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Viagens reais e imaginárias

Fiquei offline

Fui viajar e acredite, a internet não importou tanto assim. Confesso, pra uma heavy user como eu foi uma bela desintoxicação. Esqueci de pagar a conta do provedor do meu site, atrasei pautas para editores, já que por alguns dias, a minha presença “nas internê” já não era tão crucial. Nenhum desrespeito a editores ou leitores, eu juro, não era isso. Mas a vida real me chamou lá fora, exigiu a minha atenção. E quando a vida chama com tamanha intensidade, curtir publicações fica menos importante que curtir momentos. Vocês entendem, não é?

Eu fiquei offline porque o sol insistiu em brilhar lá na rua. Mudei a minha localização geográfica para um país que vive feliz com muito pouco. Ou talvez “pouco” tenha sido um valor distorcido na minha vida de acumuladora. Claro que tive que acumular dinheiro, para poder acumular histórias em outros cantos do mundo. Mas acumular roupa suja, joelhos encardidos e amizades novas me pareceu uma atitude de valor inestimável nos meus dias na Indonésia. Sendo assim o Wi-fi foi usado quase que exclusivamente para avisar a minha família de que eu estava feliz e com saudade e talvez compartilhar uma foto aqui ou outra ali. O apelo visual foi uma ferramenta utilizada quando me faltaram palavras para descrever a alegria que vivi.

Eu fiquei offline porque a conexão com templos era impossível de ignorar. Ou porque macacos selvagens tinham mania de roubar celulares, então por muitos momentos ele ficou guardado por precaução. Fiquei sem bateria incontáveis vezes, depois de tentar de forma frustrante tirar fotos e fazer vídeos que fizessem justiça ao que meus olhos presenciaram ao vivo, e falhei em todas as vezes. Fiquei sem bateria no corpo também, porque ser feliz cansa. Embaraça o cabelo, que passou a cultivar dreadlocks que levaram dias para serem desfeitos. Talvez uma dica do vento dizendo pra não me preocupar com o alinhamento das coisas, que a vida é mesmo um emaranhado de sentimentos, sonhos, angústias, paixões, e que tudo isso não é páreo para condicionador e pente.

Fiquei offline porque as pessoas a minha volta exigiram atenção. Gritante e espalhafatosa atenção. Com suas peripécias malucas, histórias incabíveis e impublicáveis. Larguei o celular pra pegar na mão de amigas, abraçar novos conhecidos, viver novas paixões e reencontrar comigo mesma. E eu adoro reencontrar comigo mesma. Larguei o celular porque ele não cabia na carona de uma moto, ou dirigindo um carro com 9 meninas lindas, na mão inglesa, que é a contrária daquela que aprendi, enquanto tentava falar “buzinês balinês” numa terra que não entende o uso do pisca. Abri mão dos eletrônicos porque eles não são bem vindos no mar, e precisava das mãos pra pegar conchas, admirar corais, e tentar (inutilmente) não escorregar de pedras nas cavernas que descobri. Precisei das mãos para fazer uma prece de gratidão a cada passo do caminho. E abrir uma cerveja Bintang a cada novo tropeção.

Fiquei offline por necessidade, mas também por escolha. Perdi aniversários de amigos, momentos dramáticos na política, não respondi e-mails importantes, e chateei muita gente por falta de retorno. Me perdoem, entretanto não foi por mal.

Às vezes a vida pede “presença presente”, ativa, contribuinte e alerta na vida real. Talvez são os momentos em que a gente se importa mais com estar vivo, do que estar online.

Agora tudo volta à “normalidade”. Com o coração pulsando pela próxima oportunidade de me desconectar do mundo, e me reconectar com o melhor de mim. Essa conexão sim, eu curto muito, e compartilho.

 

Fim da sessão.

ps: tem mais sobre Bali vindo aí, por hora: Tera Makasih.

Adeus, tchau e até logo

Escrevo essa sessão de um lugar que gosto mais que um bom divã. Um aeroporto. O dia não amanheceu ainda, mas o meu pânico de perder um voo por conta do trânsito, me trouxe ao aeroporto Internacional de Guarulhos um pouco depois das 4h da manhã. Munida de um café hiperinflacionado, eu observo a movimentação sonolenta de funcionários e passageiros que como eu, aguardam as horas mais efetivas do dia. Não sei por que demorei tanto para comentar sobre essa viagem aqui. Talvez porque ainda que esteja a algumas horas de cruzar o globo, essa viagem tem um ar de tranquilidade e pouca presunção. O destino já é conhecido: Austrália, com alguns dias de pura alegria na Indonésia. Tempo estimado de viagem: 2 meses. Ou seja, eu vou logo “ali” e “já” volto.

O que me impressionou nesta viagem em particular foi a comoção alheia com a movimentação que, em tese, dizia respeito apenas a mim. Amigos, familiares e conhecidos, dedicaram bom tempo a especulações sobre o meu retorno e sobre a intenção com o meu deslocamento para lá onde Judas perdeu as botas (Timberland, possivelmente).  Não importava quantas vezes eu explicasse com tranquilidade que logo voltava e minimizasse o drama envolvido em alguns dias de ausência física. Sim, física, porque depois do Whatsapp, ninguém tem um minuto mais de reclusão na vida. Houve lágrimas, ansiedade crescente e horas de explicações pouco compreendidas (pra não dizer abafadas pelas lágrimas infundadas).  Para muitos, a minha viagem não era logo “ali” e tão pouco era um “já” volto.

Acuso esse fenômeno desconcertante que precede uma viagem, como a síndrome do  desconhecimento sobre a diferença entre o adeus, o tchau e o até logo. Não posso ser injusta com meus amigos. Ora, eu sou uma viajante incorrigível, então a ideia de eu não voltar a criar raízes não é tão absurda. Isso agravado pelo fato de que meu retorno do mundo para a pequena cidadezinha que chamo de lar no interior do Rio Grande do Sul, nunca ser suave. É como tentar usar dois pares de sapatos nos meus únicos dois pés.  É um desequilíbrio constante tentar existir perto da minha morada fixa, e aquela que habita o peito e segue solta pela estrada. Existe também chance de encontrar um amor em outros portos. A possibilidade de um livro. A conquista de uma nova cidadania. Ok, talvez eu tenha sido dura demais avaliando o drama envolvido das minhas despedidas. Eu tenho muito pelo que partir.

Mas eu também tenho muito pelo que voltar. Certo dia, um amigo que mora justamente na Austrália, me perguntava do que eu mais gostava na minha pequena cidadezinha, afinal eu havia trocado o mundo, para voltar pra lá. E a minha respostar não podia incluir a minha família e amigos. Fiquei consternada ao descobrir que além dos meus amores, o meu bar preferido era a única coisa que ocupava a minha lista. Ok que o bar em questão fazia tele-entrega de bêbada na minha casa, vez que outra quando necessário. Mas ainda assim, não conseguia justificar que meu único elo com a cidade se resumia ao local onde eu bebia. Em conversa com o dono do mesmo bar, reclamava preocupada sobre meu drama, quando ele me mostrou que a pergunta do meu amigo era injusta.  Porque o “além da minha família e amigos” imposto na minha resposta, era justamente o fundamentava todo meu existir. E até a escolha do bar só reforçava o meu “além”. Porque era onde eu encontrava com quem eu amava, além da minha casa.

Eu evitei despedidas antes de chegar a este aeroporto, hoje, às 4h da madruga. Mas o meu esforço foi totalmente em vão. Vivi os últimos dias com gente que fez plantão na minha casa, até quando eu dormia, para ter certeza de que curtiriam os últimos momentos, antes dos próximos, na minha companhia. Recebi mensagens de quem eu sequer avisei sobre a minha partida. Eu bebemorei amizades mais do que meu corpo aguentou nas últimas horas, e confesso que meu fígado odeia despedidas mais do que eu, neste momento. Eu vi meus pais reforçarem o poder das minhas asas, mais do que a importância do meu ninho, provando que amor é mesmo deixar livre para poder voltar. E que embora todo mundo duvide da diferença entre adeus, tchau e até logo, tem algumas certezas que são irredutíveis. De que às vezes é preciso ficar longe de todo mundo, para poder ficar perto da gente mesmo. E que nada no mundo é melhor do que ter motivos pelos quais voltar pra casa.

É bom ir embora pelas razões certas, eu garanto. Mas nada supera voltar pelas mesmas ou novas razões. E se existe dúvida em relação onde e porque a gente faz raízes, não existem dúvidas de que somos todos passageiros. Então faz sentido apenas aproveitar a viagem. Cheia de partidas e chegadas. Despedidas e reencontros.  A vida é muito curta para ficar parado, e importante demais para não ter ao que se apegar.  Então acreditem, eu vou até “ali” e “já” volto. Bon Voyage.

Fim da sessão.

Ps: O divã segue com suas sessões, com cronograma um pouco bagunçado em razão de fuso, e horas intermináveis de diversão. A meta inclui o famoso livro, que eu comunico aqui com a intenção única de botar pressão em mim mesma. Quem quiser curtir o divã na estrada pode me acompanhar pelas redes sociais – Facebook ou Instagram (@antonianodiva). Mandem dicas, convites para café e cerveja além dos mares, ou apenas seus desejos de boa viagem. É preciso ir embora, sim,  mas não quer dizer que não quero todos vocês juntos comigo. Vem também.

 

5 razões para viajar | Vai para o Mundo

A grande maioria das pessoas que viaja por diversão, pouco se dá conta de que o ato de viajar é também um aprendizado intenso sobre o mundo, e o melhor, sobre você. A convite do blog Vai para o Mundo, e também para provar minha teoria, listei abaixo 5 razões para você botar a mochila nas costas, e seguir direto para essa escola chamada mundo:

1) Planejamento de projeto de curto, médio e longo prazo

Viajar exige um planejamento que vai desde destino, acomodações e métodos de deslocamento, até um estudo financeiro otimizado de um projeto que pode durar duas semanas, ou até um ano de volta ao mundo. Esse plano ajuda viajantes a calibrar expectativas, prever riscos e ter planos de contenção de crises. Cria hábitos saudáveis de autoproteção. Desenvolve a comunicação e poder de resolver problemas. Talvez a lição não fique tão óbvia porque você está se divertindo, mas o aprendizado começa antes de você sair de casa.

2) Conhecimento íntimo de novas culturas

Esse ponto é vendido como o bom e velho clichê de conhecer o mundo fora dos livros, mas é de fato uma boa oportunidade de entender questões sócio-políticas do mundo. Em sociedades que a globalização ganha cada vez mais velocidade, entender como novas culturas funcionam, vivenciando-as, pode ajudar você a entender o que acontece e porque acontece além das fronteiras do seu quadrado. Ajuda a formar opiniões com base em experiências, mais do que o que a mídia diz através da sua televisão ou redes sociais.

3) Acesso a novas fontes de inspiração

Viajar sempre fomenta a inquietude existente dentro de todos nós. O fato de sair do nosso lugar seguro, provoca todo tipo de criatividade que estava lá, guardadinho num lugar escuro do nosso inconsciente. Viajar é fonte interminável de inputs criativos, seja através da arte, da arquitetura, da música, e por aí vai. Não é a toa que grandes ideias e projetos surgem depois de uma viagem. Quer inspirar-se? Caia agora no mundo.

4) Renovação da fé

Ok, ok. Mesmo que você não seja religioso(a), entenda que viajar é um ótimo exercício de renovar a fé nas pessoas. Sim, porque ser viajante é constantemente encarar perrengues, e não existe nada mais gratificante que encontrar ajuda em um estranho cheio de boas intenções. Então se não for para renovar a sua fé através de uma visita a uma igreja linda, um templo budista inspirador, ou conhecendo uma curandeira de uma tribo, viajar pode ser uma boa pedida para botar fé na humanidade. Afinal, nestes momentos a gente percebe a divindade do outro que estende a mão. E isso nos torna mais humanos, e mais divinos.

5) Reconexão com você

Não existe verdade mais permanente entre viajantes de que viajar é conhecer o mundo, e talvez a melhor forma de conhecer seus limites pessoais, sua essência. É uma terapia de choque. É você com você mesmo, na alegria da descoberta de uma nova praia, ou na tristeza de ter as malas extraviadas. É a prova viva da sua adaptabilidade, do seu poder de superação. E é sem duvidas, uma gentil oportunidade de se apaixonar por você. E viciar nesse encontro – de você com o mundo, mas também, de você com você mesmo.

Convenceu-se a pegar a estrada? Bom, se estas 5 razões não forem suficientes para encarar a aventura, viaje porque é bom. Porque é divertido. Viaje porque você merece. E porque visitar e viver o mundo lá fora, pode fazer maravilhas com seus limites e as fronteiras de dentro.

Viaje! Vai para o mundo.

Fim da sessão.

  • Essa sessão foi escrita especialmente para o blog Vai para o Mundo, um projeto querido das minhas amigas Gabriela Brunelli, Gabriela Sarturi e Amanda Schenkel que como eu, são viajantes de carteirinha.  Confere lá!

Não diga “eu te amo”, diga “vamos viajar”.

Já faz algum tempo que viajar mudou a minha vida, como poucas coisas neste mundo conseguiram. Eu sei, oportunidades de emprego são maravilhosas, conquistar algum poder aquisitivo também, um pedido de namoro é algo especial, mas nenhuma destas conquistas fala tanto com o meu coração cigano, quando um convite para pegar a estrada.

Eu fui do tipo de viajante dita “loba solitária”. Não que eu não quisesse ninguém comigo, do contrário, eu viajei muito sozinha justamente para me pré-dispor a conhecer pessoas. O fato de botar a mochila das costas e marcar um encontro com o mundo proporcionou-me conhecer algumas das pessoas mais fantásticas que tive o prazer de cruzar. E eu celebro os amores e amizades que espalhei por aí até hoje, num misto de saudade e euforia a cada novo contato.

Mas algo sobre convidar alguém para viajar faz o meu estômago dar cambalhotas e cair em espacato. Primeiro porque viajar é um ato que por si só exige muita coragem. Você sai da zona de conforto, e isso exige todo tipo de preparo mental para os perrengues do caminho.  Viajar acompanhado exige um preparo ainda maior. Sim, porque você se vê obrigado a discutir como resolver cada situação e concordar com as soluções necessárias a cada novo dilema. É como consertar a roda da bicicleta enquanto anda nela. Viajar acompanhado é abrir mão do que “EU” quero fazer, e achar harmonia no que “NÓS” iremos fazer. E para uma viajante independente como eu, abrir mão de algo no momento mais egoísta da vida – aquele tempo que eu tiro para desbravar o mundo – é o maior ato de altruísmo que alguém pode esperar de mim.

A exemplo das maravilhas de dividir estes momentos, eu posso citar a sensação maravilhosa de chegar numa praia nunca explorada antes e olhar para o lado e ver a boca cheia de dentes de uma melhor amiga no maior sorriso do mundo. Talvez o sorriso seja mais belo que a própria praia. Dividir a cama de um hostel com aquela sua outra amiga que fez questão de te encontrar num pais distante (mas que esqueceu de fazer uma reserva) pode ser considerada uma forma de amor também. Segurar na mão de alguém enquanto admira a vista de uma alta colina na Escócia tem o mesmo frisson de um orgasmo. Beijar sob luz das estrelas e ver acompanhada o sol nascer na ilha grega de Ios, é uma memória que jamais vai se esvair da minha mente.

Então perceba que viajar é um ato de amor próprio. E dividir esses momentos especiais é algo sublime.

Na semana passada eu me despedi de alguém que conquistou rapidamente um lugar no meu coração. E como eu sou masoquista fui até o aeroporto dizer o meu “até breve”  – aeroporto, aquele lugar que sozinho já me desestabiliza. E nesse exercício de ir embora e deixar ir embora, eu fiquei para trás no portão de embarque lembrando-me de tanta gente que amo e que em algum momento já se despediu de mim. Naquelas despedidas, me dei conta que muito mais do que dizer “eu te amo”, eu dizia “te espero lá, vem viajar comigo”. Era esse o meu jeito de dizer que amava – provando que eu estava disposta a dividir o melhor do mundo com aquela pessoa – seja ela pai, mãe, irmãos, amigas, amores.

E isso aconteceu comigo mais uma vez nesta semana, mas desta vez eu estava do outro lado da mesa da proposta. Lá da Austrália, eu ouvi a minha frase preferida “ei lindona, vamos viajar, vem pra cá passar um tempo comigo”. Pronto! Talvez um convite de casamento não tivesse me arrancado uma euforia maior. Comuniquei uma amiga sobre a proposta, e ela disse “vem pra cá mesmo, eu te ajudo com a passagem”. Eu tive dois convites de amor em um mesmo dia. Eu pude jurar que eu era a garota mais sortuda do mundo.

Não sei o que acontece com o meu peito nômade, mas essa proposta tem um poder sobre mim como nenhuma outra. Talvez porque eu sei que viajar junto dá trabalho. Ou porque eu tenha certeza que as memórias de uma viagem são intensas, especiais e marcantes. Ou simplesmente porque o meu ideal de relação envolva justamente a ideia de alguém querendo me entregar o mundo, de celebrar meu anseio por liberdade e de querer me ver dançar a alegria de conhecer novos territórios. Pode ser que seja porque eu sou a melhor versão de mim com uma mochila nas costas, e o amor seja mais convidativo. Ou apenas porque eu sou louca por viajar e nenhuma outra analogia seja necessária.

De qualquer forma, não importa se a viagem é até a praia logo ali, ou se o convite é para atravessar o mundo. Eu não me preocupo se um lance é um lance, ou se vai ser romance. O convite não precisa vir de um amor arrebatador, pode ser um amigo, ou alguém que tenha saudades. Amor para mim fica óbvio com a sugestão de visitar essa minha velha amiga chamada estrada. Receber um convite meu para uma viajem, é, sem dúvidas, ter a oportunidade de ocupar o lugar de maior prestígio na minha vida. Não precisa de promessas de amizades eternas, juras de amor, alianças ou outras provas tradicionais de carinho.

Só dois passaportes e o mundo.

Então se quiser provar que ama um viajante, não diga “eu te amo”. Diga “vamos viajar”. Eu tenho certeza que ele vai amar e arrumar as malas correndo. E neste caso, não responda “eu te amo também”, diga “eu estou indo!”.

Fim da sessão.

Desculpa o transtorno, a réplica dos meus ex.

À convite do ATL Girls aceitei o desafio de pedir aos meus ex-namorados uma réplica da crônica sobre Gregório Duvivier e Clarice Falcão. E aí? Acha que rolou drama ou carinho?

Clique na imagem abaixo e confira:

ex

Papa-Gringo

“Garota, você ia pirar na Vila Olímpica”.

Essa foi a mensagem de uma amiga direto do Rio. No meio de um grupo de whatsapp de 17 mulheres, foi para mim direcionado o foco dos romances intercontinentais.  “Papa-gringo”, algumas amigas  me chamam tirando sarro, devido ao meu interesse pelos espécimes que vem de fora. Não que ele seja exclusivo para os artigos importados. Eu amo o produto nacional. O que me faz colecionar bandeiras é primordialmente o meu tesão por falar inglês… o resto, bem, o resto é consequência.

O meu primeiro flerte cross-ocean foi um australiano. O pai dele tinha um parque para o cuidado e procriação de tubarões, e foi aí que ele me ganhou. Na minha cabeça jovial ele era selvagem e exótico como eu nunca tinha visto nada na vida. Isso claro, e o cabelo louro-dourado, olhos cor de mar, e físico de quem surfa desde que aprendeu a andar. Ele passava as férias na Praia do Rosa, enquanto eu passava os minutos planejando a nossa casa em Fresh Water, de frente pro mar. O romance durou 2 dias, mas perdurou por anos no meu imaginário.

O primeiro relacionamento intercontinental sério que tive foi com um tailandês de família chinesa. Eu morava em Londres há poucos meses, e tropecei nos olhos puxadinhos do Brett sem pensar duas vezes. Ainda que o namoro tivesse engatado rápido, o sexo era outra história. Depois de diversos amassos entre a gente, e nada dele tomar a iniciativa, eu perguntei se ele tinha algum impasse comigo. “Respeito”, ele disse. E me lembro de ter ficado em choque. Enquanto eu estava ouriçada como um animal no cio, o meu namorado estava puramente respeitando o meu tempo. Óbvio que “o meu tempo” levou só até o fim daquela conversa. Mas aí eu não culpo a minha brasilidade por isso.

Nesta mistura de culturas entre Brasil e Ásia, alguns pontos me chamaram a atenção. O fato de o meu namorado ter um irmão gêmeo, (e sendo isso na Ásia uma benção divina), fez com que os rapazes tivessem sido criados sempre juntos, e por isso nunca se desgrudavam (tipo, NUNCA). Por vezes eu tive a sensação bizarra de que estava num relacionamento com os dois. Outra situação inusitada foi em nossa viagem a Tailândia, em que fomos notícia em um site de fofocas – porque 1) o Brett, que tinha sido VJ na MTV por anos, estava de volta a Bangkok depois de muito tempo, e 2) porque ele trazia uma namorada “fora de padrão”, segundo o que contava o site.  Óbvio que minhas curvas não cabiam dentro da expectativa tailandesa, só não imaginava iriam torna-se notícia.

Mas as estranhezas não pararam ali. Ainda que o Brett e eu estivéssemos namorando há mais de um ano, na casa da minha sogra, tivemos que dormir em quartos separados. E claro, a mais bizarra experiência desta viagem, é que eu não pude participar de um almoço da família do Brett, em virtude do avô dele, o patrocinador de seus estudos em Londres e patriarca extremamente conservador, sentir-se-ia ofendido com a minha presença. Afinal, o Brett estava em Londres para estudar, e não para arrumar uma namorada brasileira. (Soube que este ano o velho teve que engolir a esposa Venezuelana com quem o Brett casou-se numa ilha tailandesa).  O Brett e eu terminamos numa boa, ainda que ele nunca mais tenha falado comigo, ou respondido minhas mensagens de despedida ou parabenização pelo casamento. Ele tinha promovido o mesmo isolamento com outra ex- namorada enquanto namorávamos, e entendi que aquele era o comportamento padrão de término dele (ou da cultura dele).

Tempos depois do Brett, acabei conhecendo um britânico e ele me chamou para sair. Durante a nossa conversa sobre diferenças culturais, o inglês comentou como nós brasileiros gostávamos de tocar nas pessoas enquanto falávamos. Propus então um desafio, que nós contássemos quantas vezes eu encostaria nele, e quantas vezes ele encostaria em mim durante o nosso “date”. 2 horas e muitos drinks se passaram e eu encostei 78 vezes nele. Ele? Duas. Uma na chegada, e outra na despedida. E juro que desde então, controlo sempre as minhas mãos quando conheço alguém – brasileiro ou não.

E assim eu segui, entre trancos e barrancos, me relacionando com bandeiras globais, sem muita comoção, até o meu primeiro e grande amor platônico por um galês. Bem, basta dizer que por ele, eu aprendi a falar “bom dia, boa tarde e boa noite” no idioma do País de Gales, que é campeão internacional de uso de consoantes impronunciáveis.

Durante os meus 2 meses de mochila nas costas pela Europa, um flerte aqui, e um lance ali, fui aprendendo e aproveitando a solteirice em outras línguas. Por conta destas aventuras, comecei a ponderar alguns comportamentos, e registrar todos as minhas efemérides em outro blog que guardei a sete chaves. Visito o blog até hoje sempre me dá saudade dos amores que deixei em cada porto, como a marinheira que sempre sonhei ser. Colecionando bandeiras e suspiros, com o tesão de quem descobre o mundo também na saliva e carinho do outro.

De volta ao Brasil, lembro com saudade da Copa do Mundo, aliás, a “copa da pegação” como a apelidaram aqui nos confins do Brasil. Recordo que escrevi o meu primeiro texto viral, muito antes de ter o Antônia no Divã, falando sobre as delícias de ter o mundo no nosso quintal. Ora, é claro que a minha amiga ia lembrar-se de mim na Vila Olímpica.

Recentemente, coletei minha primeira bandeira germânica, aqui, na minha própria cidade, e confesso que me vi atrapalhada. Eu, brasileira explosiva, passional até o último fio de cabelo, num romance temporário intercontinental de chacoalhar a minha desordem.

O alemão tinha pouco ou nenhum interesse pelos meus faniquitos – o que para uma aquariana egocêntrica é o mais azedos dos remédios. Corrigia-me sem nenhum constrangimento. Prestava atenção em tudo que eu falava (e eu falo pra car@$#*) como quem observa um experimento acontecer, e toma notas mentais. Ligava no final de cada dia para contar do trabalho e fazer planos. E ao fim de de duas semanas, ele já sabia o que cada uma das minhas expressões queria dizer, ainda que me forçasse a falar toda vez que eu fazia beiço – “eu posso até entender inglês, ou mesmo aprender português, Antônia, mas ainda não leio a sua mente. Melhor falar o que está te aborrecendo”. Como fazer drama com alguém que veio do país que praticamente inventou a engenharia de precisão?

Que saudade que eu estava deste choque de culturas.

Dentre amores e desamores, alguns aprendizados ficaram com este meu coração viajante: 1) Eu gosto de romances intercontinentais pela riqueza da troca cultural. É isso que me seduz. Então “Papa-gringo” ou não, eu já assumi que eu amo conhecer o mundo com todas as suas ferramentas. 2) Ainda que fã dos romances intercontinentais, eu não fui feita para relacionamentos à distância. E por último, mas não menos importante: 3) Mesmo que tudo comece pela vontade de falar inglês… gozar é sempre em português. O meu orgasmo não tem tradução. 🙂


Fim da sessão.

Session end.

Pen y sesiwn.

Sitzungsende.

ปลายเซสชั่น

Eu adoro aeroporto

– “Filha, não precisa me buscar no aeroporto. Eu pego o trem”.

– “De jeito, nenhum, mãe. Eu faço questão”.

Ela encerra a ligação agradecida, ainda que não tivesse tido tempo de explicar. Não que eu não fizesse questão de dar uma carona para a minha mãe, mas naquele contexto, o que eu fazia questão ali, era o aeroporto.

Eu adoro aeroporto. Gente chegando, gente indo embora. Pessoas se despedindo com lágrimas nos olhos, ou se reencontrando com sorrisos largos. Últimos beijos, primeiros abraços. Adoro chegar com antecedência e me pôr a vislumbrar histórias de partidas e chegadas, ou mesmo de inventá-las, com roteiros elaborados, dignos de blockbusters. Eu me sento com o meu pão de queijo ultra-inflacionado, um café expresso e observo os passos apressados seguidos de malas, mochilas, bolsas e travesseiros de pescoço.

Faço uma leitura visual dos passageiros, e simulo seus itinerários. “Aquela ali vai viajar pra longe da família pela primeira vez, pelo pranto da mãe. Europa, pelo tamanho da mala. Ninguém vai pra Austrália com tudo aquilo.”– concluo. “As pranchas daqueles lá indicam uma surf-trip dos amigos. Chile, provavelmente, um deles derrubou a roupa de borracha tipo long.  Mas o chapéu de palha do outro acusa que pode ser El Salvador.” “O cara de terno e micro-mala vai a São Paulo a negócios. Pela cara dele, ele trocaria a selva de pedras por qualquer mar do Caribe”. Talvez eu também devesse conhecer o Caribe…

“A Infraero informa…”. Pronto, sou retirada do meu mundo de simulações pela voz metálica da moça da Infraero. Eu adoro tudo que a Infraero informa. O tráfico de aviões, os atrasos, as chegadas antecipadas, as trocas de portões de embarque – ainda que eu nunca escute os avisos quando deveria. Esses áudios são musica para os meus ouvidos, mesmo quando em alguns aeroportos eu não entenda tudo que dizem.

Como em Abu-Dhabi, quando perdi a versão em inglês do anúncio de que trocaram a minha conexão para a Tailândia e eu quase perdi meu voo, não fosse por uma burca-preta tímida e gentil, que me apontou o telão que anunciava a informação. “Como se vai de burca para a Tailândia?”, pensava enquanto nós duas corríamos para o portão certo. Ou da vez que anunciaram em um belíssimo italiano que o aeroporto fechava durante a madrugada, e eu tive que dormir no meu saco de dormir no chão, junto as minhas amigas aranhas, sem ter como sair do recinto para um lugar mais confortável. No fundo eu estava em casa, dentro de um aeroporto. Entre a Roma e Istambul, o que eu tinha para reclamar (além as aranhas…)?

Gosto da expectativa inebriante destes saguões.  Encaro os telões cheios de voos separados apenas por alguns minutos, que chegam de todas as partes do mundo. Penso nos céus que cruzam, nos oceanos que sobrevoam. Faço uma lista mental de onde eu iria se não me sobrassem responsabilidades e me faltassem dólares, euros, yuans. Meu estômago pula, cada vez que os letreiros trocam números de voos e destinos. Penso nos aeroportos que já receberam a minha alegria, o meu cansaço, o meu atraso, e de que não existe pior sensação no mundo do que chegar atrasado em um aeroporto, e ficar pra trás em Barcelona. Bem, isso até descobrir um boteco que servia sangrias baratas até o próximo voo (caríssimo) disponível. Eu adoro aeroporto.

E de aeroporto em aeroporto, eu faço planos infalíveis de dominação do globo. De juntar milhas com a mesma euforia de quem junta horas na fila do scanner. Eu sempre temo ter esquecido um líquido sagrado na mochila, que possivelmente terá de ficar ao lado da máquina de raio-x para descarte, até me lembrar que eu gasto os meus bocados muito mais com drinks do que com cremes caros. Eu me tremelico toda nas conferencias de passaporte. Já esqueci meu próprio nome em duas ocasiões distintas (talvez eu deva escrevê-lo na minha mão, na próxima). Eu sempre acho que vou ser confundida com uma prostituta em Madrid, uma traficante em Paris, confundida por sóbria demais para a Escócia, ou vítima da Ebola na saída da Johanesburgo. E eu nunca fiquei mais que 7 perguntas e alguns minutos suando frio nestes interrogatórios. É a síndrome do “não vou passar do aeroporto”. Ainda que eu adore aeroporto.

Adoro os pátios de aeroporto. Do cheiro de aventura. Cheio de aventura misturada com gasolina de aviação. Eu nunca liguei para carros, mas sou bem Maria-Gasolina-de-Aviação. É meu perfume favorito. Adoro o barulho vibratório de turbinas. O vento bagunçando o meu cabelo entre a sala de espera e um avião.  A sensação de inquietude que me causa. E se o vento faz voar um avião, imagina o que faz com as borboletas da minha barriga.  Elas voam, voam, voam, sem precisar de carona de boeing ou airbus algum.

Aeroportos me tiram do meu fuso. Quero abordar turistas e interroga-los em inglês, apenas pelo prazer que sinto do idioma dançando na minha língua. Eu me abalo cada vez que me despeço de alguém nele, nem que seja a minha mãe visitando a minha vó – abraço-a como se ela fosse cruzar o Atlântico – e a minha vó mora em Uberlândia. É culpa do aeroporto. Encaro sem vergonha os beijos apaixonados de casais recém juntados por uma conexão. Tenho vontade de abraçar famílias que nem conheço, quando recebem seus entes queridos com faixas, balões e buzinas. Celebro o reencontro deles dentro da minha cabeça, segurando a vontade maluca de me jogar junto no montinho de abraços desconhecidos. Ali, naquele desembarque onde tantas vezes o meu irmão me esperou na porta, com sua cara de sono,  o Django no colo e sorriso receptivo.  Onde me despedi de tanta gente, e reencontrei as melhores amigas do mundo.  Eu adoro aeroporto. São inícios, são meios, são fins.

Aeroporto é minha praia. Meu imaginário construído sobre concreto e asas. Ahhh são meus pés no chão e a cabeça no céu. Aeroporto é a confirmação em matéria física de que tudo é transitório, passageiro. Passageiro, sabe,  assim como você e eu.

Fim da sessão.


– “Oi filha! Tá aqui há muito tempo me esperando?”

– “Não mãe, cheguei às 11h.”

– “Mas eu te disse que o voo chegava só às 12h45.”

– “Não te preocupa, mãe. Eu tava aqui viajando.”

– “E esse cartaz?” – referindo-se a folha de papel branco com os dizeres “BEM-VINDA, MAMÃE” que eu segurava em frente ao portão de desembarque.

– “Eu gosto de celebrar reencontros.”

Ela me olha confusa – “Mas filha, eu fiquei menos de uma semana fora.”

– “Ah, mãe. Eu adoro aeroporto.”

Cinderela Americana – uma opereta croata

9:45 os motores da balsa ligam. Tempo estimado de chegada em Dubrovnik: 18:45. Faça as contas.

Era a minha segunda parada da Croácia, após o que foi um sonho chamado Jelsa (que merece um capitulo a parte). Frustrada com a perda do meu bilhete de railtrain que valia 550 euros e representava o meu passe-livre pela Europa, achei uma cadeira naquela balsa para dormir um pouco, e assim fingir por um minuto que não tinha perdido meu principal documento naquela viagem que estava apenas na metade. Uma menina com a pele naturalmente bronzeada e olhos de oliveiras me pergunta se pode sentar-se ao meu lado. Eu concordo, viro-me para o outro lado e desmaio em sono profundo.

O sol do meio-dia me desperta. Eu estava prestes a fechar as cortinas, mas a vista era surpreendente demais para ser ignorada.  Montanhas enormes de rochas brancas, pequenas ilhotas e as águas do mar verde-azul brilhante. Mihaela, a bela garota croata sentada ao meu lado, sorri para a minha cara de sono. “Você gosta?” – referindo-se a visão da janela  “O que não amar nesta vista?!”  respondi atônita.  Pegamos-nos a falar e assim descobri que Mihaela morava em Dubrovnik e trabalhava como fisioterapeuta em Split. Pensei comigo que se ela vivia na maravilhosa Dubrovnik, onde diabos ela devia passar as férias.

Mihaela concorda em vigiar a minha mochila enquanto eu desfrutaria de algum bronzeamento no convés superior. No convés tento adiantar o meu livro, curto um pouco o sol e logo fico entediada – como é esperado após 6h no mar. Mas não por muito tempo. De repente, eu vi esse cara que surpreendentemente preenchia todas as aspirações da minha lista de desejos: cabelos loiros que refletiam de volta para o sol, barba por fazer, queixo quadrado, sorriso largo, abdominais meticulosamente trabalhados e uma pele levemente dourada.  Eu precisava de água. Gelada.

Percebi que aquele deus saído do Olimpo estava com outros três amigos, e como eles estavam sentados ao meu lado, pude perceber que eram americanos. Como Dubrovnik era um dos poucos destinos da minha viagem que eu não tinha reservado alojamento, pensei que seria uma boa ideia verificar onde eles estavam hospedados. Descubro que o grupo era de Chicago. Depois de pegar duas indicações de alojamentos, despedi-me de forma ponderada (apesar do coração palpitando lhufas ao lado do loiro-cor-de-sol) agradecendo as indicações.

Chegando ao porto, Mihaela me mostra algumas casas interessantes pela costa, como uma casa com um elevador de vidro de frente para o mar e outra com um aquário de crocodilos (sim, porque não basta morar em Dubrovnik…) e uma pequena praia deserta onde Mihaela tinha dado seu primeiro beijo. Anotei o e-mail da bela croata no meu livro, torcendo que ela arrumasse um tempo naquele final de semana para um drink.

Despedi-me de Mihaela  e me dirigi ao ponto de ônibus. Uma longa viagem de ônibus lotado depois, chego a Cidade Velha de Dubrovnik. Bato perna por longos minutos pedindo orientações sobre alojamento e nada. Nenhuma chance de uma cama. Frustrada e cansada, me dirijo ao escritório de turismo da cidade quando dou de cara com os americanos novamente. Desculpei-me afirmando que eu não estava seguindo eles, mas que talvez seria uma boa ideia acompanhá-los para verificar a possibilidade de um quarto no hostel deles. Felizmente ao chegar ao nosso destino, o anfitrião gentil e engraçado do local arruma um quarto para mim. Iniciamos bem.

Mochila no chão, banho no corpo, e eu estava na rua para verificar a Cidade Velha. Perdi-me sem rumo nas milhares de arruelas de  Dubrovnik, até chegar a um bar chamado Buza bem em tempo de desfrutar a minha parte favorita do dia: o pôr do sol. Todas as cores lindas do céu, escondendo-se por de trás dos muros enormes de pedra e deitando-se preguiçosas sobre o mar. Percebi também que havia um lugar maravilhoso para saltar na água, e eu fiz uma nota mental para voltar no dia seguinte para um mergulho.

Presenteei-me com um delicioso macarrão para o jantar – o mar entre a Croácia e a Itália, obviamente não era suficiente para mantê-las separadas, já que a maioria dos restaurantes da cidade eram italianos. Cheguei ao alojamento a tempo de conhecer minha nova companheira de quarto. Uma gatinha, que fez questão de dormir dentro da minha mochila. Adormeci entre o ronronar da bichana e as ondas batendo nos rochedos do forte de Dubrovnik.

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No dia seguinte, começo cedo. Alugo um áudio-guia e passeio por toda a cidade, aprendendo  sobre as histórias de batalhas, inovações (primeira farmácia na Europa), ofertas de diplomacia, incêndios e os terremotos de Dubrovnik. Como é que este lugar sobrevivera a tantas lutas e tragédias e ainda assim parecia intocado?  Uma parada para um banho de mar azul anil era perfeito para tirar o cansaço da longa caminhada da manhã. No mar conheço garotas divertidas de Marrocos, que resultou na troca de contatos e um happy hour agendado para mais tarde. No porto velho, me sento em uma das peixarias tradicionais para um almoço rápido – peixes frescos fritos, com muito limão siciliano. Ahhh como eu queria ser Mihaela e morar ali pra sempre.

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Descansei minha preguiça depois do almoço ao lado do porto onde se banham os moradores da cidade. Tomei o meu tempo ao sol, enquanto apreciava o mar lambendo os dedos dos meus pés e deixei a vista massagear meus olhos com suas belezas. Percorri todo o caminho das muralhas da cidade, contando a minha sorte em cada tijolo. Antes de ir de volta para o alojamento, uma parada rápida na delegacia – sim, porque é bem coisa de Antônia precisar fazer uma B.O. da perda de passagem de trem para talvez conseguir acionar o meu seguro.  A aventura burocrática começa. Ninguém na delegacia fala inglês. Ótimo. Converso com um cara que sabia dizer algumas palavras. Papel e caneta e lá estou eu, do outro lado do mundo, escrevendo o meu próprio relatório policial em inglês. Entrego-o a um dos oficiais. 40 minutos e 20 kunas (algo como £ 3) mais tarde, eu finalmente tenho a ocorrência registrada conforme desejado. Bem, não exatamente. O relatório me é entregue em croata. O que diabos eu podia fazer com uma ocorrência policial em croata?

No alojamento, tento traduzir a ocorrência de croata para inglês na internet, quando ouço os americanos pedindo ao nosso anfitrião informações sobre o horário do ônibus para Split, lugar para onde eu voltaria. No meu caminho até a rua para fumar um cigarro, entreguei aos meninos o cronograma de horários de ônibus que tinha encontrado no meu quarto na noite anterior. Pedi o cronograma de volta quando eles terminassem de consultá-lo, para que eu organizasse a minha partida no dia seguinte, também de ônibus, já que sem o meu bilhete de railtrain, voltar de balsa seria muito caro.

De volta ao meu quarto tento contato com as meninas de Marrocos, mas sem sucesso. Quando eu estava aceitando outra noite tranquila com a Nik (a gatinha de Dubrovnik), alguém bate na minha porta. Por de trás da minha porta surgem aqueles grandes olhos azuis e o cabelo loiro-cor-do- sol. Ele me entrega o cronograma do ônibus em meio a um largo sorriso e me agradece. Antes de sair do meu quarto, me pergunta se eu tinha planos para aquela noite, e se eu gostaria de jantar com ele e seus amigos em meia hora. Agradeci-lhe educadamente, mas disse-lhe que eu já tinha comido. “Bebidas então?” – sugere. Como dizer não pra alguém que brilha como o sol? “Claro, me avisem quando saírem”.

30 minutos mais tarde, quatro rapazes estavam prontos para jantar ao lado da minha porta. Pergunto ao loiro se o convite ainda estava de pé, e ele faz uma cara de pensativo e dá uma piscadinha. Amoleço discretamente (assim espero). E foi assim então que eu conheci oficialmente Luke (também chamado mentalmente por mim de “blondie”, loirinho), Nick, Matthew e Tyler.

A partir dali foi uma noite de jazz e conversa fiada. Passeamos de bar em bar, e concordamos que Dubrovnik apesar de incrível, era uma cidade de noite pacata e destino de férias de muitos casais. Sugiro então pub irlandês ao lado do nosso alojamento. Afinal, sabia pela minha experiência com os irlandeses, que o pub não nos decepcionaria. E não decepcionou. Lá, doses cavalares de cerveja, muito bate-papo, e nossas listas de TOP-5 de pessoas com quem transaríamos – e uma pausa enorme para todos rirem da minha atração por Vin Diesel (me julguem!).  Bombas de Jägermeister  (RedBull + Jägermeister), e pronto, finalmente tínhamos uma festa.

Horas mais tarde, o pub irlandês finalmente nos expulsa e seguimos em direção ao alojamento assumindo a nossa derrota. Luke sugere mais uma cerveja que ele tem em seu quarto, mas os outros estão muito cansados e desistem. Permaneço em silêncio tentando não ser sempre a última dos moicanos da noitada. Um cigarro depois, Matthew, Nick e Taylor dizem boa noite, Luke e eu ficamos para mais um. Sentados nas escadas de pedra da Cidade Velha, conversamos sobre o gosto de Luke por drinks tipicamente femininos e seu novo apelido, “blondie”. Ele ri e diz que gosta de como eu sou direta e digo tudo o que eu penso (rio sem graça, já que aquilo nunca tinha me sido dito como um elogio).

Ele então sugere uma última cerveja,  e eu concordo. No meu quarto a cerveja dele brindou a minha pequena garrafa de absinto de Praga. Luke me contou sobre suas lutas greco-romanas, o quanto ele gostava de tocar guitarra, e sua futura carreira como um consultor. Nós mostramos nossas playslists mais tocadas, ele me apresentou sua banda favorita. Todo o tempo eu não pude deixar de sorrir olhando para a luz da lua cheia que entrava pela minha janela e refletia nos belos olhos verdes-azuis dele. Assim como o mar croata. O resto da noite… bem, isso fica entre o Luke, eu e a lua cheia.

Na manhã seguinte, levanto cedo para pegar o ônibus de volta a Split. Arrumo tudo correndo, e percebo pertences que não são meus. Um par de tênis.  “Luke”, penso imediatamente. Mochila nas costas, deixo o par de tênis no corredor em frente a sua porta, com um bilhete de despedidas.

Achei que Cinderela deixava apenas um dos sapatos. Foi um prazer, blondie. Até a próxima. Beijos, Antônia”.

Pé na estrada de novo .

Não quis me despedir pessoalmente do Luke, ainda que tenha o beijado longamente antes de ele ir para o quarto dele na noite anterior. Abri mão do “bom-dia” constrangido, daqueles de quem se divertiu na noite anterior, mas não tem intimidade suficiente para admiti-lo. Preferi guardar o Luke na minha memória, sob a luz da lua e promessas de reencontro. Talvez em outro lugar com um mar tão lindo quanto o de Dubrovnik, para combinar com os seus olhos azul-Adriático.

Peguei o caminho triste da estação de ônibus, triste como nunca em toda a minha viagem. Eu tive que deixar a Croácia, e toda a diversão e belezas  pra trás, rumo ao meu infortúnio destino de voltar para Londres, já que sem meu bilhete de trem, não poderia seguir viagem.

No porto de Split decidi que não faria mal verificar qualquer novidade no escritório que já havia me confirmado por telefone nunca ter encontrado o meu bilhete. Ainda que tivesse sido o último lugar que lembrava de ter pego o maldito bilhete de railtrain. Lá expliquei a menina a minha situação, dei-lhe meus dados e ela logo começou a procura-lo ao redor das mesas e prateleiras, sem sucesso. Batendo a cabeça na parede do escritório, eu estava prestes a dizer a menina para não perder o seu tempo, quando a sorte bateu na minha cara – literalmente. Fixado na mesma parede em que eu batia a cabeça, em frente aos meus olhos, estava o bilhete perdido. Eu não podia acreditar! Agarrei o bilhete e a menina, e rodopiei ambos no ar em euforia.

Com meu bilhete e passaporte na mão, peguei o ferry rumo à Itália. Atravessando o Mar Adriático no deck superior dei adeus à Croácia e seu pôr do sol rosado, agradecendo o país por ter sido tão generoso comigo, enquanto encarei incrédula a beleza do sol se pondo pra mim atrás de suas montanhas pela última vez.

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Bem. Pelo menos até a próxima vez. 😉 Hvala, Croácia. Hvala.


Fim da sessão

ps: A ocorrência em croata está emoldurada e pendurada no meu quarto. Um lembrança do meu talento para o drama e da minha sorte.

Despatriados

A todos vocês que estão tomando coragem de botar o pé na estrada, não me levem a mal, mas vocês estão enfrentando a parte mais fácil do processo. A crise econômica brasileira é quase um trampolim para tupiniquins finalmente tomaram coragem de fazerem as malas, investirem naquele curso de línguas, na pós-graduação ou naquele ano sabático que sempre sonharam. Digo-lhes com certeza, não se assustem! Essa é a parte mais tranquila e promissora. Ok, vai-lhes causar aquele medo/borboletas na barriga por um bom tempo. Você vai se sentir perdido muitas vezes, tentando chegar em casa ou simplesmente aprendendo sobre a intrincada teia que representa o transporte público de países desenvolvidos. Vai dar algumas mancadas até aprender as novas regras do país, e definitivamente vai colecionar gafes até entender em alguma extensão um pouco da nova cultura. Mas vai passar. A evolução é natural, e logo, tudo aquilo que antes lhe era estranho, você vai chamar de lar.

Morar fora, por um curto ou longo período, é como planejar o próprio exílio. Sim, porque você nunca mais será a mesma pessoa depois da experiência. Vai sofrer da maldição de ter o coração sempre dividido em dois (ou mil). Entre cá e lá. Entre ir embora e ficar. Entre permanecer ou mudar. Vai ser sempre amargo e doce. Chegadas e partidas. Reencontros e despedidas. Vai ter que abrir mão dos eventos importantes da família e dos amigos, vai perder aniversários e casamentos, talvez atrasar aquele velho sonho de comprar coisas – carro, apartamento, casa na praia. Ou vai decidir que não precisa de nada disso, e vai seguir investindo em “ver/viver coisas” mais do que “tê-las”. Ou seja, vai ser um eterno confuso, afinal, não dá pra ter tudo fora da zona de conforto. E uma vez morando fora do seu país, você será para toda vida um despatriado.

A pior parte de ser um despatriado, entretanto, não é a partida ou a adaptação ao novo cenário, mas o momento em que você retorna de onde saiu. Entenda, eu sei disso, porque carrego na bolsa até hoje as chaves da minha casa no bairro londrino de Bermondsey e ando com meu Oyester Card dentro do carro, assim, no caso de eu ter que pegar o tube e voltar para a terra do Big Ben por alguma emergência do destino (e já fazem 5 anos que eu regressei ao Brasil – me julguem!). Sou daquelas que tem ciúmes quando alguém me diz vai visitar Londres. Ok, talvez eu seja um caso exagerado de despatriada. E calma lá, isso não quer dizer que eu não gosto do Brasil, não ame estar próximo a minha família, ou que tenha me arrependido de ter ido, ou sequer, de ter voltado. Não é isso. O problema, é que como todo despatriado, eu nunca mais tive certeza de se queria firmar raízes nem cá, e nem lá. A vida se tornou mais volátil, eu mais adaptável, e justamente dada a multiplicidade de possibilidades, o meu coração cigano, ficou no mínimo, atrapalhado.

Quando você volta a morar no seu país de origem, é normal colecionar manias estranhas e por vezes inconvenientes. Você compara a sua terra natal com a terra de escolha em quase tudo, e segura a língua frequentemente na frente dos amigos, toda vez que pensa em dizer “Lá em Londres/Barcelona/Roma/Austrália, não é assim, é assado”, afinal já cansou dos sorrisos amarelos que recebe sempre que solta a pérola. Você tenta, de maneira maluca, adaptar a sua versão de lá de fora no Brasil. Todo mundo acredita que “morar na gringa”, faz da gente pessoas melhores (e na maioria das vezes, faz mesmo –  “é preciso ir embora“). Acontece que é bem comum também ter extrema dificuldade de aplicar todo o nosso bom senso e disciplina aprendido, quando se decide voltar pra casa. A maioria de nós bota a culpa na cultura ou no sistema, e desabafa que “o Brasil não tem jeito mesmo”, enquanto decide não reciclar mais o lixo porque o vizinho não o faz.

Eu sei, é um retorno cheio de expectativas e muitas vezes, com certa dose de frustrações com outros e com a gente mesmo. A maioria dos seus amigos já casou ou se reproduziu enquanto você estava fora, ao passo de que você fica com a sensação de que se tornou um adolescente mochileiro que perdeu o timing, e que pensa em trocar chás de fraldas e de casa nova, por pontos de milhagens de companhia área. Vive com a cabeça no mundo da lua, e arruma qualquer desculpa para planejar a próxima viagem. Despatriado é bem assim mesmo. Fica caçando pessoas na rua que falem o idioma que você aprendeu no exterior, e propõe/impõe conversas sem qualquer acanhamento. Quantas vezes peguei-me interagindo com estranhos pelo simples prazer de ver a minha segunda língua desenferrujada. Pareço um cachorro pidão, que ao invés de pedir comida, implora por verbo to-be e slangs. Eu sinto falta de usar “fucking” nas minhas frases. Adorava ver meu inglês variar entre a polidez do MBA e a bagaceirice do pub.

Sexta-feira passada, acordei com o peito de uma despatriada ainda mais dolorido. A minha segunda casa, a terra que me fez despatriada, deixava a União Europeia. O Reino Unido não parecia mais tão unido, já que se dividiu pela metade na decisão. A Escócia e Irlanda davam sinais de divorcio com a Inglaterra. A ilha mais cosmopolita que eu conheci, agora registrava casos e mais casos de racismo e xenofobia. Senti-me uma filha expulsa de casa. O que é irônico, porque eu como estrangeira, tive minha entrada e saída com tempo determinado – e ainda que eu pudesse ter estendido meu período por lá, foi dentro dos meus termos que eu entrei e sai. Comecei a pensar em todos os despatriados, que fizeram da segunda terra, sua morada para sempre. Aqueles que, ao contrário de mim, não tem mais dúvidas sobre onde querem morar. Pensei nos 2 anos que esse pessoal tem pela frente, vendos britânicos decidirem o destino deles. Se ser um despatriado por escolha própria já é difícil, imagina não ter escolha, como os estrangeiros deslocados ou os refugiados sem pátria?

Hoje de manhã acordei de um sonho lindo. A Rainha Elizabeth me beijava as bochechas enquanto fazíamos selfies em uma das sacadas do Palácio de Kensington. Entendi o sonho como um bom presságio, de que por cima deste referendo, os ingleses irão construir mais pontes do que muros, e vão continuar a ser essa nação misturada e de riqueza cultural incomparável que sempre foram. Espero que o sonho seja o prenuncio de que a “tia Beth” adora estrangeiros, e que não vai deixar seu reino seguir na contramão da globalização. E quero, muito em breve, visitar a Inglaterra e poder olhá-la com o mesmo carinho que sempre tive, e poder falar daquela ilha com o mais alto tom de estima, de quem uma vez foi recebida de braços abertos. E que seja assim em todos os reinos. Mais beijos, e menos divisões.

God save the Queen.


Fim da sessão.


Fim da sessão.

 

O melhor lugar do mundo

Desde pequena eu me mudei muito. De cidade, de casa e eventualmente de país. Depois que eu voltei para as terras tupiniquins, viajei mais um pouco, e essa inquietude sempre me fez pensar onde seria o melhor lugar do mundo para se estar. Londres tinha me ensinado tanto, então eu pensei que poderia ser lá. Mas voltando pro Brasil eu me lembrei do quanto eu gosto daqui. E entre idas e vindas, lugares estranhos e outros mais conhecidos, um lugar comum a todos se destacou. O melhor lugar do mundo é dentro de um abraço, hoje eu sei. Ok, acuse-me de clichê, se você ousar. Mas estou para dizer, sem sombra de dúvidas, que o abraço é um dos poucos lugares que te recebe sempre, você estando bem ou mal, e dele você sempre volta melhor. Lá não te pedem visto de entrada e sempre falam a tua língua. O abraço é, indiscutivelmente, o melhor lugar do mundo.

Talvez a melhor parte do abraço seja que ele tem fronteiras pouco definidas. Onde começa o seu abraço e termina o do outro? É um círculo que costuma não ter limites, uma mistura. Às vezes você acha que entrou nele para sair rapidinho, mas decide ficar um minuto a mais, já que ele é tão seu quanto da outra parte. De quem recebe. Ou de quem dá. Aliás, nesse lugar mágico é difícil também definir quem entregou e quem recebeu. Talvez o abraço viva dentro de uma eterna política de escambo, “aqui tudo é de todo mundo, e só funciona através da troca”. Não é socialismo, porque ninguém pode levar mais do que contribuiu, não é capitalismo porque indivíduo nenhum paga para estar lá, e não é anarquia porque ele tem as suas regras.

As regras na verdade são bem democráticas, mas elas existem. Para começar, só se entra no melhor lugar do mundo se for de peito aberto. E peito aberto, é uma das posições mais vulneráveis de um encontro, então para entrar no abraço deve se ter confiança. Além disso, para adentra-lo, há de se ter intimidade. Até porque o abraço abre portas para aquele espaço lindo e íntimo que é a área entre o pescoço e a orelha. Ali se sente cheiro, calor e os sussurros resolvem qualquer barreira de linguagem. O pedágio para estar ali são juras de amor, desejos de carinho ou eterna gratidão por ter sido bem recebido. Outra regra do abraço é que para entrar nele você deve depositar a sua energia e até uma dose gentil de força. Isso porque o abraço é o lugar do mundo que promove alívio na proporção inversa do aperto. Quanto mais apertado é o abraço, mais alivio se sente.

O abraço é também um lugar bem amplo, além de apertado. E ele não é exclusivo. Você pode entrar no abraço de uma amiga de quem morria de saudades. Ou do seu amor para pedir desculpas. Pode se jogar naquele do seu irmão ou irmã para alegrar o seu dia. Do seu pai para pedir apoio. Ou ainda no da sua mãe quando o bicho realmente pega. Fato é que você sempre sai melhor do que entrou neste lugar. Muita gente pode ser salva visitando o abraço. Na hora da dor ou da raiva, o abraço pode guardar a parte mais pura e positiva de você, para que os sentimentos negativos não tomem conta. É difícil morar no luto ou nos pontapés da vida. Morar no abraço é de boa, é lindo e por vezes, faz o planeta dar uma desacelerada… e girar devagarzinho em torno do melhor lugar do mundo.

Gosto dos abraços despretensiosos de reencontros casuais, que animam a rotina, despertam as borboletas e acalmam a mente. Lembro com carinho de todos os abraços que nunca mais visitei, os de amigos distantes, ou de amores que não estão mais por perto, como aqueles de vó e de vô, sabe? Tem abraços que a gente daria um braço para ter de volta, de tão bem que nos fizeram. E aqueles que a gente ainda quer descobrir. Ou ainda que nem imagina o quanto nos farão suspirar, serenar e até embalar o início de uma dança. Abraços que curam, que não julgam, que protegem. O melhor lugar do mundo é aquele que promove o altruísmo, a humildade, e claro, a aproximação de dois corações. Ou mais, se for um montinho!

O que não dá, é seguir perambulando pelo mundo, correndo por passagens egoístas, fazendo percursos solitários e firmando raízes em destinos ásperos. O meu conselho é: Nunca perca de vista o caminho do abraço. É lá que você mora. E é lá, que se encontra o melhor lugar do mundo.


Fim da sessão.

Jota Quest - Dentro de um Abraço