Efemérides

Eu queria ser só mulher

em
9 de março de 2015

Eu queira ser só mulher. Sim, só mulher, assim como homens são só homens.

Ao defender direitos de gêneros, de igualdade no tratamento de homem e mulher, queria ser só mulher. Eu não queria ser feminista. Veja que hoje eu preciso ser feminista, se não precisasse, só mulher tava bom.

Quando tenho TPM, queria ser só mulher lidando com meus hormônios. Não queria ser temperamental, instável ou maluca. Só mulher.

Quando eu quero chegar em um carinha que eu quero conhecer, não queria ser fácil ou atirada. De novo, eu só queria mesmo era ser mulher.

Queria ser só mulher quando sou solteira. Nem encalhada, nem solteirona, nem titia. Mulher.

Na Índia queria ser só mulher, não dalit, nem intocável, nem estuprável, nem mártir. Só mulher.

Na África não queria ter lábios decepados pra manter minha pureza. Queria ser apenas mulher, com todos os lábios que Deus me deu.

Nas ruas de qualquer lugar também queria ser só mulher. Passando por construções, becos ou avenidas. Não queria ser “oh gostosa”, “senta aqui morena” ou “te chupava toda”. Só mulher tava de bom tamanho.

Quando eu declarar gostar de sexo, com palavras ou ações – e eu gosto mesmo – queria ser só mulher. Nem puta, nem safada, nem transarina, ou aquela que não é pra casar. Mulher.

Se não tiver as unhas ou depilação em dia, mulher.

Quando alcançar algum sucesso, nem “aquela que deu pro chefe”, ou “a filha do ‘homi’”. Só mulher tava bom.

Quando enfrentando o dilema de uma gravidez acidental, não queria ser assassina, criminosa, paciente ilegal. Mulher.

No volante, só mulher. E não “tinha que ser mulher”.

Se for curvilínea, nem gorda, nem relaxada: mulher.

Se for sarada, nem fútil, nem bombada: mulher.

Se for magra, nem anoréxica, nem fresca: mulher.

Se for feia, não quero ser puta-feia. Mulher.

Se for bela, não quero ser puta-gata. Mulher.

E se eu achar que está tudo errado, que meu lugar é onde eu bem entender, e se eu resolver não pedir permissão pra ninguém pra ser quem eu sou, ainda assim e independente do que pensem: mulher. Nem chata. Nem “moderninha”. Nem autossuficiente. Nem “mal comida”.

E isso vale pras Madalenas, Cassandras, Carens, Fridas, Joanas, Marias, Amélias, Malalas, Beyonces, Tinas, Anitas e Antônias. Todas elas e cada uma delas.

Porque ser tudo isso aí que as más-línguas dizem sobre nós é muito fácil.

Difícil…  difícil é ser só mulher.


Fim da sessão.

Palavras-Chave
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30 Comments
  1. Responder

    DULCE MARIA RODRIGUES LAGOEIRO

    8 de março de 2019

    Ser Mulher! Apenas Mulher! Como é difícil, cansativo… apesar de todas as compensações, ser Mulher é um estresse só!
    Mas vamos sempre gritar! Um dia eles ouvirão a nossa voz e seremos, apenas, Mulher!

  2. Responder

    Albaneide Jane de Queiroz

    22 de agosto de 2018

    Amei a sessão, temos que nos posicionarmos em nós “mulher” e não ficarmos sujeitas a esse tipo de conceito machista, que estão causando dia a dia dores em nossa classe

    Albaneide

  3. Responder

    Claudio Elias do Nascimento

    30 de setembro de 2015

    Jesus Cristo Esta Voltando!!!

    • Responder

      Antônia no Divã

      30 de setembro de 2015

      aleluia, irmãs e irmãos!

  4. Responder

    Carolina Tagliarini

    26 de junho de 2015

    Bom dia! Linda obra, será que me permitiria publicá-la num livro sobre amor e sexo, como citação? Há um capítulo sobre a mulher e acho que ficaria bacana lá 🙂

    • Responder

      Antônia no Divã

      30 de junho de 2015

      Oi Carolina! Obrigada pelo contato, lamento a demora no retorno. O site identificou este comentário como um spam (não faço ideia do pq). Pode me mandar um email falando mais do livro, e como funcionaria essa citação e crédito a autora? contato@antonianodiva.com.br

  5. Responder

    Gracilene

    15 de abril de 2015

    “Difícil é ser só mulher”. Extasiada com o seu texto Antônia! lindo!

    • Responder

      Antônia no Divã

      15 de abril de 2015

      Gracilene, obrigada! Gentileza sua! volta sempre. beijos

  6. Responder

    Lele

    30 de março de 2015

    Preciso dizer… vc Arraza!!! passo quase todos os dias por aqui e cada dia leio um texto… um melhor que o outro.
    Claro me identifico com vários…

    Bjs

    • Responder

      Antônia no Divã

      1 de abril de 2015

      Obrigada Lele! Pode passar todos os dias, eu gosto da companhia! Beijocas

  7. Responder

    Rafa

    25 de março de 2015

    O mês de março pra mim custa a passar, como mulher que sou, turbilhão de sentimentos, meu mês de aniversário é longo e deixa rastro… Hoje começou como um dia comum, já havia lido um texto seu “Se essa rua, se essa rua fosse sua” e já tinha me simpatizado contigo… Hoje me apaixonei, pela sua forma de escrever e de passar ao mundo sua vivência! “A menina com o lenço na cabeça” levou minhas lágrimas que a tempo não caiam. “A maldita calcinha suja” levou risos. “A maldita calcinha suja 2” me trouxe o jogo de cintura. “Mais uma dose, é clclaro que eu tô afim” me trouxe a paixão. É esse texto ” Eu queria ser só mulher” me pos os pés no chão… vc é simplesmente maravilhoso. Parabéns e por favor escreva muito.

    • Responder

      Antônia no Divã

      26 de março de 2015

      Ahhh Rafa, tempos estranhos de transação para nós mulheres. Não podia ser diferente contigo, afinal março “acomoda” a transação dos signos d’água (Peixes) para os de fogo (Áries), ou seja, é troca das mais extremas. Que bom que a simpatia aconteceu, ela é recíproca. Prometo escrever mais sim, mas só se você prometer voltar sempre. Combinado? Beijos

  8. Responder

    Mari B

    24 de março de 2015

    Ameeeiiii!

  9. Responder

    LEONARA

    12 de março de 2015

    SENSACIONAL!!!!

    • Responder

      Antônia no Divã

      13 de março de 2015

      Volta sempre! 😉

  10. Responder

    Nanny Ruivo

    10 de março de 2015

    Nem preciso dizer que sou Fã de Carteirinha de vc #Antônia.
    Ameiiiiiiii

    • Responder

      Antônia no Divã

      13 de março de 2015

      Precisa sim! hahahah. brincadeirinha

  11. Responder

    Rosangela

    10 de março de 2015

    Olá, Antônia!
    Amei os seus textos.
    Tenho, também, um blog: http://sempreemfrente.blogs.sapo.pt
    Abraços;
    Rosangela.

    • Responder

      Antônia no Divã

      13 de março de 2015

      Oi Rosângela. Adorei o blog. Parabéns!

  12. Responder

    Narjara

    10 de março de 2015

    Amei o blog, seus textos são incríveis.

    • Responder

      Antônia no Divã

      13 de março de 2015

      Obrigada Narjara. Adorei você aqui!

  13. Responder

    Dulce

    9 de março de 2015

    Ótimo, verdadeiro, super legal!! Parabéns!! Eu, hoje em dia, me lixo para o que pensam de mim e sou, simplesmente, unicamente, Mulher!!!!

    • Responder

      Antônia no Divã

      13 de março de 2015

      Adoro! Isso mesmo, Dulce! Girl power!!! Beijos

  14. Responder

    Katy

    9 de março de 2015

    Excelente.! Você escreve muito bem, parabéns.

  15. Responder

    Gisélli

    9 de março de 2015

    Obrigada Antônia!!! Obrigada por me proporcionar o prazer de ler vc! Parabéns MULHER!

    • Responder

      Antônia no Divã

      13 de março de 2015

      Parabéns pra nós! beijos

  16. Responder

    Chris

    9 de março de 2015

    Amei o sarcasmo, a provocação.

    A forma como a sessão de terapia ia evoluindo, e eu sentia que não queria que acabasse. Queria ser o terapeuta da Antonia!

    Lindo texto!

    • Responder

      Antônia no Divã

      13 de março de 2015

      Depende! A tua hora de sessão é muito cara? 😉 hahah

  17. Responder

    Tatianna Reiniger

    9 de março de 2015

    Olá! Eu amei o blog e o texto!

    Tenho um blog em que reúno textos bons que encontro pela internet e escrevo alguns também.

    Seu texto resumiu demais o que penso no dia de hoje e, por isso, precisei postá-lo lá no meu blog. Claro, dei o devido crédito. Dê uma olhadinha lá! 🙂 http://www.tatiannareiniger.blogspot.com

    Beijos e continue postando! Tô adorando tudo por aqui!

    • Responder

      Antônia no Divã

      13 de março de 2015

      Oi Tatianna! Ficou um amor. Sabia que tava faltando um nome na versão original. Hahahha. beijos, 🙂

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Aline Mazzocchi
No divã e pelo mundo

De batismo, sim, Aline. Mas eu precisei do codinome Antônia - do latim "de valor inestimável" - para dividir minhas sessões públicas de escrita-terapia. O que divido aqui é o melhor e o pior de mim, tudo que aprendi no divã e botando o pé na estrada. Não para que dizer como você deve ver a vida. Mas para que essa eterna busca pelo auto-conhecimento, não seja uma jornada solitária, ainda que pessoal e intransferível. Então fique a vontade pra dividir o divã e algumas boas histórias comigo. contato@antonianodiva.com.br

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