sessão musical

A vida perfeita

em
23 de novembro de 2016

Ontem me peguei chorando pela rua.

O vento bagunçava meus cabelos, as folhas das arvores chacoalhavam como percussão musicando o meu caminho. E como em raras oportunidades (e que sem CNH, futuramente nem tão raras) voltava a pé do trem, e passei pela cobertura dourada – palco de tantas das nossas estripulias – de onde o céu brilhava com ares superiores (porque se dissesse “angelicais” tu farias piada).

Ontem me peguei chorando pela rua. Mas era um choro alegre. Ri da sorte que tenho de viver contigo dentro de mim.

Sabe, irmão, eu te culpei por ter me deixado, porque uma vez a minha vida já foi perfeita. Mas ontem, caminhando despretensiosamente pela rua, e por motivos que fogem a minha compreensão, eu entendi que ela segue sendo perfeita – afinal ela só tornou-se perfeita um dia, porque nossos carmas se cruzaram/escolheram.

Hoje cada vez que fico perdida, olho para aquela cobertura – a mais alta da cidade – como um farol me orientando pelo mar revolto – e ele anda tendo dias de ressaca (não das boas).

O farol, ele próprio, tem um paradoxo interessante – pois é responsável pela luz, da mesma forma que é pela escuridão. Nada mais justo, sabendo que a vida e a morte também tem o mesmo apelo contraditório. Luz e escuridão. Perder e encontrar-se. Chega a ser poético.

E eu vou seguir te sentindo perto, e falando contigo como se estivesse caminhando do meu lado. E de certa forma está. Talvez por isso a vida vá seguir sendo perfeita.

The perfect life.

Palavras-Chave

22 de novembro de 2016

24 de novembro de 2016

1 Comentário
  1. Responder

    Ana Teté

    23 de novembro de 2016

    ???

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Aline Mazzocchi
No divã e pelo mundo

De batismo, sim, Aline. Mas eu precisei do codinome Antônia - do latim "de valor inestimável" - para dividir minhas sessões públicas de escrita-terapia. O que divido aqui é o melhor e o pior de mim, tudo que aprendi no divã e botando o pé na estrada. Não para que dizer como você deve ver a vida. Mas para que essa eterna busca pelo auto-conhecimento, não seja uma jornada solitária, ainda que pessoal e intransferível. Então fique a vontade pra dividir o divã e algumas boas histórias comigo. contato@antonianodiva.com.br

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