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Reticências…

Se você como eu, é do sexo feminino, solteira e tem quase 30, vai me entender.

Olá. Meu nome é Antônia, eu tenho quase 30 e ainda não casei. “Olá Antônia!!” – imagino outras solteiras respondendo em uníssono como em um grupo de apoio.

O que acontece é que ultimamente qualquer eventual encontro com conhecidos tem se resumido as mesmas inquisições e AQUELA sentença:

“Com quantos anos tu JÁ tá?” E AINDA não casou? Olha, se não casou até os 30 …”

Reticências …

Eu ganho reticências. Um PONTO FINAL pra cada dezena – sendo que a última eu nem completei! Ok.

Visando ajudar estas pessoas (afinal são elas que precisam de ajuda), resolvi disponibilizar algumas opções para a substituição das reticências.

“Olha, se não casou até os 30 …”

(  ) você vai casar depois dos 30.
(  ) você ainda tem muito tempo pra se preocupar com isso.
(  ) você devia estar ocupada até agora “não casando”, certo?
(  ) você está avaliando as suas opções – de vida, não apenas de marido.
(  ) você não casou com um tosco que acha que existe idade pra casar.
(  ) você ainda pode casar com Príncipe Harry e ter filhos ruivos.
(  ) você se formou, pós-graduou, viajou, na correria, #tudojunto&misturado.
(  ) você ainda tem aquele caderninho preto.
(  ) você devia conhecer meu primo, ele é um baita cara!
(  ) você evitou de divorciar-se aos 40.
(  ) você tem um amigo especial pra chamar de seu.
(  ) você tem um plano daquele último réveillon só com as amigas.
(  ) você chama a 4ª feira de “Dia do Sofá”, e não do futebol.
(  ) você acredita em príncipe do cavalo branco. Ferrari branca? Bicicleta branca?
(  ) você gosta de namorar / ficar/ reticências (aqui vale!).
(  ) você deve adorar ter um banheiro só seu.
(  ) você tá ralando pelo primeiro R$ 1 milhão, acertei?
(  ) você não se preocupa com famoso “chopp com os amigos” né?
(  ) você se depila quando quer.
(  ) você pode escrever a continuação de “Comer, Rezar e Amar”.
(  ) você sabia que Ryan Gosling tá solteiro?
(  ) você ainda terá a maravilhosa experiência encontrar o amor da vida;
(  ) todas as opções acima. Na dúvida, a primeira já atende.

Fim da sessão.

Eu quero colo

Peguei-me pensando hoje, como em mais vezes do que gosto de admitir, que queria chegar em casa e aterrissar em pouso único no colo de alguém. Sem escalas. Alguém que eu amo. Podia ser a minha mãe, podia ser meu irmão, podia ser aquele “não-tão-mais-estranho” para quem eu abri minha casa e chamei de amor. Juro. Entraria pela porta da frente, daria um back flip twist carpado atravessando a sala, e terminaria este dia – que teve mais horas do que gostaria – no colo de alguém. E lá, naquele colo, faria manha sobre a enxaqueca que me assombra há quatro dias (três deles num final de semana!), prometeria que lavaria a louça num segundo, e faria juras de pés juntos que iria parar um tempo, da minha vida ocupada somente com os outros, para planejar aquele sonho que há meses me espera guardado na gaveta.

Tem dias que é assim. A gente não se basta. Muito embora meu pai ache que sou independente desde o tempo que não tinha dente. Muito embora a ideia contrarie aquele ex-namorado que me julgou um tanto quanto autossuficiente. Muito embora isso vá na contramão daquele amigo que jura que eu sou feminista/mulher-moderna/mulher-chata. Muito embora eu tenha ido embora muitas vezes. Não. Lamento desapontá-los. Eu preciso de colo.

Eu sei, eu sei, isso não é fraqueza/luxo/desejo/necessidade que só eu alimento. A gente nasceu e foi direto pro colo, nada mais justo precisarmos quase que a vida toda de colo de pai, mãe, marido, esposa, namorado(a), amigo(a), amante, padre, terapeuta ou garçom. A fase que eu estou, entretanto, é curiosa. Eu sou adulta, moro sozinha, sou solteira, e sofro da síndrome do “desculpa, não queria atrapalhar”. Ou seja, tem situações que não dá pra pedir colo mesmo. Ok, eu já pedi pro meu irmão me trazer uma sopa no meio de uma febre, mas também já chorei sozinha na Unimed porque achei que era muito tarde pra ligar pra minha mãe. Eu não chorei porque tava com febre. Mas sim, porque tava sem a minha mãe. Acontece.

Fato é que nesta fase curiosa a gente é obrigada a aprender a se dar colo. Vejo isso lá em casa, e nos whatsapps pelo mundo. Entre as pérolas estão as minhas crises de abraços no sofá, discussões sobre o cronograma da louça comigo mesma, ou até carícias na própria cabeça ao sair do trabalho à 01h10 dizendo “ora, ora…”. Essa habilidade, confesso, me parece feita de argila. Um dia pode até ser pedra, escultura, arte, mas até lá você tem que ir moldando, a afagos, lágrimas, uma porrada aqui e outra acolá. E por mais duro que seja, creio que não pegaria atalho algum. É reconfortante a ideia de achar porto seguro em si mesmo. Até aquele dia que tudo muda…

E até lá… bom até lá, eu vou treinando. Nem que seja o meu back flip twist carpado.

Fim da sessão.