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Amor, cadê você? | Coisa de Antônia

Já se deu conta que hoje é mais fácil achar dinheiro na rua, do que amor?  Hoje no Coisa de Antônia no ATL Girls da Rede Atlântida, a implacável busca por essas quatro letras que mexem com a cabeça de qualquer vivente.

Pegue seu binóculo, clique na imagem abaixo e bora lá achar o amor!

Untitled design (21)

 

A maldita calcinha suja

Era o final de semana que antecedia o início do verão. E se você já passou um inverno chuvoso em Londres, vai entender que a data era motivo para celebração. A noite incluía a pista animada do Mother Bar em Shoreditch, doses intermináveis de Jager Bomb e o meu casal de amigos preferido, o Pablo e a Patrícia. A noite acabou num piscar de olhos e duas músicas do The Killers. Pulamos os três num taxi a caminho da casa do casal, como costumávamos fazer sempre que investíamos em uma late-night-out. O sofá deles era praticamente minha cama nos finais de semana. A estratégia garantia mais gente pra rachar o taxi de sábado e sempre rendia um almoço preguiçoso no domingo.

Acordei com a cara grudada no sofá sentido a pele toda transpirando Jager Bombs. Patrícia falava irritada ao celular com o que imagino era o landlord dela, algo sobre estarem sem água. Pablo me alcança um café e as minhas calças que estavam no chão.

Ela desliga furiosa. “Não temos água! Tem banho pra ninguém!”. Sorrio, e relevo a situação por dois motivos: o primeiro e o mais egoísta deles era porque eu podia ir pra minha casa tomar banho, o segundo era por conhecer a capacidade da Patrícia de ser dramática. “Deixa de ser fresca! O que são umas horinhas sem banho?”, mexo com ela. O Pablo ri, e ela bufa.

Comecei a me organizar pra ir embora, quando o telefone toca novamente. Com sorte era o landlord acabando com o drama deles. Mas não. Patrícia fica muito animada pra ser o landlord ou mesmo a água. Ao desligar, ela informa que fomos todos convidados para um churrasco de alguns amigos que brindavam a chegada do verão. Ela se empolga e agita Pablo e eu para nos arrumarmos. “Mas vamos assim, sem banho?” – pergunto. “O que são umas horinhas sem banho, hein fresca?” ela retruca.

O churrasco era tudo que o verão pedia, e tudo que eu sentia falta do Brasil. Caipirinha em jarra, churrasco feito com espeto, e a churrasqueira adaptada de um carrinho de supermercado. Ahhh os brasileiros, tão inventivos. Horas de risadas, entre jarras e jarras de caipirinha, me peguei conversando longamente com o churrasqueiro, que tinha os braços do tamanho das minhas coxas. Ele, recém-chegado, admirava-se com minhas histórias e experiências de Londres. E eu sempre-chegada num gatinho, admirava-me com os olhos verdes dele.

Na minha vigésima ida ao banheiro, daqueles banheiros de casa compartilhada, cuja tranca está sempre quebrada, fui surpreendida. Enquanto lavava as mãos, sem bater na porta,  alguém entra no banheiro: – “Ei! Tem gent…” e me viro pra dar de cara com os olhos verdes do churrasqueiro. “Eu sei que tem gente”, disse ele. “Se importa se eu usar o banheiro com você aqui?”.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele liga o chuveiro (este COM água). Antes que pudesse sair correndo, ele tira a camisa. E as calças. E a cueca. Escondo-me como uma menina com a testa na porta e as mãos nos olhos. “Você pode olhar se quiser… eu não me importo”, disse ele com um sorriso assanhado debaixo d’água passando a esponja ensaboada pelo corpo…  Penso comigo “Seria essa a minha chance de um banho?”. Nesta hora Patrícia tenta entrar no banheiro, subitamente trocando meus pensamentos sensuais por um ataque de pânico “TEM GENTE PORRA!!!!”, grito histérica. “Antônia, a gente tá indo embora, vamos?”  – “Ela vai ficar!”, ele responde de dentro do banheiro antes que eu pudesse dizer qualquer coisa. “Nã… péra, eu, na verdad…” tento balbuciar algo enquanto raciocino. Patrícia cai na gargalhada do outro lado da porta, “Ok, Antônia. Já entendi. Me liga amanhã. Pabloooooo, vambora!”.

Quando eu me viro furiosa pra perguntar quem aquele metido achava que era, lá estava ele parado atrás de mim, enrolando-se numa toalha. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, ele joga o seu peitoral pesado contra o meu, me empurra contra a porta e me beija a boca. Queria resistir e fazer um charminho. Mas o calor daquela pele e o cheiro de shampoo eram inebriantes. Eu estava entregue.

7h00. O meu despertador grita estressado. Saio da cama num pulo, tentando achar sentido naquele quarto estranho. Reviro os moveis recolhendo brincos, pulseiras, blusa, sutiã, calça… péra, cadê a minha calcinha? Levanto travesseiros, levanto as cobertas, embaixo delas somente aquele corpo pelado cheio de testosterona, cheio de delícias, e de músculos, e… Não, Antônia! Foco: cadê a minha maldita calcinha! O celular desperta de novo lembrando-me de que eu tinha que estar em Soho em 20 minutos. “Já vai embora, linda?”, sussurra ele se revirando todo sonolento na cama… “Sim, sim.. só estou tentando juntar minhas coisas”. “Conseguiu achar tudo?”  Hmmmm… Encarei os olhos verdes mais uma vez, e sorri sem graça. “Sim, tudo!”. Não consegui reunir forças pra dizer que não achava a calcinha que vergonhosamente usara dois dias seguidos.

No trem, mal me importei com outros passageiros admirados com o meu estado caótico de 2 dias sem banho, e o cheiro de Jager Bomb, caipira e sexo que exalava de mim. Estava escrito “walk of shame” na minha testa e eu nem me importava. Eu só conseguia pensar na maldita calcinha suja que deixara pra trás.

Foram necessários 7 dias inteiros e 8 banhos para que eu tomasse coragem de ligar pro churrasqueiro de olhos verdes e acessar o estrago…

– “Oi, tudo bem? Aqui é a Antônia…”

– “Oi linda! Saiu daqui apressada aquele dia. Nem me deu um beijo…”

– “Ah, pois é, estavas dormindo, e eu com pressa… por falar em pressa… naquele dia eu esqueci no teu quarto a minha… a minha… o meu ANEL. Eu esqueci o meu ANEL. Por acaso você não achou?”

– “Não, linda. Mas achei a sua calcinha. Pode vir buscar a qualquer hora…”

– … (Rio nervosamente do outro lado).

– “Ah, e fica tranquila. Eu lavei ela tá?”

Desligo o telefone imediatamente.


Fim da sessão.

Reticências…

Se você como eu, é do sexo feminino, solteira e tem quase 30, vai me entender.

Olá. Meu nome é Antônia, eu tenho quase 30 e ainda não casei. “Olá Antônia!!” – imagino outras solteiras respondendo em uníssono como em um grupo de apoio.

O que acontece é que ultimamente qualquer eventual encontro com conhecidos tem se resumido as mesmas inquisições e AQUELA sentença:

“Com quantos anos tu JÁ tá?” E AINDA não casou? Olha, se não casou até os 30 …”

Reticências …

Eu ganho reticências. Um PONTO FINAL pra cada dezena – sendo que a última eu nem completei! Ok.

Visando ajudar estas pessoas (afinal são elas que precisam de ajuda), resolvi disponibilizar algumas opções para a substituição das reticências.

“Olha, se não casou até os 30 …”

(  ) você vai casar depois dos 30.
(  ) você ainda tem muito tempo pra se preocupar com isso.
(  ) você devia estar ocupada até agora “não casando”, certo?
(  ) você está avaliando as suas opções – de vida, não apenas de marido.
(  ) você não casou com um tosco que acha que existe idade pra casar.
(  ) você ainda pode casar com Príncipe Harry e ter filhos ruivos.
(  ) você se formou, pós-graduou, viajou, na correria, #tudojunto&misturado.
(  ) você ainda tem aquele caderninho preto.
(  ) você devia conhecer meu primo, ele é um baita cara!
(  ) você evitou de divorciar-se aos 40.
(  ) você tem um amigo especial pra chamar de seu.
(  ) você tem um plano daquele último réveillon só com as amigas.
(  ) você chama a 4ª feira de “Dia do Sofá”, e não do futebol.
(  ) você acredita em príncipe do cavalo branco. Ferrari branca? Bicicleta branca?
(  ) você gosta de namorar / ficar/ reticências (aqui vale!).
(  ) você deve adorar ter um banheiro só seu.
(  ) você tá ralando pelo primeiro R$ 1 milhão, acertei?
(  ) você não se preocupa com famoso “chopp com os amigos” né?
(  ) você se depila quando quer.
(  ) você pode escrever a continuação de “Comer, Rezar e Amar”.
(  ) você sabia que Ryan Gosling tá solteiro?
(  ) você ainda terá a maravilhosa experiência encontrar o amor da vida;
(  ) todas as opções acima. Na dúvida, a primeira já atende.

Fim da sessão.

Eu quero colo

Peguei-me pensando hoje, como em mais vezes do que gosto de admitir, que queria chegar em casa e aterrissar em pouso único no colo de alguém. Sem escalas. Alguém que eu amo. Podia ser a minha mãe, podia ser meu irmão, podia ser aquele “não-tão-mais-estranho” para quem eu abri minha casa e chamei de amor. Juro. Entraria pela porta da frente, daria um back flip twist carpado atravessando a sala, e terminaria este dia – que teve mais horas do que gostaria – no colo de alguém. E lá, naquele colo, faria manha sobre a enxaqueca que me assombra há quatro dias (três deles num final de semana!), prometeria que lavaria a louça num segundo, e faria juras de pés juntos que iria parar um tempo, da minha vida ocupada somente com os outros, para planejar aquele sonho que há meses me espera guardado na gaveta.

Tem dias que é assim. A gente não se basta. Muito embora meu pai ache que sou independente desde o tempo que não tinha dente. Muito embora a ideia contrarie aquele ex-namorado que me julgou um tanto quanto autossuficiente. Muito embora isso vá na contramão daquele amigo que jura que eu sou feminista/mulher-moderna/mulher-chata. Muito embora eu tenha ido embora muitas vezes. Não. Lamento desapontá-los. Eu preciso de colo.

Eu sei, eu sei, isso não é fraqueza/luxo/desejo/necessidade que só eu alimento. A gente nasceu e foi direto pro colo, nada mais justo precisarmos quase que a vida toda de colo de pai, mãe, marido, esposa, namorado(a), amigo(a), amante, padre, terapeuta ou garçom. A fase que eu estou, entretanto, é curiosa. Eu sou adulta, moro sozinha, sou solteira, e sofro da síndrome do “desculpa, não queria atrapalhar”. Ou seja, tem situações que não dá pra pedir colo mesmo. Ok, eu já pedi pro meu irmão me trazer uma sopa no meio de uma febre, mas também já chorei sozinha na Unimed porque achei que era muito tarde pra ligar pra minha mãe. Eu não chorei porque tava com febre. Mas sim, porque tava sem a minha mãe. Acontece.

Fato é que nesta fase curiosa a gente é obrigada a aprender a se dar colo. Vejo isso lá em casa, e nos whatsapps pelo mundo. Entre as pérolas estão as minhas crises de abraços no sofá, discussões sobre o cronograma da louça comigo mesma, ou até carícias na própria cabeça ao sair do trabalho à 01h10 dizendo “ora, ora…”. Essa habilidade, confesso, me parece feita de argila. Um dia pode até ser pedra, escultura, arte, mas até lá você tem que ir moldando, a afagos, lágrimas, uma porrada aqui e outra acolá. E por mais duro que seja, creio que não pegaria atalho algum. É reconfortante a ideia de achar porto seguro em si mesmo. Até aquele dia que tudo muda…

E até lá… bom até lá, eu vou treinando. Nem que seja o meu back flip twist carpado.

Fim da sessão.

Carona

7h15, o despertador grita. “Merda! Merda! Merda”, são os 3 primeiros pensamentos da minha segunda-feira. Atrasada para um dia que historicamente eu odeio.

Afff… Enfio qualquer roupa, boto minha rasteirinha preferida e vou trabalhar. No escritório resmungo algo que parecia “bom dia” para os colegas, reclamo do novo nariz da Anitta, e agonizo lendo um contrato de 12 páginas de letras miúdas de um cliente onde assino que tudo sempre-sempre será minha culpa, afinal o cliente tem sempre a razão. Saio pra uma reunião. Esqueço o guarda-chuva. No lugar em que estaciono não há como sair do carro sem encharcar os pés; então os encharco. No retorno da reunião, a sola da minha rasteirinha cai. Aquela sabe, que antes desta segunda-feira, era a minha preferida. Vou pra casa, troco de roupa. No caminho do almoço reclamo dos buracos da Rua A, de que é impossível estacionar na Rua B, e de que como eu odeio os guardas de trânsito em qualquer dia da semana. Saio do carro. Encharco os pés de novo. “Merda! Merda! Merda!”.

No caminho acelerado até o restaurante vou tentando evitar a chuva, quando no meio da quadra um senhor de uns 70 anos emparelha ao meu lado dizendo “quer uma carona?”, colocando seu guarda-chuva sobre a minha cabeça. “Claro”, digo meio sem graça, “como negar uma gentileza tão rara nos dias de hoje, não é?” Ele sorri, enrugando os olhos cansados, “É verdade, menina, acho mesmo que está faltando amor no mundo”. E assim, quase que sem querer eu desacelero, e deixo ele me conduzir pela calçada embaixo da chuva. Ao atravessar a rua ele toca de leve meu braço e alerta “cuidado com o carro, menina” com ares de avô. Na porta do restaurante me despeço e o agradeço sorrindo. Não pela carona, mal sabia ele. Mas porque com aquela carona, mesmo sem saber, ele havia acabado de mudar completamente a sintonia do meu dia.

Bom dia, segunda-feira!!

“nooossa senhooora hein?”

Caminhava apressada para mais uma sessão de terapia, e eis que no meu caminho, parado na calçada, está um homem. Ao passar por ele, uma cena comum: ele se inclina na minha direção e sussurra

“nooossa senhooora hein?”

Paro. Dou dois passos na direção dele e pergunto:

-“O senhor falou comigo?”

E encaro. Ele, incrédulo e em choque, responde num susto:

-“Eu?? Eu não! Acho que tu é que tá louca! Louca!”

Estufo o peito, giro os saltos e sigo meu caminho.

A ocasião chama a minha atenção não pelo assédio – esse tão corriqueiro e conhecido – mas pelo despeito com que ele encarou minha intervenção. Pensei comigo, “louca, aham”,.. louca eu tava quando ficava quieta.

Saudade bandida

Elas pegaram as malas e partiram. Como eu  fiz um dia, elas foram conhecer o mundo lá fora. E eu fiquei.

Na antecipação da despedida, a gente – como boas amigas que somos – disfarçou. Fingiu que a distância nunca existiria. Fez de conta que não era adeus. Engoliu o choro, engasgou-se com os sentimentos, embebedou os últimos encontros, vestiu um sorriso torto pra esconder a dor eminente.

Mas todo grande amor tem um preço. Preço de saudade. Saudade bandida.

E quando você acha que estava encarando tudo numa boa e se distrai por um minuto, a dor da saudade bate na sua porta, bate no seu peito, bate e fica. O domingo fica com gosto amargo de coração partido. E aí, nem o mais confortante dos sofás consegue te abraçar. Você desiste e deixa as lágrimas rolarem.

E entende por fim que se separar de um amor é impreterivelmente separar-se de um pedaço de si mesmo.  Diga-se até, do melhor pedaço.

Você enxuga as lágrimas e pensa que esse choro é de egoísmo, “se ama, deixe seu amor livre”, mas como ser livre de querer perto um grande amor? “Você vai ficar bem!”, uns consolam. Vou sim, não tenho dúvidas, o problema é que junto de quem amo não fico bem, fico ótima.

Mas enfim, chega o temido dia em que cai a ficha que se renegou até aqui: com ou sem permissão, alguém pegou meu coração e resolveu exportar seus pedaços pelo mundo. Ok, eu aguento, se é preciso. Mas vou querer todos os pedaços de volta. Tenho dito

Não te culpes

Não te culpes.

Dos amores errados e difíceis. É através deles que vai reconhecer a diferença de um amor pra vida inteira.

Não te culpes das noites que ficou no sofá. Você não tem culpa de ser uma ótima companhia pra si mesmo(a). Não te culpes dos exageros das noites que não ficou no sofá. São os exageros que nos ensinam a chegar na medida certa.

Não te culpe dos erros, foi através deles que tirastes os acertos.

Não te culpes de pensar diferente, é isso que te destaca de alguém simplesmente comum.

Não te culpes pelas indecisões, nem todos os passos são definitivos, mas todos eles são importantes.

Não te culpes pelos tropeços, equilíbrio é e sempre foi uma questão de prática.

E por fim, não te culpes de tentar, de se machucar, e acumular marcas do tempo que passa. São estas marcas que fizeram de ti alguém especial e único, e elas servirão como eternas evidencias de que aconteça o que acontecer, você será cada vez mais forte e que és, sem dúvidas, capaz de mudar o mundo. 

Matemática

O retorno das férias é sempre seguido de um “momento contabilidade”. Não apenas a monetária, mas a existencial.

Foram kms de expectativas, dias longos com o sol beijando o corpo, e ganhando palmas ao colorir o fim de tarde mergulhando todo exibido no mar.

Foram noites quentes e suadas no balanço de funk, ragaton, samba rock, blues ou “Just wake me up when this is all over” no repeat. Amizades novas, renovação das indispensáveis.

Litros de gatorade, incontáveis de água q passarinho não bebe. 6 adesivos de salompas. 700 torradas e empanados, 1 canja de galinha, 1 churras assado por mulheres, e milagrosamente nenhuma massa com atum. Incontáveis suspiros.

1 incidente de incêndio, 3 de afogamento, todos hilariamente superados. 4 marolas dropadas. Muito talento, pouca paciência pro surf. Fotos lindas, fotos indevidas.

Beijos dados, 1 roubado. Banho de mar pra ver o nascer do sol. 1 noite mágica em um paraíso sem eletricidade, e completa conexão offline entre as pessoas. 1 carro bi-color. -1 guarda-sol. 30%+ de sardas no rosto, 10%+ de “rugas de sorrisos”.

Mais um verão de custo-beneficio invejável, equação final de resultado positivo, e de matemática extremamente valiosa.