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Sessões TOP 5

Oi gatedo!

Estou passando aqui pelo blog só para avisar que me dei essa semana de férias, e para você não ficarem com saudades, estou deixando aqui as 5 sessões mais acessadas de 2016. Aproveitem e coloquem nos comentários quais as suas sessões preferidas do ano que passou.

Mandem mensagem, mandem beijos, só não mandem mais nudes – eu tava brincando quando dizia para mandar nudes. 😉

1) É preciso ir embora

2) É preciso deixar ir embora

3) Desculpe o transtorno, mas eu cansei de falar de ex.

4) Despatriados

5) Irmã mais velha

E que venha 2017!

Fim da sessão retrospectiva.

Não cresça!

Mateus e Murilo, essa é uma carta aberta a vocês. Nesta semana, vocês completam 6 aninhos, e confesso, a mana está apavorada. Apavorada porque vocês agora usam duas mãos quando indicam a idade com os dedinhos. E duas mãos me assustam, porque contam até o 10, e 10 já tá logo ali e aí entramos na pré-adolescência. No auge dos 31 anos, a mana não sabe se é adulta o suficiente para lidar com pré-adolescentes. Pré-adolescentes fedem, tem pelos em lugares estranhos, batem punheta e discordam de tudo. Eu sei, porque eu fui assim, com exceção da punheta. Então queridos irmãozinhos, rogo-lhes, não tenham pressa em crescer – entretanto se não puderem evitar, aqui vão algumas dicas de quem cresceu muito mais rápido do que gostaria.

Não briguem com seus irmãos. Não importam quem pegou o que de quem, arrumem um jeito de conversar, em especial, de dividir. Não percam essa linguagem particular de gestos, olhares e palavras que só vocês dois entendem. E não a cultivem porque vocês dois são gêmeos, eu sempre tive meu vocabulário com o mano Léo, que nos acompanhou até a vida adulta, para o conforto do meu coração.  Celebrem as piadas internas, e as histórias que vocês dividem – aliás, entre vocês dois, e por favor, guardem as histórias com os manos mais velhos. Eu mesma já sinto saudade do tempo que vocês nem tinham cabelo e faziam guerra de polenta – e isso me parece que foi ontem.

Meninos, não cresçam a ponto de entender, ou pior, de se meter nos assuntos da mamãe e do papai. Acreditem, isso nunca é bom. Em algum momento vocês vão se dar conta de que eles não formam uma unidade a prova de falhas – não os condenem, numa coisa eles vão sempre concordar, que é o quanto amam vocês. Não tomem partido, e também não fiquem alheios às suas diferenças. Sejam tolerantes com os erros deles. Vocês vão descobrir mais cedo ou mais tarde, que eles são crianças como vocês – já diria Renato Russo. Ah, ouçam Renato Russo, em alguma fase da vida de vocês.

Aceitem desde cedo que mãe tem sempre razão – mesma quando ela estiver errada. Se ela mandar botar casaco e vocês desobedecerem, acredite, uma nevasca divina será enviada para provar que ela está sempre certa. Aliás, a maioria de nós leva muitos anos para admitir, mas ninguém escapa do “eu te avisei” quando a vida prova de novo, e mais uma vez, que a mulher acerta mais que o Polvo Paul na Copa. Conversem com ela e nunca mintam. E se acharem que por algum motivo não podem falar com ela, procurem a mana, mas nunca – nunca –  mantenham segredos quando o tema for a integridade de vocês. Estudem. Nem tanto quando o mano Léo, e nem tão pouco quando a mana. Achem equilíbrio entre deveres e diversão. Pratiquem esportes, ainda que não gostem. Vocês aprenderão a gostar com o tempo, do contrário vão sentir falta de disciplina na vida adulta, se não a praticarem desde cedo. Não usem drogas e não fumem. Vícios não tem nada de glamour, não são legais, e não fazem vocês mais bacanas. Bebam álcool depois da idade permitida – vocês tem todo o tempo do mundo para ficar de ressaca (e nem pensem que eu vou aliviar na fiscalização). Façam amigos. Muitos amigos.

Sejam gentis com as pessoas. Aprendam desde cedo a tolerar as diferenças, aliás, aprendam a admirá-las.

Mateus goste das cores e brinquedos que você quiser, não importa o que digam, seja você mesmo. Murilo, siga insistindo nos porquês e não sossegue até você entender tudo que precisa saber do mundo, mantenha-se curioso. Murilo, não leve a vida tão a sério. Mateus, não desista na primeira tentativa. Murilo, pegue leve com seu irmão quando a desempenho, e Mateus, pare de dedurar o seu irmão – vocês dois são cúmplices de crime. Mateus siga inventando novas rimas, mesmo depois de adulto, pois elas vão embalar os dias mais tediosos. Murilo continuas determinado, e não te preocupas em ser o melhor em tudo. Pinta o 7, Mateus, e foco nos idiomas como francês, inglês e espanhol, que tu já ensaia tuas palavrinhas preferidas. Murilo quebra tudo no futebol e nos “músculos” que tu orgulhosamente já cultiva (e imagina).

Escutem os mais velhos, ajudem os mais desfavorecidos. Muito respeito com as meninas, ou serei a primeira a dar-lhes uma bela dura. Sejam gratos, sempre, por cada tombo ou salto. Não preocupem-se com o futuro – piegas – mas por vivermos preocupados com o futuro ou arrependidos do passado, a minha geração hoje oscila entre a ansiedade e a depressão, e goza pouco do presente. Usem menos as redes sociais – definitivamente MUITO menos que eu – e façam mais programações ao ar livre. Não trabalhem por dinheiro, mas entendam que ele é importante. Viagem. Para todos os lugares que puderem. E não perambulem pelo mundo sem entender a história dele. Aprendam idiomas. Respirem outras culturas. Não façam juízo de valor por conta de etnia, aparência, condição social ou orientação sexual.

Usem filtro solar e tomem água. Plantem árvores. Se arrependam menos, e pelo amor de Deus, não se julguem tanto quando eu – levou anos, mas hoje eu sei que fui a minha pior crítica.  Insistam em tentar o melhor que puderem, e deixar rolar se o plano não der certo. Cometam seus próprios erros, ainda que eu queira protegê-los de todos eles. E discordem de mim sempre que precisarem – mas acreditem em mim quando eu digo, não cresçam. Pelo menos não completamente.  Vocês não precisam acreditar na fada do dente  a vida toda (spoiler – é a mamãe, e ela corre ruas e ruas para achar as tais moedas de chocolate), mas sigam acreditando nas pessoas. Vocês não precisam levar a vida na flauta, mas nunca deixem de brincar.  Evoluam, desenvolvam-se, mas nunca, nunquinha, deixe a criança que há em vocês crescer. É dela que depende a bondade e alegria que o mundo precisa.


Fim da sessão

PS: Ok, Esqueça a baboseira acima. Não cresçam por que a mana quer vocês embaixo da asa dela pra sempre. (Sorriso amarelo aqui).

A irmã mais velha

Sábado passado caiu a luz lá de casa. Não foi por muito tempo, somente tempo suficiente para o Mateus aparecer na minha cama em um pulo, e o Murilo sair correndo do chuveiro gritando meu nome – “MANAAAAA” – sim porque lá em casa meu nome é “mana”. Enquanto a minha mãe arrumava o disjuntor no andar de baixo, eu no andar de cima, acalmava a dupla. O Murilo, ensopado e enrolado numa toalha, chorava no meu colo desconsolado pela ausência da luz. O Mateus, por outro lado, tentava manter-se forte no escuro, mas não, é claro, sem arrumar um cantinho para sentar-se na segurança do meu joelho. Sugeri contarmos histórias enquanto a luz não voltava. O Murilo discordou, entre uma fungada e outra. Ouvindo a contrariedade do irmão, o Mateus sugeriu brincarmos de mímica, e eu achei graça: “Como podemos brincar de mímica no escuro, Mateus?” Pronto, agora os três caiam na risada.

A luz volta.

Frente à claridade, cada um retorna a seus afazeres. O Mateus voltou para o desenho dele, o Murilo foi tirar o sabão do corpo, e eu voltei pro meu quarto e para o Netflix.  Sem perigo eminente, cada um deles podia seguir seu caminho de forma independente. Frente ao perigo, eu era essencial.  A cena me jogou de volta para a minha infância. Quatro anos mais velha que o meu irmão Leonardo, algumas vezes na nossa juventude eu me peguei encarando a escuridão, tendo certeza de que eu não podia fraquejar. Lembro-me de uma época em que morávamos em um sobrado grande, que tinha um longo e assustador corredor até o banheiro, e de como o Léo sempre me acordava para acompanhá-lo durante o seu xixi no meio da noite. Eu nunca confessei para o meu irmão, mas eu devia ter mais medo do corredor que ele – mas por causa dele, eu ficava corajosa.

Como irmã mais velha de três meninos, eu não consigo minimizar a função deles no fortalecimento do meu caráter. O Leonardo, o Mateus e o Murilo são propulsores ativos da minha evolução. Sempre foram. Se dependesse só de mim, talvez eu não tivesse força ou muito menos coragem para encarar os inúmeros perrengues que a vida nos jogou. Mas esta é a mágica existente entre irmãos: como irmã mais velha, eu nunca me vi com escolha de desistir, e por conta deles, me tornei a mulher forte, determinada e destemida que sou hoje. Ou pelo menos alguém que quando precisa, finge bem todas essas características.

Para cada irmã ou irmão mais velho no mundo, existe um irmão mais novo desafiando a nossa fibra. Eu vi isso acontecer com o Léo, quando ele, por sua vez, se tornou corajoso pelo Murilo e pelo Mateus. A cada tosse medonha que os guris tiveram, o Léo, novato na medicina, acalmava a família frente ao desconhecido. Ninava os dois quando eles tinham suas cólicas. E muitas vezes, confortou seus pequenos corações enfrentado o escuro que precede o sono. O Léo deixou de ser unicamente o meu irmão mais novo, e decidiu ser forte, muito mais forte, como irmão mais velho dos dois pequenos.

Depois de muito tempo sendo irmã mais velha, eu finalmente entendi o que esse laço significava. Irmãos mais novos – hoje sei – não são apenas o link direto com o nosso passado, o nosso compromisso com a nossa história, o nosso cúmplice de crime. Eles são também um trampolim para o futuro. E essas etapas mudam a gente. Irmãos mais novos nos dão um preview do que é ser mãe ou pai de alguém. Ser responsável por outra vida além da nossa. Mostra-nos na prática a importância de dar exemplo, muito mais do que dar ordem. Nos forçam a comer legumes que a gente não gosta, afinal legumes são cruciais para o crescimento – eu, por exemplo, odeio beterraba. Mas como irmã mais velha, eu disfarço o nojinho pela raiz roxa e mando ver com cara de quem tá comendo pizza.

Ao lado dos nossos irmãos, a gente ensaia uma versão melhor da gente mesmo. Fuma escondido para não dar mal exemplo. Usa cinto de segurança, mesmo quando acha que “não precisa”. Na frente dos irmãos toda regra é importante. Foi com os meus irmãos e suas demandas, eu aprendi a deixar de dizer “já vou” e comecei a dizer “estou aqui”. Comecei a me preocupar com a violência, com o perigo de alimentos transgênicos e confesso, depois que virei irmã, eu nunca mais dormir sem pelo menos um olho meio aberto.  Por causa dos meus irmãos, eu comecei a querer mudar o mundo pra melhor.

O mais engraçado é que entre um colo e outro, quando a gente acha que está dando força para eles, está na verdade tomando goles de coragem que eles nos oferecem. Sim, porque não dá pra não ser guerreira(o) por um irmão ou irmã. Nós somos os heróis da vida real. Porque mesmo no meio da escuridão, são os nossos irmãos que promovem a coragem e alegria que a gente precisa na luta pelo esclarecimento. E assim, a luz sempre volta.


Fim da sessão

Hoje decidi dividir uma coisa ainda mais pessoal sobre ser irmã. A mensagem abaixo foi escrita pelo meu irmão – um dos meus escritores favoritos. Nela o Léo me desejava feliz aniversário (pela última vez), como também se admitia no desafio como irmão mais velho (pela primeira vez). É com certeza uma das mensagens que irá me tocar pelo resto da minha vida de irmã mais velha. E eu espero que faça o mesmo com todos os irmãos e irmãs aqui neste divã, para que eles nunca deixem de perceber o valor deste vínculo.

Foto: El Retiro - Jardines del Buen Retiro de Madrid
Foto: El Retiro – Jardines del Buen Retiro de Madrid.
“…e em 1768 o recinto foi aberto pra cidadãos não-nobres desde que estivessem bem vestidos e lavados” era o que dizia sobre esse lugar em um dos guias de viagem baratos que a gente comprava nas banquinhas de cada cidade que chegava.
Definitivamente não era nosso caso. As poucas libras que só nos permitiam voar de Ryanair (e comemorar cada pouso com o avião inteiro) nos davam direito a duas ou três mudas de roupas em uma mini-mala (e mais algumas peças escondidas no meu casaco tamanho gigante-plus). Assim a gente sobrevivia, lavando roupa no chuveiro frio do hostel e torcendo pra secar antes de ter que guardar na mini-mala de novo. Então bem ‘vestidos e lavados’ certamente não era o nosso caso, mas conseguimos entrar e aproveitar o ‘recinto’. Era isso que importava.  A mesma briga no início de cada manhã pra definir o plano do dia se repetia na volta pra casa pra decidir quem ia ver as fotos primeiro.
Era ali que eu percebia que não tinha porque discutir roteiro, na verdade o que realmente tinha valor era quem tava junto comigo durante ele.
E essa pessoa foi tu. Sempre tu.

Não me refiro aos 3 meses da nossa viagem, mas aos 26 anos que completo em breve. Não existiu pessoa que me deu tanto apoio e me defendeu tanto quanto tu, não importava o Atlântico de distância que a gente teve que conviver por três anos ou tu estar do outro lado do mundo, como é o caso de hoje que tu comemora teu aniversário na Austrália. A gente se obrigou a aprender que a distância geográfica é o de menos.

Há 4 anos e meio eu me tornei irmão mais velho, papel que tu exerceu praticamente a tua vida toda e acho que foram poucas as vezes que parei pra te dizer muito obrigado por ter suportado nas costas toda a responsabilidade desse cargo.

Mesmo com todos os acontecimentos dos últimos anos que multiplicaram nossa família, sempre vai ser tua a primeira imagem que me vem a cabeça quando penso na palavra irmão. Tu que não me deixou desistir da Medicina todas as vezes que (de saco cheio) cogitei isso. Tu que com o olho cheio d’água segurou minha mão em março do ano passado enquanto eu saía meio grogue do bloco cirúrgico e deitou naquele sofá duro pra só sair quando eu pudesse sair junto contigo pra casa.

Então além de te parabenizar pelos 30 anos queria te agradecer pelos 26 que tu passou do meu lado.  Nem sempre ‘bem vestidos e lavados’, mas sempre juntos.

Te amo, irmã,  feliz aniversário.

Foto de capa: Orgânico Estúdio