Suspiros

Pequeno milagre

em
17 de outubro de 2017

Dizem que um pequeno milagre acontece quando duas pessoas decidem passar o resto de suas vidas juntas.

A gente gostaria de acreditar que os planetas se alinharam para fazer o amor acontecer, mas com o tempo descobre que foi uma escolha, essa de alinhar os planetas com as próprias mãos. Cruzar fronteiras. Redesenhar limites. Superar distâncias. 

Culpamos o cupido pelo amor porque ninguém admite que, em sã consciência, escolheu arriscar-se de forma tão vulnerável. Optou por sofrer de saudade. Sentir o corpo chacoalhando com os sintomas de uma paixão. Ou que decidiu deliberadamente ter parte do coração pulsando do lado de fora do próprio corpo.

Atribuímos o amor a um ser supremo, uma magia celestial, um poder sobrenatural, porque é difícil acreditar que nossa humanidade é capaz de algo tão grandioso. De praticar o altruísmo de forma tão transparente. Ajustar diferenças. Faz-nos desejar um mundo melhor só para que ele seja mais justo com quem tem o nosso afeto.

Amor é a transformação em todo o seu esplendor.

Aquele acontecimento que faz pessoas completas transbordarem. Faz-nos encontrar calma na agitação do outro. Intensifica o sol que brilha agora mais bonito lá fora. É companhia nas trilhas da vida. É perder o medo de soar clichê, afinal o amor é simultaneamente brega e exuberante mesmo. E não tem problema nenhum nisso.

É a alegria de achar alguém digno de andar de bicicleta do nosso lado, como a única coisa importante do final de semana. Encarar um milhão de motivos para partir, e decidir ficar. Amor é sobre acreditar. É ter fé no tempo, nos reencontros. Ver certeza nas incertezas.

Amar de verdade é dar graças a Deus por não ter dado certo com mais ninguém. Não porque encontramos alguém perfeito, mas porque decidimos amar inclusive as imperfeições tão perfeitas do outro. É ver beleza além da superfície. Segurar na mão quando a coisa fica feia. Principalmente quando fica feia.

Então talvez a beleza de “unir os trapinhos” de forma oficial seja justamente por ser uma história real, ao invés de um conto de fadas. Uma história de verdade sobre o esforço mútuo para manter o amor acima de todas as coisas. Uma narrativa escrita a duas mãos.

A gente intitula “amor” o carinho de construir um lar juntos. A euforia que causamos e sentimos pelo outro. É encontrar as múltiplas facetas em um só coração, amantes, amores, amigos, admirados e admiradores, tudo junto e misturado.

O casamento, que é uma das possíveis consequências do amor, surge porque acredita-se que uma relação precisa destes pequenos e grandes momentos de contemplação. De parar e entender que chegar até aqui foi a perfeita mistura entre a sorte e o comprometimento. E é preciso celebrar essa união: a da sorte e do comprometimento. A união entre ela e ele.

O que prova, de fato, que pequenos milagres existem. Entre a sorte e o comprometimento.

❤️
Fim da sessão

Essa sessão foi um presente de casamento especialmente escrito para a minha amiga Melina. Ainda que eu acredite que presente mesmo é ter uma amiga como ela e sorte a minha de através dela ter a chance de renovar a fé no amor. Aos noivos: todo amor do mundo!

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4 Comments
  1. Responder

    Key...la

    29 de agosto de 2018

    Que bom ler sempre textos novos seu!!! Comecei quando perdi meu pai a te seguir e nao parei mais! Palavras muito inspiradoras!

  2. Responder

    jessica

    4 de novembro de 2017

    Que texto inspirador e motivador para os que assim como eu estão vivendo o doce momento da construção desse amor.

  3. Responder

    Dulce

    17 de outubro de 2017

    Meu neto casou-se no sábado com uma menina linda! Um casamento na praia, cheio de magia e de amor. Maravilhoso!!!! Uma das partes mais emocionantes foi quando ele esperava por ela no Altar e o sobrinho mais velho dela entrou com uma placa com letras douradas onde estava escrito – “Tio Lê o Amor de sua Vida vem aí!”

    • Responder

      Antônia no Divã

      17 de outubro de 2017

      Dulce, que saudades! Adoro quando tu me escreves! beijão enorme

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Aline Mazzocchi
No divã e pelo mundo

De batismo, sim, Aline. Mas eu precisei do codinome Antônia - do latim "de valor inestimável" - para dividir minhas sessões públicas de escrita-terapia. O que divido aqui é o melhor e o pior de mim, tudo que aprendi no divã e botando o pé na estrada. Não para que dizer como você deve ver a vida. Mas para que essa eterna busca pelo auto-conhecimento, não seja uma jornada solitária, ainda que pessoal e intransferível. Então fique a vontade pra dividir o divã e algumas boas histórias comigo. contato@antonianodiva.com.br

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