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Comece antes de estar pronto

Meu trabalho e profissão viraram do avesso desde que eu decidi sair de um emprego fixo, com uma cadeira só minha e um cartão de visitas com o meu nome. Eu não tenho mais horário, rotina, e meu escritório é uma mochila nas minhas costas. A única coisa fixa nesta minha nova realidade é a mudança. Trabalho hoje com três empresas diferentes, diversos clientes, inúmeros formatos. Recebo inputs diários, consultas constantes, a minha pauta muda com as horas do dia, e humor da semana. Para alguém que sempre trabalhou com planejamento, esse novo formato é o próprio inferno. Acrescente a isso, uma fraqueza em cobrar ou precificar esforços. E como cereja do bolo, aquela velha ideia de que eu ainda não estou pronta para os desafios que me propõe. E quer saber da verdade, eu não estou mesmo.

“Eu não estou pronto!”

Aprendizado é um processo dolorido, que pode até envolver algum nível de preparo e planejamento, mas ele funciona mesmo é na prática. Eu já aprendi que erros são balizadores do sucesso. Não dá pra aprender a andar de bicicleta lendo livros, vendo vídeos no YouTube ou fazendo design thinking do projeto. Você até pode se preparar para pegar no guidom, mas só vai entender o relacionamento entre velocidade e equilíbrio, através do movimento. É o movimento que calibra a expectativa e a execução. Não tem outra forma. Ok, vão haver alguns joelhos ralados no processo, mas eles só existem porque houve tentativa. Sem tentativa, não existem nem os joelhos ralados, só uma ideia de andar de bicicleta. E ideias não chegam a lugar nenhum sem algumas pedaladas.

“Eu não estou pronto!”

Nunca antes estive tão insegura. Talvez por isso eu celebre herpes nervosas na boca toda semana e uma atividade estomacal digna de montanha russa (oversharing alert!). Às vezes, eu pego emprestada a convicção que as pessoas têm em mim para seguir funcionando. “Tenho um projeto que é a sua cara, fica tranquila, você vai tirar de letra” – ora, se alguém acredita em mim, como eu posso não acreditar? E desta forma eu uso agentes de mudanças que já deram os seus primeiros passos, como trampolim da minha transformação. Se eu não sei precificar meu trabalho, eu busco aqueles que não têm nenhuma dificuldade de cobrar até por seus espirros. Se eu não gosto de vender, eu me associo a quem venda até a mãe (metaforicamente, por favor). Eu busco referência naquilo que ACHO que não sei, ainda que por vezes me dê conta que eu faria melhor que as minhas referências.

Por quê?

“Eu não estou pronto!”

Verdade é que desde que toda essa nova rotina começou, eu nunca – NUNCA – senti que estava pronta. Nem todos os meus cursos, as horas de especialização e meu MBA em outra língua retira de mim a angústia causada pela ausência da plenitude. A ansiedade envolvida na sensação de achar-se crua, verde, imatura. E depois de 10 anos de análise nas costas, arrisco-me agora a dizer que esse estado de “prontidão” não existe. A maioria de nós segue correndo atrás do coelho branco dono do relógio, tentando entender a nós mesmos, até cairmos no buraco negro – do descobrimento e das maravilhas. Esse corre-corre tem sempre a mesma origem:

 “Eu não estou pronto!”

E não vamos longe. Tudo no meu discurso é muito lindo, muito alerta, mas a prática segue meio bamba. Veja, eu consigo operar para os outros ainda que de forma insegura. Mas quando se trata de um projeto meu, e só meu, pronto! Estou eu paralisada novamente olhando a bicicleta no chão. Imaginando cenários, minimizando obstáculos, tentando prever alta performance dentro da minha cabeça. A bicicleta tá lá, só me esperando. Inúmeras oportunidades de passeio perdidas porque estou esperando que o relógio apite o momento da minha maturação. Como se aprendizado fosse recompensado pela intenção, ao invés da ação.

“Eu não estou pronto!”

Esse ano eu decidi investir no meu projeto autoral, sabendo que não estou pronta, e que nunca vou estar. Vou dar essa banda de bicicleta, prevendo joelheiras, e sabendo que eu posso ralar até a testa, afinal, planejamento nenhum prevê como o mundo vai tratar seus sonhos. Então vou lá ver o que vai dar. Eu vou fazer do jeito que der, afinal, não estou fazendo muito pelos meus planos, sentada aqui fermentando os “e se…” da vida. Eu sou a única filha da puta atravancando o meu caminho. E talvez justamente por eu não estar pronta que eu vou ser mais tolerante com os processos, mais gentil com meus erros e mais sensível às lições.

Acredito que quanto mais a gente se convence de nunca vai estar pronto pra nada mesmo, mais a gente tem certeza que não tem dia melhor para subir na bicicleta do que hoje.

Comece antes de estar pronto.


Fim da sessão

5 razões para viajar | Vai para o Mundo

A grande maioria das pessoas que viaja por diversão, pouco se dá conta de que o ato de viajar é também um aprendizado intenso sobre o mundo, e o melhor, sobre você. A convite do blog Vai para o Mundo, e também para provar minha teoria, listei abaixo 5 razões para você botar a mochila nas costas, e seguir direto para essa escola chamada mundo:

1) Planejamento de projeto de curto, médio e longo prazo

Viajar exige um planejamento que vai desde destino, acomodações e métodos de deslocamento, até um estudo financeiro otimizado de um projeto que pode durar duas semanas, ou até um ano de volta ao mundo. Esse plano ajuda viajantes a calibrar expectativas, prever riscos e ter planos de contenção de crises. Cria hábitos saudáveis de autoproteção. Desenvolve a comunicação e poder de resolver problemas. Talvez a lição não fique tão óbvia porque você está se divertindo, mas o aprendizado começa antes de você sair de casa.

2) Conhecimento íntimo de novas culturas

Esse ponto é vendido como o bom e velho clichê de conhecer o mundo fora dos livros, mas é de fato uma boa oportunidade de entender questões sócio-políticas do mundo. Em sociedades que a globalização ganha cada vez mais velocidade, entender como novas culturas funcionam, vivenciando-as, pode ajudar você a entender o que acontece e porque acontece além das fronteiras do seu quadrado. Ajuda a formar opiniões com base em experiências, mais do que o que a mídia diz através da sua televisão ou redes sociais.

3) Acesso a novas fontes de inspiração

Viajar sempre fomenta a inquietude existente dentro de todos nós. O fato de sair do nosso lugar seguro, provoca todo tipo de criatividade que estava lá, guardadinho num lugar escuro do nosso inconsciente. Viajar é fonte interminável de inputs criativos, seja através da arte, da arquitetura, da música, e por aí vai. Não é a toa que grandes ideias e projetos surgem depois de uma viagem. Quer inspirar-se? Caia agora no mundo.

4) Renovação da fé

Ok, ok. Mesmo que você não seja religioso(a), entenda que viajar é um ótimo exercício de renovar a fé nas pessoas. Sim, porque ser viajante é constantemente encarar perrengues, e não existe nada mais gratificante que encontrar ajuda em um estranho cheio de boas intenções. Então se não for para renovar a sua fé através de uma visita a uma igreja linda, um templo budista inspirador, ou conhecendo uma curandeira de uma tribo, viajar pode ser uma boa pedida para botar fé na humanidade. Afinal, nestes momentos a gente percebe a divindade do outro que estende a mão. E isso nos torna mais humanos, e mais divinos.

5) Reconexão com você

Não existe verdade mais permanente entre viajantes de que viajar é conhecer o mundo, e talvez a melhor forma de conhecer seus limites pessoais, sua essência. É uma terapia de choque. É você com você mesmo, na alegria da descoberta de uma nova praia, ou na tristeza de ter as malas extraviadas. É a prova viva da sua adaptabilidade, do seu poder de superação. E é sem duvidas, uma gentil oportunidade de se apaixonar por você. E viciar nesse encontro – de você com o mundo, mas também, de você com você mesmo.

Convenceu-se a pegar a estrada? Bom, se estas 5 razões não forem suficientes para encarar a aventura, viaje porque é bom. Porque é divertido. Viaje porque você merece. E porque visitar e viver o mundo lá fora, pode fazer maravilhas com seus limites e as fronteiras de dentro.

Viaje! Vai para o mundo.

Fim da sessão.

  • Essa sessão foi escrita especialmente para o blog Vai para o Mundo, um projeto querido das minhas amigas Gabriela Brunelli, Gabriela Sarturi e Amanda Schenkel que como eu, são viajantes de carteirinha.  Confere lá!