ANTÔNIA

Não espere encontrar aqui minha idade, profissão, meu signo, uma lista das coisas que eu gosto ou deixo de gostar. Aqui não cabem estes limitadores.

A única certeza que você vai ter aqui é que eu sou uma contadora de histórias.

Eu sempre fui e sempre vou ser. Desde pequenininha, mesmo quando não entendia as letras e as palavras, e escrevia histórias com ajuda das amigas mais velhas e da minha mãe. Sou contadora de histórias de mesa de bar, de intervalo do almoço, de beira de praia, de elevador e de sessão de terapia.

Eu sempre amei histórias. Do mundo, dos outros e da minha. Não é a toa que deito e revisito-as com frequência no divã.

E lá, sempre que abraço uma crônica, gosto de fazer uma lista mental dos aprendizados, as minhas efemérides, meus aprendizados, colecionando personagens e lições, todos como tijolos dourados, formando um caminho na direção do autoconhecimento, afinal ,“não há lugar como o lar”.

Justamente por amar histórias, eu viajei. Morei em Londres, passei um tempo morando numa mochila, outro na Austrália, e também no meio de uma ilha deserta na Indonésia. Conheci o mundo bem menos do que conheci a mim mesma no caminho. Guardo com carinho as histórias da estrada como carimbos na memória. Histórias vividas, histórias de gente que conheci e histórias que queria ter vivido.

Na estrada eu também encontrei amores e desamores. Apaixonei-me mais do que devia. Somente então para aprender a me amar. Foram tantos suspiros que alguns não cabiam no peito, e vieram parar aqui.

Já fui diversas versões de mim mesma e muitas vezes sequer me reconheci. Ora santa, ora pecadora, e tudo o que há entre os dois extremos. Mas eterna aprendiz, isso com certeza. Não se pega a estrada sem deixar um tanto de si, e levar um pouco do mundo.

Então de tantas coisas que fui , sou e ainda vou ser, hoje eu me resumo aqui e agora em ser simplesmente: Antônia.