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Grelo Azul – a sina de um tesão não atendido

Eu juro que fiquei temerosa quando senti pela primeira vez. Segurei o segredo comigo, e jurei que tinha alguma coisa errada lá em baixo. Eu já havia ouvido falar sobre as tais “bolas azuis” ou “roxas”, condição descrita pelos rapazes quando ficavam muito excitados e por algum motivo repreendiam a “descarga elétrica”. Mas eu era uma garota, não tinha pinto, ou tampouco bolas, e por isso fiquei preocupada quando pela primeira vez o tesão me deixou na mão e uma dor latente bateu na porta do meu prazer. Tum-tum-tum ecoou na minha vagina.

A primeira atitude foi procurar um médico, claro. Expliquei a minha condição e a ginecologista deu de ombros. Disse que não havia muita incidência do que eu havia descrito, e depois de me examinar alegou que eu estava saudável, e que não havia nada de errado lá em baixo. Ou dentro. Ou em qualquer área envolvida com a minha libido. Não satisfeita, fui pesquisar a minha conjuntura na internet. Encontrei uma ampla bibliografia sobre a condição masculina – é claro – em que as famosas “bolas azuis” eram descritas por entendidos como o “represamento” do líquido seminal dentro da próstata, das vesículas seminais e também dos testículos.  Nada fazia referência à natureza feminina deste “represamento”. Por dias me peguei pensando se haviam bolas azuis dentro de mim.

Fui mais afundo na minha inquisição – eu não conseguia aceitar a ideia de seguir com aquela inquietação – nas calcinhas e na cabeça. Medicina ou bibliografia nenhuma podia ser fonte mais segura do que os bons e velhos grupos de Whatsapp dazamigas. E foi lá, na intimidade de grupos só de meninas, que para a minha surpresa, eu descobri que não era a única que sofria da condição que batizei de “grelo azul”. A minha pesquisa levou-me de encontro a mulheres de todas as idades – cuja excitação não “atendida”, resultava em uma dor latente que podia ser tanto no interior da barriga (abaixo do umbigo), como também uma pressão, quase uma dormência, sobre os grandes lábios.

Ouvi as vítimas desta aflição temporária de forma atenta e curiosa. Fiquei feliz por encontrar outras que como eu, sofriam da mesma forma com o rala-e-rola interrompido. O meu grelo-azul não estava mais sozinho. E na falta de bibliografia mais científica, eu decidi compor uma ideia mais poética do saudosismo deixado por uma excitação que partiu.

Dor de tesão ou “grelo azul” é a presença da ausência. Ausência das delicias que foram insinuadas pelo restante do corpo, quando abruptamente o prazer mudou de rumo.  É o aquecimento fulminante encerrado por um balde de gelo, quando o corpo não teve oportunidade/tempo de esfriar naturalmente. É a indignação de um clitóris. O estresse de uma periquita. O injuriar de uma pepeca. O lamento de uma lubrificação perdida. O reclamar em alto e em bom tom dos grandes lábios. É o latejar físico da desesperança. A fome insaciada. O desejo agonizando.  A ânsia, a agonia e angústia de ver a chance de um orgasmo dizer adeus, ou pelo menos “até breve”. É o aprisionamento da vontade. E dói. Dói de verdade.

O grelo azul não é lenda urbana. E tão pouco uma invenção das moderninhas. Muito menos uma condição digna apenas das “safadas”. Não importa se a interrupção do tesão foi porque não havia tempo, ou por conta de uma intervenção externa, ou ainda se no caso mais comum, porque faltou estrutura para entrar em campo – o famoso “eu não tenho camisinha”.  Às vezes a dor surge de uma conversa acalorada ao pé do ouvido, um nude sacaninha no celular ou aparece na lembrança de um tesão que mora longe. O grelo azul existe, e sofre junto com a gente.

Durante este pequeno estudo que fiz – sem compromisso com amostragem, e que tem margem de erro de duas pepecas para mais ou para menos – eu me convenci que não existe necessidade de comprovação científica para justificar a nossa inquietação (até porque pouco estudo se dedica ao libido feminino – para muitos o nosso orgasmo ainda é um mito). Entretanto esse represamento de alegria de fato lateja em muitas de nós mulheres, para ser considerado uma condição exclusivamente masculina. Mesmo porque se o tesão é compartilhado, a consequência de sua falta também, não faz sentido? Até o dia – é claro – em que a excitação represa para aventuras mais promissoras. E acha seu rumo nas descargas mais genuínas.

Não tem antídoto mais gostoso para essa dor do que o prazer atendido. E aí minha gente, não tem grelo azul que não fique colorido. Aí é a vida que fica mesmo TUDO AZUL.


Fim da sessão.

Amores de verão

Lembro de amores de verão datando o mesmo tempo que lembro de ir para a praia. Eles acontecem como aquelas tempestades de final de tarde. Você nunca prevê quando e como elas chegam, mas sabem que elas são garantidas na temporada de férias, tal como praia cheia, milho caindo na areia e uma tostada do sol. Amores de verão estão no itinerário da estação e para eles não tem protetor – ardem e deixam marcas.

O meu primeiro amor de verão foi o Marquinhos. A gente tomava sorvete todo início de noite sob a supervisão da irmã mais velha dele. Na verdade, nós dois eramos a desculpa da irmã dele para dar um rolê, pois na maior parte do tempo em que eu tomava sorvete com o Marquinhos, a Carla, irmã mais velha dele, se amassava na praia com um garoto de tatuagem tribal no braço. A Carla voltava para o camping e me entregava para os meus pais, e depois ia para casa com o irmão mais novo dizendo que ele havia se comportado, disfarçando os lábios esfolados de tanto beijar. Eu adorava o Marquinhos e o sorvete. Mas não via a hora de queimar na mesma febre da Carla – os amores fervorosos da estação mais quente.

Todo verão, não importava a minha idade, eu me despedia de um amor de verão com juras de comprometimento eterno – de resguardar-me o ano todo. Prometia escrever e visitar. Poucos destes romances resistiam as águas de março. Ao longo dos meus amores de verão, eu fui aprendendo que eles não subiam a serra – não por uma questão de regra, mas muito mais por uma tendência. Era como se alguns calafrios pertencessem somente aquele período que a gente tira para curtir a vida. Alguns abraços só surgissem acima das dunas, e alguns beijos necessitassem da água do mar. Mas sua curta duração era proporcional a sua intensidade.

Tenho fraco por amores de verão, da mesma forma que tenho fraco pela vida que se leva na praia. Talvez porque as coisas sejam mais simples, e as decisões não tenham tantas ponderações. Tudo pode começar com um “fica comigo essa noite” ou “vamos ficar juntinhos” sem que isso soe como uma proposta indecente ou o primeiro passo para um relacionamento complicado. “Fica comigo” às vezes pode durar uma temporada. Ou tem a duração de um sol nascendo. O tempo não faz a regra aqui.

E para alguém que é um furacão como eu, que faz tudo demais, pensa demais, fala demais, analisa demais, é alívio encontrar situações que me fazem parar e esquecer do tempo. Encontrar pessoas que anulem o resto das mais de 7 bilhões de pessoas na Terra e alguns marcianos, nem que seja por alguns instantes. E os amores de verão são assim. São únicos, intensos e marcantes.

Penso que a culpa pode ser do mar. Uma influência do ambiente. Não tem nada que me desconserte mais que um banho de mar acompanhada. Não sei se é falta de roupa entre os corpos, ou se o cheiro do sal misturado com o suor. Me convidar para um banho de mar tem o mesmo frisson de um primeiro beijo. Uma adrenalina a cada onda. Acho que Iemanjá gosta de ver corpos entrelaçados, e por isso promove uma gostosa hidromassagem com o ritmo das marés para os casais recém-formados. Eu faço uma prece sincera por cada beijo salgado que já ganhei, dei ou roubei.

As vezes me pego pensando que a culpa também pode ser da areia. Um abraço a milanesa me parece ter o mesmo apelo que um bife da mesma modalidade – é uma camada a mais de gostosura. Dica: peça alguém para massagear seu pé sujo de areia –  a mão carinhosa unindo forças a milhares de grãos em uma esfoliação natural. Você vê estrelas mesmo com o sol a pico, eu prometo. E por falar em sol, não quero nem começar a falar sobre a minha percepção em relação a passar o protetor solar em curvas recém-descobertas. Pescoço, costas, aquela linha da cintura que termina no caminho da virilha, bermuda a dentro. Pedro Bial não ama tanto o filtro solar como eu, garanto.

Mas talvez o que mais me seduz nos amores de verão é a celebração da alegria do outro. Eu sou suspeita já que para mim não existe nada mais sedutor em alguém do que a sua felicidade. E férias promovem uma mudança no nosso status quo. Verão proporciona essa alegria, e assim as pessoas ficam mais bonitas, mais saborosas. Pessoas alegres são mais atraentes, não tem discussão.

Amores de verão são como aquele picolé do melhor sabor que congela o nosso cérebro, porque o tomamos muito rápido sabendo que ele pode derreter e se esvair.

Ora, mas pode ser que eu ainda esteja sob efeito do amor de verão ao ponto de super valorizá-lo. Eu ainda tenho os lábios esfolados de beijos na praia (a irmã do Marquinhos manjava dos paranauês), e a cabeça girando de tantas batidas que dei nas estrelas do céu na carona de um foguete chamado “preliminares de horário de verão” – que entregam sempre uma hora a mais. Quem sabe esse tipo de amor só exista mesmo na minha cabeça, que é apaixonada pela primeira estação do ano e tudo que ela traz.

Ou não, ou de fato estes amores sejam mesmo um fenômeno de verão, que vão e volta com as marés, mudam com o vento, ou chegam de repente como as tempestades tropicais. E se assim for, meu único desejo é deixar molhar mesmo. No mar, na chuva, ou no calor incomparável dos amores de verão.

Fim da sessão.

Papa-Gringo

“Garota, você ia pirar na Vila Olímpica”.

Essa foi a mensagem de uma amiga direto do Rio. No meio de um grupo de whatsapp de 17 mulheres, foi para mim direcionado o foco dos romances intercontinentais.  “Papa-gringo”, algumas amigas  me chamam tirando sarro, devido ao meu interesse pelos espécimes que vem de fora. Não que ele seja exclusivo para os artigos importados. Eu amo o produto nacional. O que me faz colecionar bandeiras é primordialmente o meu tesão por falar inglês… o resto, bem, o resto é consequência.

O meu primeiro flerte cross-ocean foi um australiano. O pai dele tinha um parque para o cuidado e procriação de tubarões, e foi aí que ele me ganhou. Na minha cabeça jovial ele era selvagem e exótico como eu nunca tinha visto nada na vida. Isso claro, e o cabelo louro-dourado, olhos cor de mar, e físico de quem surfa desde que aprendeu a andar. Ele passava as férias na Praia do Rosa, enquanto eu passava os minutos planejando a nossa casa em Fresh Water, de frente pro mar. O romance durou 2 dias, mas perdurou por anos no meu imaginário.

O primeiro relacionamento intercontinental sério que tive foi com um tailandês de família chinesa. Eu morava em Londres há poucos meses, e tropecei nos olhos puxadinhos do Brett sem pensar duas vezes. Ainda que o namoro tivesse engatado rápido, o sexo era outra história. Depois de diversos amassos entre a gente, e nada dele tomar a iniciativa, eu perguntei se ele tinha algum impasse comigo. “Respeito”, ele disse. E me lembro de ter ficado em choque. Enquanto eu estava ouriçada como um animal no cio, o meu namorado estava puramente respeitando o meu tempo. Óbvio que “o meu tempo” levou só até o fim daquela conversa. Mas aí eu não culpo a minha brasilidade por isso.

Nesta mistura de culturas entre Brasil e Ásia, alguns pontos me chamaram a atenção. O fato de o meu namorado ter um irmão gêmeo, (e sendo isso na Ásia uma benção divina), fez com que os rapazes tivessem sido criados sempre juntos, e por isso nunca se desgrudavam (tipo, NUNCA). Por vezes eu tive a sensação bizarra de que estava num relacionamento com os dois. Outra situação inusitada foi em nossa viagem a Tailândia, em que fomos notícia em um site de fofocas – porque 1) o Brett, que tinha sido VJ na MTV por anos, estava de volta a Bangkok depois de muito tempo, e 2) porque ele trazia uma namorada “fora de padrão”, segundo o que contava o site.  Óbvio que minhas curvas não cabiam dentro da expectativa tailandesa, só não imaginava iriam torna-se notícia.

Mas as estranhezas não pararam ali. Ainda que o Brett e eu estivéssemos namorando há mais de um ano, na casa da minha sogra, tivemos que dormir em quartos separados. E claro, a mais bizarra experiência desta viagem, é que eu não pude participar de um almoço da família do Brett, em virtude do avô dele, o patrocinador de seus estudos em Londres e patriarca extremamente conservador, sentir-se-ia ofendido com a minha presença. Afinal, o Brett estava em Londres para estudar, e não para arrumar uma namorada brasileira. (Soube que este ano o velho teve que engolir a esposa Venezuelana com quem o Brett casou-se numa ilha tailandesa).  O Brett e eu terminamos numa boa, ainda que ele nunca mais tenha falado comigo, ou respondido minhas mensagens de despedida ou parabenização pelo casamento. Ele tinha promovido o mesmo isolamento com outra ex- namorada enquanto namorávamos, e entendi que aquele era o comportamento padrão de término dele (ou da cultura dele).

Tempos depois do Brett, acabei conhecendo um britânico e ele me chamou para sair. Durante a nossa conversa sobre diferenças culturais, o inglês comentou como nós brasileiros gostávamos de tocar nas pessoas enquanto falávamos. Propus então um desafio, que nós contássemos quantas vezes eu encostaria nele, e quantas vezes ele encostaria em mim durante o nosso “date”. 2 horas e muitos drinks se passaram e eu encostei 78 vezes nele. Ele? Duas. Uma na chegada, e outra na despedida. E juro que desde então, controlo sempre as minhas mãos quando conheço alguém – brasileiro ou não.

E assim eu segui, entre trancos e barrancos, me relacionando com bandeiras globais, sem muita comoção, até o meu primeiro e grande amor platônico por um galês. Bem, basta dizer que por ele, eu aprendi a falar “bom dia, boa tarde e boa noite” no idioma do País de Gales, que é campeão internacional de uso de consoantes impronunciáveis.

Durante os meus 2 meses de mochila nas costas pela Europa, um flerte aqui, e um lance ali, fui aprendendo e aproveitando a solteirice em outras línguas. Por conta destas aventuras, comecei a ponderar alguns comportamentos, e registrar todos as minhas efemérides em outro blog que guardei a sete chaves. Visito o blog até hoje sempre me dá saudade dos amores que deixei em cada porto, como a marinheira que sempre sonhei ser. Colecionando bandeiras e suspiros, com o tesão de quem descobre o mundo também na saliva e carinho do outro.

De volta ao Brasil, lembro com saudade da Copa do Mundo, aliás, a “copa da pegação” como a apelidaram aqui nos confins do Brasil. Recordo que escrevi o meu primeiro texto viral, muito antes de ter o Antônia no Divã, falando sobre as delícias de ter o mundo no nosso quintal. Ora, é claro que a minha amiga ia lembrar-se de mim na Vila Olímpica.

Recentemente, coletei minha primeira bandeira germânica, aqui, na minha própria cidade, e confesso que me vi atrapalhada. Eu, brasileira explosiva, passional até o último fio de cabelo, num romance temporário intercontinental de chacoalhar a minha desordem.

O alemão tinha pouco ou nenhum interesse pelos meus faniquitos – o que para uma aquariana egocêntrica é o mais azedos dos remédios. Corrigia-me sem nenhum constrangimento. Prestava atenção em tudo que eu falava (e eu falo pra car@$#*) como quem observa um experimento acontecer, e toma notas mentais. Ligava no final de cada dia para contar do trabalho e fazer planos. E ao fim de de duas semanas, ele já sabia o que cada uma das minhas expressões queria dizer, ainda que me forçasse a falar toda vez que eu fazia beiço – “eu posso até entender inglês, ou mesmo aprender português, Antônia, mas ainda não leio a sua mente. Melhor falar o que está te aborrecendo”. Como fazer drama com alguém que veio do país que praticamente inventou a engenharia de precisão?

Que saudade que eu estava deste choque de culturas.

Dentre amores e desamores, alguns aprendizados ficaram com este meu coração viajante: 1) Eu gosto de romances intercontinentais pela riqueza da troca cultural. É isso que me seduz. Então “Papa-gringo” ou não, eu já assumi que eu amo conhecer o mundo com todas as suas ferramentas. 2) Ainda que fã dos romances intercontinentais, eu não fui feita para relacionamentos à distância. E por último, mas não menos importante: 3) Mesmo que tudo comece pela vontade de falar inglês… gozar é sempre em português. O meu orgasmo não tem tradução. 🙂


Fim da sessão.

Session end.

Pen y sesiwn.

Sitzungsende.

ปลายเซสชั่น

7 segundos

Eu tenho uma obsessão por momentos que desafiam as métricas do relógio. Sabe, aqueles instantes cujas emoções são tão intensas, as expectativas tão palpáveis, que o tempo parece desacelerar? Eu vivo por momentos assim. Guardo-os todos em caixinhas estofadas do meu coração, como recordações das mais queridas. Adoro quando as borboletas na minha barriga alçam voo e me fazem levitar por alguns segundos nesses recortes da vida real. Eu corro o tempo todo, mas em raros momentos da vida, eu tomo o meu tempo vendo ele se arrastar, deliciosamente. Dentre os meus preferidos… aqueles preciosos 7 segundos antes de beijar alguém pela primeira vez.

A principio 7 segundos não parecem nada. Presumo que nada de relevante possa ser efetivado em tão pouco tempo. Mas aqueles 7 segundos efervescentes entre uma boca e outra, esses sim, podem ter a magnitude de 7 horas, 7 dias. É neste pequeno intervalo de tempo que o rosto chega tão perto de outro rosto, que é possível sentir o cheiro da pessoa pela primeira vez. E aqui não estou falando sobre perfume, desodorante, ou pós-barba. É o cheio do beijo da pessoa. Uma mistura que pode variar um bocado, entre um chiclete furtivamente adicionado, prevendo o encontro dos hálitos. Ou o gosto de cerveja, de vinho, de café, de chocolate, o gosto de alguém. É a química do beijo sem beijar. Um perfume quente e intenso que vem da boca, e aquece o momento antes mesmo dele começar.

Durante estes rápidos e longínquos movimentos dos ponteiros, é quando acontece o posicionamento das mãos, prevendo a moldura do beijo. Moldura que normalmente é feita através de um abraço, um entrelaço. É claro que essa dança começa muito antes dos 7 segundos, com toques suaves aqui e ali, sorrisos convidativos, um caminho a ser sutilmente tateado.  Uma mão nas costas, ou na cintura. Talvez um joelho tímido encostado no outro, testando a permissão, aproximação, o aconchego. Não gosto do “chegar-chegando” de supetão. Gosto de toques que pouco a pouco se constroem, se permitem, se enroscam. Adoro lugares com música alta que possibilitam cochichos no ouvido, completamente justificáveis. Musica alta é a desculpa perfeita para chegar mais perto da orelha, aquela que fica tão perto do pescoço. E o pescoço é um ótimo lugar para iniciar a jornada dos 7 segundos.

Nesta fração de tempo, os olhares ficam perdidos, entre boca e outro par de olhos. É tempo suficiente para não ser uma intimada, mas longo o bastante para confirmar o interesse. Gosto quando os olhos avisam gentilmente que o melhor está por vir. Carregados de excitação pela novidade, e a confiança de que beijo na boca tende a ser sempre bom. Eu adoro olhares pré-primeiro beijo. São confusos, e atrapalhados, mas ao mesmo tempo seguros do objetivo comum. Gosto do leve ar de embriagados que estes olhos têm, de quem está louco para matar a sede no outro. Piscadelas, olhares 43, cílios tocando no famoso “beijo de borboleta”. São as janelas da alma gritando “vai acontecer” ou pedindo “chega mais perto”. A respiração acelera, o coração sapateia.

Esses 7 segundos são o mais puro estado de graça. Talvez porque ali as expectativas estejam intimamente ligadas com o presente. Neste pedacinho de tempo, ninguém está preocupado com os beijos do passado que acabaram em corações partidos, ou tão pouco se o beijo em questão será a última boca a ser beijada antes do “felizes para sempre”. Não. 7 segundos antes de um beijo é o mais próximo de estar presente em um momento. É quase um execício de meditação, de inspiração e expiração, antes de chegar a nirvana, aquele estado transcendente onde você é liberado de todos os efeitos do karma e  do senso de si…

7,

6,

5,

4,

3,

2,

1.

E o melhor está por vir. Fim da contagem. Fim da espera. Fim da expectativa.

Fim da sessão


Ps: Hoje a sessão foi curtinha. Porque alguns momentos da vida não precisam de muito para se eternizarem.

Os 3 caras que me fizeram broxar | Coisa de Antônia

O Gildo, o Frota e o Caio são os caras que me fizeram broxar. Quer saber o que eles fizeram de errado? Pula lá no ATL Girls da Rede Atlântida, clicando na imagem abaixo:

Os 3 caras que me fizeram broxar

Socorro, eu não tenho um namorado! | Coisa de Antônia

Ontem foi dia de Coisa de Antônia no ATL Girls da Rede Atlântida, e a gente tratou do drama de não ter um namorado neste dia 12 de junho e todos os outros dias.

Convoco você leitor, a entender a pior parte de não ter um namorado, clicando na imagem abaixo. Aliás, convoco você, e aquela tia chata que vive perguntando “dos namoradinhos”.

Untitled design (51)

O que eu quero

Depois de um tempo lidando com o passado das nossas relações, é impossível não colecionar uma lista daquilo que a gente quer evitar no futuro. E a tendência é começarmos a ficar com a casca mais grossa e um pouco mais intolerante com os desconfortos naturais causados por novos pretendentes. O que eu não quero já está super claro para mim, e considero esta lista importante porque representa um compromisso com os aprendizados do passado. É o cinto de segurança na estrada no amor. Entretanto, mais do que segurança, a gente precisa saber pra onde quer ir. A equação é mais ou menos assim: “o que eu quero” X “o que eu não quero” /dividido pela expectativa igual= caia na real. Ou seja, não é uma matemática exata, mas ajuda a balizar prioridades e concessões, sem perder o rumo da jornada.

“O que eu quero?”

Eu quero alguém que minta bem. Sério, eu tenho uma pá de romances nas costas e já tendo a certeza de que todo mundo mente, eu só queria encontrar alguém que me faça o favor de mentir bem. Se a verdade for amarga ou irrelevante, quero uma pessoa que se comprometa com uma história bem contada, para a sanidade dos personagens. Parece pessimismo, mas é de fato realismo e elemento de sobrevivência de uma relação. Se a verdade não vai ser produtiva, ok, eu consigo conviver com a mentira bem contada. Claro, tendo em mente que as intenções devem ser sempre as melhores para ambos.

Quero alguém com vida própria. Inclusive que esta vida seja composta de algumas programações que não me incluam, por favor. Quero um vivente que valorize os espaços e os momentos de saudade. E que me ajude a perceber quando eu estiver grudando, como a boa intensa que sou. Que me lembre de que sentir falta é saudável, e estar sozinho é igualmente importante para as partes. Quero alguém que me lembre de que eu preciso fazer concessões na minha agenda, mesmo que para programações pouco estimulantes, como a festa da firma ou o campeonato de futebol de várzea. E eu não sou muito boa nisso, já aviso. Mas eu adoro aprender.

Eu sonho com alguém que entenda a diferença entre um chilique e uma crise. Aliás, quero alguém que me ajude a diferenciar os dois, pois meu lado dramático tende a me confundir. Quero alguém que faça meia-culpa e que não tenha medo de pedir desculpas. Eu também quero alguém que não entre em pânico quando eu chorar, pois vai entender que a vida às vezes transborda. Alguém que saiba levar uma piada, e fazer outra.

Quero alguém que não vá se importar de escutar os hits dos anos 90 comigo e “Ode To My Family” do The Cranberries no repeat. Alguém que mexa no meu cabelo, e não repare nos fios brancos. Espero muito poder encontrar alguém que goste de praia e de boteco – ou aquela pessoa que vai me apresentar algo mais viciante que essas duas programações. E que não se importe com as minhas calcinhas largas que eu adoro usar para dormir (nem todo amor deveria sobreviver de fio-dental). Prometo tolerância com as zorbas amarelas (porque nem todo amor deveria sobreviver de boxes Calvin-Klein).

Quero alguém que eu não possa resistir, por maior que seja a minha birra. Que eu admire muito mais pelas ações do que pela eloquência.

Uma pessoa que seja gentil com garçons, com motoristas irritados e com a minha mãe. Alguém que não abra mão da serenidade com facilidade. Alguém que se adore, apesar de seus defeitos. E que ache os meus charmosos e administráveis. Que goste das pintas do meu corpo e que me convença que eu não sou nariguda (ou gorda, ou louca, dependendo da neura do momento – mulheres…).

Alguém com quem eu adore conversar. Afinal, quando a gente ficar velhinhos, talvez seja a única coisa importante. Uma pessoa com quem eu consiga discutir, discordar, sem nunca perder o respeito, ou levantar a voz. Eu odeio quando levantam a voz, ou pior, odeio quando me vejo fazendo o mesmo. Quero amar alguém com quem eu consiga ficar confortável em silêncio, superando a minha tagarelice nervosa. Que cale meus argumentos com um sorriso. Alguém que seja o meu “oi” preferido e meu “tchau” mais difícil.

Quero muito alguém que aceite quando eu convido para dançar, mesmo se a pista estiver vazia. Ou que não pensa duas vezes em topar um eventual skinny-dipping. Um indivíduo que não leve a vida tão a sério e saiba valorizar o que de fato é fundamental nela. Alguém que me faça mudar de ideia esteja eu contrariada, desencorajada ou teimosa. E que mudar de ideia não seja o mesmo que mudar o sentimento. Alguém com quem eu troque e me ajude a ser melhor e vice-versa. E que me coloque no meu lugar – que não é acima, nem abaixo, nem à frente, nem atrás. Mas ao lado. Lado a lado nesta estrada linda que é o amor.

O que eu quero? Quero alguém que me faça agradecer por nunca ter dado certo antes. E a lutar com unhas e dentes para não precisar dar certo com mais ninguém.


Fim da sessão.

O verão é dos solteiros

Desculpem-me os casados. Vocês tem o inverno todinho pra vocês, com viagens delícia para a serra, cobertores de orelha e alguém para esquentar seus pés. Longas horas embaixo das cobertas deflorando o Netflix ou seus próprios corpos – pouco importa o frio que faz lá fora quando o calor está garantido. Enquanto nós, solteiros, padecemos na estação mais fria, com ruas vazias, bolsas de água quente, rezando por um raio de sol que irá nos convidar para passear. Desculpem mesmo, casais, o verão pode até ser bom pra vocês, mas tenho certeza ele é muito mais gentil com os solteiros (comparado aos ventos gelados e nefastos de julho).

Calma, não estou reivindicando que a estação pertença somente aos avulsos – mas a tendência é que o calor destes três meses favoreça a nossa autoestima e interação. Verão tem um quê de libertino, confessa. Uma excitação que emana da pele bronzeada. Uma vontade enlouquecida de beijar na boca. Melll Dells como é bom beijar na boca o ano todo, mas no verão… é sede matada na saliva. É nuca suada. Tudo contribui. A energia positiva das férias, nosso lado aventureiro no último volume e o desejo por novas experiências. Não me considero uma solteira convicta, mas bem mais convencida quando os termômetros aumentam.

Tudo isso porque não há coração que não se aqueça com o sol de verão brilhando lá fora – mesmo que você seja um grande fã do ar condicionado. Tem como fica alheio aos bares e praias lotadas de gente querendo ver gente? Nesse período do ano facilmente toleramos perrengues como engarrafamento, falta de água, asfalto digno de fritar ovo, aedes aegypti e sungas brancas, tudo em prol de se jogar na estação mais sexy. Você faria o mesmo durante as chuvas frias de inverno? Não, no verão cada esforço é uma delicia e costuma ser recompensado.

Adoro que no verão todo fim de tarde tem cara de happy hour, e cada momento longe do trabalho tem peso de diversão obrigatória. O sol nasce mais cedo, empurrando a gente pra fora da cama, sem deixar margem pra preguiça, e se estica até a presença da lua. Por vezes nesta estação, é possível ver os dois juntos, sol e lua flertando no céu (até eles!), misturando dia e noite, numa vontade de viver o melhor de cada minuto – sensação essa, ainda mais urgente para os solteiros. A lua que chega de mansinho, nesta época do ano é contemplada na maioria das vezes perto da água, no mar, rio, lagoa, com seu manto prateado, brilhando toda exibida, tornando o crepúsculo muito mais sensual. Ela que vem anunciar que se o dia foi quente, a noite de verão pode ser ainda mais promissora.

Amo que no verão, a indumentária é relaxada, e a etiqueta sabe ser menos restrita.  A pista de dança aceita o shortinho, o luau não julga o cabelo sujo da praia e as havaianas estão mais em alta do que o salto alto. Marquinha de biquíni tem mais estima que high couture. E para os gatos não é diferente: tênis, bermudas e regatas tem o apelo mais lascivo que um terno engomadinho (repudio qualquer dress code obrigatório no calor). A tendência no verão parece ser o conforto, e menos é mais (graças à Nossa Senhora das Coxas Grossas). Acredito que a gente se apresenta da forma mais sincera, sem pretensão de agradar ninguém – além do próprio ímpeto de curtir a temporada.

Adoro a energia atlética envolvendo o verão. Sedentários do ano todo assumem desafios no futebol de areia, no slackline do parque ou na simples caminhada do final de tarde. E sem falar nos surfistas. Jesus coroado abençoe os surfistas! Com suas pranchas frenéticas pra cima e pra baixo, a procura da onda perfeita – apenas para dar de cara com a velha frustração de todo verão, quando quase sempre o mar é flat, e se não é, tá crowdeado. Mas isso também não é problema, no verão dos solteiros. Tem sempre uma pá de gatas na areia, prontas para oferecer um ombro “amigo” àqueles corpos salgados (me escolhe!). Verão é uma delicia porque vem temperado com suor e por Iemanjá. Endorfina, feromônio – haja coração pra tanta química.

Verão tem churrasco onde os amigos dele se juntam com as suas amigas, e pode até faltar carvão, mas nunca o sexy appeal. Na piscina sempre cabe mais um corpo nu. Tem trilha (e amasso) no meio do mato. Tem música pra fazer o almoço, janta, chalaça e amor. Banheiros são divididos por grandes turmas e camas são por vezes compartilhadas ou trocadas, tudo promovendo o intercâmbio – de momentos, de risadas, de fluídos (com exceção daqueles controlados pela camisinha! Toquinha nele!). Verão é uma bagunça harmoniosa. A gente se permite escalar as pedras da virtude, descobrir novos caminhos e reinventar as relações. A estação vira uma aventura.

E de novo, aqui não estou alegando que os casados não gozam de prazeres similares, ou que o período é apenas digno dos desempregados do coração. Não é isso. É que o verão sabe tratar bem quem ainda não achou sua cara metade. Ele oferece uma estação inteira de possibilidades a 40ºC. A gente pode até se queimar – mas não abre mão do calor que ele promove dentro de um coração solteiro.

“Vem chegando o verão, o calor no coração. Essa magia colorida, são coisas da vida” – Marina já disse.


 

Fim da sessão

Coisa de Antônia: A dona do pedaço

“Baratas, faxina, mobília, aluguel. Ora, mas por que diabos a gente sai de casa então?”

Vem comigo no ATL Girls da Rede Atlântida, que o Coisa de Antônia de hoje fala sobre as delícias e perrengues de ser a dona do pedaço! Te joga pro meu canto lá, clicando na imagem:

Coisa de Antônia (1)

 

Coisa de Antônia: A gente namora, mas você não sabe

No ATL Girls da Rede Atlântida o Coisa de Antônia (de Maria, de Carolina, de Tatiana, Larissa, Gabriela…) desta semana trata da habilidade feminina de criar romances… ainda que sozinha.

E você, já imaginou um amor todo seu? Pula pra lá, sua desvairadinha, e conta pra nós:

A gente namora, mas você não sabe