 Comments
  1. Responder

    Vanda

    25 de junho de 2018

    Alguém já olhou o facebook de algum desses babacas? Um parece até um bipede normal. A foto é dele com um filho. Que saiu, como ele, de uma buceta, ou boceta rosa ou beje, coma a de sua mãe e da mulher que pariu seu filho. Quem te pariu, não soube criar um homem. É uma coitada. Quem pariu seu filho está brigando com vc, que alem de imbecil é irresponsável e desonesto. Odiaria ser qqr uma das duas. Imbecil, babaca, ladrao. Que merda ter parido e criado esta bosta. Que merda ter amado e dado um filho a este canalha. Aliás, eu tenho a foto do seu filho. Mas como não sou da sua laia, nao publico, por pena do guri. Mas vc acha mesmo q ele não vai saber? Mais um caminho aberto para criar mais uma bosta humana.

  2. Responder

    José Maurício V. Leite Júnior

    20 de junho de 2018

    Impressionante o que o ajuntamento de pessoas que não tem mais o que fazer pode gerar… a meu ver deveriam perder o passaporte por comportamento inadequado fora do país…

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Aline Mazzocchi
No divã e pelo mundo

De batismo, sim, Aline. Mas eu precisei do codinome Antônia - do latim "de valor inestimável" - para dividir minhas sessões públicas de escrita-terapia. O que divido aqui é o melhor e o pior de mim, tudo que aprendi no divã e botando o pé na estrada. Não para que dizer como você deve ver a vida. Mas para que essa eterna busca pelo auto-conhecimento, não seja uma jornada solitária, ainda que pessoal e intransferível. Então fique a vontade pra dividir o divã e algumas boas histórias comigo. contato@antonianodiva.com.br

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