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Ele é de câncer

Não sei o quanto a influência do cosmos interfere na relação das pessoas, mas nunca neguei a forte presença de aquário na maneira como eu levo a vida.

Já tive virginianos que ferraram com a minha estrutura, em compensação três das mulheres que mais amo e me toleram são do mesmo signo. O meu irmão e também melhor amigo era de peixes, o que fazia sentido já que ele – de peixes- e eu – de Aquário- nos completávamos. Ao contrário, é claro, de muito pisciano que eu já quis matar por viverem no mundo da lua. Ou seja, o horóscopo acerta e erra comigo o suficiente para que eu tenha as minhas dúvidas.

Mas ele é de câncer e acredita no poder das estrelas. Emotivo e intenso, disse que a culpa é do elemento água que rege sua personalidade. Ele me explica que eu sou elemento ar, mesmo sendo de Aquário, o que pra mim não faz sentido. Pouco de câncer faz sentido pra mim. Ele não disputa com a minha liderança como alguém de Leão faria, pois vaidade não é o negócio dele. Tem tantas perguntas sobre a vida quanto Libra, e a energia por metas e novidades como um Ariano. Ele é fiel como Touro, entretanto não gosta de ciúmes. Ele é de câncer, o que é uma incógnita pra mim.

Eu tento ler seus olhos claros, que ele jura que são verdes, mas que eu juro que ficam azuis quando ele está feliz. Talvez seja uma coisa de câncer ser camaleão, em que nem uma coisa óbvia como a descrição dos olhos é simples com ele. Gosta de atenção, e nisso eu culpo o signo – carma também dos meus irmãos gêmeos e de uma amiga manhosa que Londres me deu, todos cancerianos. Ele é de câncer e tem o coração brincalhão. Faz carinho numa hora, e na outra coloca um dedo lambido na sua orelha provando que quem é de câncer não envelhece. Finge retirar a pinta que eu tenho embaixo do lábio e coloca em algum ponto do próprio rosto, em meio à gargalhadas. Ele tem a inocência que alguém de Escorpião consideraria tolice, mas ele é de câncer, so he doesn’t care.

Ele é de câncer, e como todo canceriano, é caseiro e gosta de família. Mas ele admira a minha habilidade social e meu interesse constante pela muvuca, ainda que ele esteja longe de ser um ermitão. O caranguejo dele não apresenta riscos de me machucar, e eu não sei porque isso me atrai, já que eu sempre tive o dedo podre de escolher quem apresentasse a maior probabilidade de me magoar. É observador, e diz que eu sou linda assim que eu acordo, com o rímel que eu insisto em não tirar e que pela manhã me borra até a altura da minha bochecha. Diz que meu cabelo é sensacional, mesmo quando tenho a franja grudada na testa pelo suor provocado pelo calor do sol do meio-dia ou daquele que ele provoca a meia-noite. Ele é de câncer, e parece ser meio louco quando gosta das coisas que eu mais abomino em mim. Mas confesso que “linda” é um estado de espírito que me desperta sempre que o adjetivo cai da boca dele, seguido de um beijo demorado.

Ele é de câncer e sua sensibilidade por vezes beira o descontrole, por isso ele diz que eu sou racional. Logo eu, racional. A dona do divã. Mas eu invejo a sapequice dele e a crença que ele tem de que tudo sempre vai dar certo. Ou do encantamento de como ele olha o mundo. Prova a maturidade emocional dele quando respeita a minha rebeldia aquariana (leia “tolice aquariana”), quando ajo daquela forma de quem diz “eu não sou obrigada a nada”, e concorda que de fato eu não sou mesmo, e assim me ganha mais ainda. Exige meu tempo sem parecer vulnerável ou piegas (até porque o contrário me embrulharia o estômago).

Ele é de câncer e faz pensar que minha tão estimada liberdade é um artigo de luxo dispensável perto do que ele me entrega quando eu me jogo no seu abraço. Perigoso esse signo de câncer.

Já me peguei suspirando alto, ou sorrindo abobada quando ele me explica a força dos quatro elementos nos signos. Acho graça de como acredita que saca completamente as pessoas toda vez que descobre qual é o ascendente delas, ou de como a lua tem efeito sobre as marés e sobre o meu humor. Ele é de câncer e o efeito dele em mim me inspira. Como outros musos inspiradores que já passaram por minhas histórias. Mas ele é diferente, ele é de câncer.

E ainda que eu tenha dúvidas sobre a real influência do seu signo, se ele combina com o meu, ou até mesmo qual a verdadeira cor dos seus olhos, uma certeza fica: eu adoro o jeito como ele olha pra mim. Com seus olhos verdes ou azuis. Mas também, pudera: Ele é de câncer.

Fim da sessão.

Amores de verão

Lembro de amores de verão datando o mesmo tempo que lembro de ir para a praia. Eles acontecem como aquelas tempestades de final de tarde. Você nunca prevê quando e como elas chegam, mas sabem que elas são garantidas na temporada de férias, tal como praia cheia, milho caindo na areia e uma tostada do sol. Amores de verão estão no itinerário da estação e para eles não tem protetor – ardem e deixam marcas.

O meu primeiro amor de verão foi o Marquinhos. A gente tomava sorvete todo início de noite sob a supervisão da irmã mais velha dele. Na verdade, nós dois eramos a desculpa da irmã dele para dar um rolê, pois na maior parte do tempo em que eu tomava sorvete com o Marquinhos, a Carla, irmã mais velha dele, se amassava na praia com um garoto de tatuagem tribal no braço. A Carla voltava para o camping e me entregava para os meus pais, e depois ia para casa com o irmão mais novo dizendo que ele havia se comportado, disfarçando os lábios esfolados de tanto beijar. Eu adorava o Marquinhos e o sorvete. Mas não via a hora de queimar na mesma febre da Carla – os amores fervorosos da estação mais quente.

Todo verão, não importava a minha idade, eu me despedia de um amor de verão com juras de comprometimento eterno – de resguardar-me o ano todo. Prometia escrever e visitar. Poucos destes romances resistiam as águas de março. Ao longo dos meus amores de verão, eu fui aprendendo que eles não subiam a serra – não por uma questão de regra, mas muito mais por uma tendência. Era como se alguns calafrios pertencessem somente aquele período que a gente tira para curtir a vida. Alguns abraços só surgissem acima das dunas, e alguns beijos necessitassem da água do mar. Mas sua curta duração era proporcional a sua intensidade.

Tenho fraco por amores de verão, da mesma forma que tenho fraco pela vida que se leva na praia. Talvez porque as coisas sejam mais simples, e as decisões não tenham tantas ponderações. Tudo pode começar com um “fica comigo essa noite” ou “vamos ficar juntinhos” sem que isso soe como uma proposta indecente ou o primeiro passo para um relacionamento complicado. “Fica comigo” às vezes pode durar uma temporada. Ou tem a duração de um sol nascendo. O tempo não faz a regra aqui.

E para alguém que é um furacão como eu, que faz tudo demais, pensa demais, fala demais, analisa demais, é alívio encontrar situações que me fazem parar e esquecer do tempo. Encontrar pessoas que anulem o resto das mais de 7 bilhões de pessoas na Terra e alguns marcianos, nem que seja por alguns instantes. E os amores de verão são assim. São únicos, intensos e marcantes.

Penso que a culpa pode ser do mar. Uma influência do ambiente. Não tem nada que me desconserte mais que um banho de mar acompanhada. Não sei se é falta de roupa entre os corpos, ou se o cheiro do sal misturado com o suor. Me convidar para um banho de mar tem o mesmo frisson de um primeiro beijo. Uma adrenalina a cada onda. Acho que Iemanjá gosta de ver corpos entrelaçados, e por isso promove uma gostosa hidromassagem com o ritmo das marés para os casais recém-formados. Eu faço uma prece sincera por cada beijo salgado que já ganhei, dei ou roubei.

As vezes me pego pensando que a culpa também pode ser da areia. Um abraço a milanesa me parece ter o mesmo apelo que um bife da mesma modalidade – é uma camada a mais de gostosura. Dica: peça alguém para massagear seu pé sujo de areia –  a mão carinhosa unindo forças a milhares de grãos em uma esfoliação natural. Você vê estrelas mesmo com o sol a pico, eu prometo. E por falar em sol, não quero nem começar a falar sobre a minha percepção em relação a passar o protetor solar em curvas recém-descobertas. Pescoço, costas, aquela linha da cintura que termina no caminho da virilha, bermuda a dentro. Pedro Bial não ama tanto o filtro solar como eu, garanto.

Mas talvez o que mais me seduz nos amores de verão é a celebração da alegria do outro. Eu sou suspeita já que para mim não existe nada mais sedutor em alguém do que a sua felicidade. E férias promovem uma mudança no nosso status quo. Verão proporciona essa alegria, e assim as pessoas ficam mais bonitas, mais saborosas. Pessoas alegres são mais atraentes, não tem discussão.

Amores de verão são como aquele picolé do melhor sabor que congela o nosso cérebro, porque o tomamos muito rápido sabendo que ele pode derreter e se esvair.

Ora, mas pode ser que eu ainda esteja sob efeito do amor de verão ao ponto de super valorizá-lo. Eu ainda tenho os lábios esfolados de beijos na praia (a irmã do Marquinhos manjava dos paranauês), e a cabeça girando de tantas batidas que dei nas estrelas do céu na carona de um foguete chamado “preliminares de horário de verão” – que entregam sempre uma hora a mais. Quem sabe esse tipo de amor só exista mesmo na minha cabeça, que é apaixonada pela primeira estação do ano e tudo que ela traz.

Ou não, ou de fato estes amores sejam mesmo um fenômeno de verão, que vão e volta com as marés, mudam com o vento, ou chegam de repente como as tempestades tropicais. E se assim for, meu único desejo é deixar molhar mesmo. No mar, na chuva, ou no calor incomparável dos amores de verão.

Fim da sessão.

7 segundos

Eu tenho uma obsessão por momentos que desafiam as métricas do relógio. Sabe, aqueles instantes cujas emoções são tão intensas, as expectativas tão palpáveis, que o tempo parece desacelerar? Eu vivo por momentos assim. Guardo-os todos em caixinhas estofadas do meu coração, como recordações das mais queridas. Adoro quando as borboletas na minha barriga alçam voo e me fazem levitar por alguns segundos nesses recortes da vida real. Eu corro o tempo todo, mas em raros momentos da vida, eu tomo o meu tempo vendo ele se arrastar, deliciosamente. Dentre os meus preferidos… aqueles preciosos 7 segundos antes de beijar alguém pela primeira vez.

A principio 7 segundos não parecem nada. Presumo que nada de relevante possa ser efetivado em tão pouco tempo. Mas aqueles 7 segundos efervescentes entre uma boca e outra, esses sim, podem ter a magnitude de 7 horas, 7 dias. É neste pequeno intervalo de tempo que o rosto chega tão perto de outro rosto, que é possível sentir o cheiro da pessoa pela primeira vez. E aqui não estou falando sobre perfume, desodorante, ou pós-barba. É o cheio do beijo da pessoa. Uma mistura que pode variar um bocado, entre um chiclete furtivamente adicionado, prevendo o encontro dos hálitos. Ou o gosto de cerveja, de vinho, de café, de chocolate, o gosto de alguém. É a química do beijo sem beijar. Um perfume quente e intenso que vem da boca, e aquece o momento antes mesmo dele começar.

Durante estes rápidos e longínquos movimentos dos ponteiros, é quando acontece o posicionamento das mãos, prevendo a moldura do beijo. Moldura que normalmente é feita através de um abraço, um entrelaço. É claro que essa dança começa muito antes dos 7 segundos, com toques suaves aqui e ali, sorrisos convidativos, um caminho a ser sutilmente tateado.  Uma mão nas costas, ou na cintura. Talvez um joelho tímido encostado no outro, testando a permissão, aproximação, o aconchego. Não gosto do “chegar-chegando” de supetão. Gosto de toques que pouco a pouco se constroem, se permitem, se enroscam. Adoro lugares com música alta que possibilitam cochichos no ouvido, completamente justificáveis. Musica alta é a desculpa perfeita para chegar mais perto da orelha, aquela que fica tão perto do pescoço. E o pescoço é um ótimo lugar para iniciar a jornada dos 7 segundos.

Nesta fração de tempo, os olhares ficam perdidos, entre boca e outro par de olhos. É tempo suficiente para não ser uma intimada, mas longo o bastante para confirmar o interesse. Gosto quando os olhos avisam gentilmente que o melhor está por vir. Carregados de excitação pela novidade, e a confiança de que beijo na boca tende a ser sempre bom. Eu adoro olhares pré-primeiro beijo. São confusos, e atrapalhados, mas ao mesmo tempo seguros do objetivo comum. Gosto do leve ar de embriagados que estes olhos têm, de quem está louco para matar a sede no outro. Piscadelas, olhares 43, cílios tocando no famoso “beijo de borboleta”. São as janelas da alma gritando “vai acontecer” ou pedindo “chega mais perto”. A respiração acelera, o coração sapateia.

Esses 7 segundos são o mais puro estado de graça. Talvez porque ali as expectativas estejam intimamente ligadas com o presente. Neste pedacinho de tempo, ninguém está preocupado com os beijos do passado que acabaram em corações partidos, ou tão pouco se o beijo em questão será a última boca a ser beijada antes do “felizes para sempre”. Não. 7 segundos antes de um beijo é o mais próximo de estar presente em um momento. É quase um execício de meditação, de inspiração e expiração, antes de chegar a nirvana, aquele estado transcendente onde você é liberado de todos os efeitos do karma e  do senso de si…

7,

6,

5,

4,

3,

2,

1.

E o melhor está por vir. Fim da contagem. Fim da espera. Fim da expectativa.

Fim da sessão


Ps: Hoje a sessão foi curtinha. Porque alguns momentos da vida não precisam de muito para se eternizarem.

Socorro, eu não tenho um namorado! | Coisa de Antônia

Ontem foi dia de Coisa de Antônia no ATL Girls da Rede Atlântida, e a gente tratou do drama de não ter um namorado neste dia 12 de junho e todos os outros dias.

Convoco você leitor, a entender a pior parte de não ter um namorado, clicando na imagem abaixo. Aliás, convoco você, e aquela tia chata que vive perguntando “dos namoradinhos”.

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Terapia do Beijo | Coisa de Antônia

“Amo os beijos de paixão. Sinto a endorfina agir, o coração bombear e a pele arrepiar só de pensar em beijos de paixão. Todo e qualquer batimento cardíaco acelerado vale a pena quando o ímpeto é matar a sede no desejo do outro. Beijos daqueles “que delicia ter você pra sempre” ou dos“tomara que essa noite nunca acabe”. Quem nunca já acordou com os lábios doloridos de paixão? Ou foi trabalhar com o queixo assado porque viveu demais um domingo embaixo das cobertas? Um efeito colateral tolerável e bem-vindo desta terapia, é claro.

Gosto destes beijos roubados e tomados sem cerimônia por quem já é dono da minha afeição. Beijos que não se pedem, daqueles que se tasca! Que te grudam contra uma parede, um amor ou simplesmente contra o tesão. Com mordida no lábio inferior como quem quer levar um pedaço do beijo pra casa, e com direito a uma mãozinha na nuca para auxiliar na tontura. Quem nunca perdeu a linha num beijo de paixão?”

Gostou? Então corre pro ATL Girls da Rede Atlântida e vai lá ganhar mais:

Terapia do beijo (1)

Amor, cadê você? | Coisa de Antônia

Já se deu conta que hoje é mais fácil achar dinheiro na rua, do que amor?  Hoje no Coisa de Antônia no ATL Girls da Rede Atlântida, a implacável busca por essas quatro letras que mexem com a cabeça de qualquer vivente.

Pegue seu binóculo, clique na imagem abaixo e bora lá achar o amor!

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O verão é dos solteiros

Desculpem-me os casados. Vocês tem o inverno todinho pra vocês, com viagens delícia para a serra, cobertores de orelha e alguém para esquentar seus pés. Longas horas embaixo das cobertas deflorando o Netflix ou seus próprios corpos – pouco importa o frio que faz lá fora quando o calor está garantido. Enquanto nós, solteiros, padecemos na estação mais fria, com ruas vazias, bolsas de água quente, rezando por um raio de sol que irá nos convidar para passear. Desculpem mesmo, casais, o verão pode até ser bom pra vocês, mas tenho certeza ele é muito mais gentil com os solteiros (comparado aos ventos gelados e nefastos de julho).

Calma, não estou reivindicando que a estação pertença somente aos avulsos – mas a tendência é que o calor destes três meses favoreça a nossa autoestima e interação. Verão tem um quê de libertino, confessa. Uma excitação que emana da pele bronzeada. Uma vontade enlouquecida de beijar na boca. Melll Dells como é bom beijar na boca o ano todo, mas no verão… é sede matada na saliva. É nuca suada. Tudo contribui. A energia positiva das férias, nosso lado aventureiro no último volume e o desejo por novas experiências. Não me considero uma solteira convicta, mas bem mais convencida quando os termômetros aumentam.

Tudo isso porque não há coração que não se aqueça com o sol de verão brilhando lá fora – mesmo que você seja um grande fã do ar condicionado. Tem como fica alheio aos bares e praias lotadas de gente querendo ver gente? Nesse período do ano facilmente toleramos perrengues como engarrafamento, falta de água, asfalto digno de fritar ovo, aedes aegypti e sungas brancas, tudo em prol de se jogar na estação mais sexy. Você faria o mesmo durante as chuvas frias de inverno? Não, no verão cada esforço é uma delicia e costuma ser recompensado.

Adoro que no verão todo fim de tarde tem cara de happy hour, e cada momento longe do trabalho tem peso de diversão obrigatória. O sol nasce mais cedo, empurrando a gente pra fora da cama, sem deixar margem pra preguiça, e se estica até a presença da lua. Por vezes nesta estação, é possível ver os dois juntos, sol e lua flertando no céu (até eles!), misturando dia e noite, numa vontade de viver o melhor de cada minuto – sensação essa, ainda mais urgente para os solteiros. A lua que chega de mansinho, nesta época do ano é contemplada na maioria das vezes perto da água, no mar, rio, lagoa, com seu manto prateado, brilhando toda exibida, tornando o crepúsculo muito mais sensual. Ela que vem anunciar que se o dia foi quente, a noite de verão pode ser ainda mais promissora.

Amo que no verão, a indumentária é relaxada, e a etiqueta sabe ser menos restrita.  A pista de dança aceita o shortinho, o luau não julga o cabelo sujo da praia e as havaianas estão mais em alta do que o salto alto. Marquinha de biquíni tem mais estima que high couture. E para os gatos não é diferente: tênis, bermudas e regatas tem o apelo mais lascivo que um terno engomadinho (repudio qualquer dress code obrigatório no calor). A tendência no verão parece ser o conforto, e menos é mais (graças à Nossa Senhora das Coxas Grossas). Acredito que a gente se apresenta da forma mais sincera, sem pretensão de agradar ninguém – além do próprio ímpeto de curtir a temporada.

Adoro a energia atlética envolvendo o verão. Sedentários do ano todo assumem desafios no futebol de areia, no slackline do parque ou na simples caminhada do final de tarde. E sem falar nos surfistas. Jesus coroado abençoe os surfistas! Com suas pranchas frenéticas pra cima e pra baixo, a procura da onda perfeita – apenas para dar de cara com a velha frustração de todo verão, quando quase sempre o mar é flat, e se não é, tá crowdeado. Mas isso também não é problema, no verão dos solteiros. Tem sempre uma pá de gatas na areia, prontas para oferecer um ombro “amigo” àqueles corpos salgados (me escolhe!). Verão é uma delicia porque vem temperado com suor e por Iemanjá. Endorfina, feromônio – haja coração pra tanta química.

Verão tem churrasco onde os amigos dele se juntam com as suas amigas, e pode até faltar carvão, mas nunca o sexy appeal. Na piscina sempre cabe mais um corpo nu. Tem trilha (e amasso) no meio do mato. Tem música pra fazer o almoço, janta, chalaça e amor. Banheiros são divididos por grandes turmas e camas são por vezes compartilhadas ou trocadas, tudo promovendo o intercâmbio – de momentos, de risadas, de fluídos (com exceção daqueles controlados pela camisinha! Toquinha nele!). Verão é uma bagunça harmoniosa. A gente se permite escalar as pedras da virtude, descobrir novos caminhos e reinventar as relações. A estação vira uma aventura.

E de novo, aqui não estou alegando que os casados não gozam de prazeres similares, ou que o período é apenas digno dos desempregados do coração. Não é isso. É que o verão sabe tratar bem quem ainda não achou sua cara metade. Ele oferece uma estação inteira de possibilidades a 40ºC. A gente pode até se queimar – mas não abre mão do calor que ele promove dentro de um coração solteiro.

“Vem chegando o verão, o calor no coração. Essa magia colorida, são coisas da vida” – Marina já disse.


 

Fim da sessão

Coisa de Antônia: A gente namora, mas você não sabe

No ATL Girls da Rede Atlântida o Coisa de Antônia (de Maria, de Carolina, de Tatiana, Larissa, Gabriela…) desta semana trata da habilidade feminina de criar romances… ainda que sozinha.

E você, já imaginou um amor todo seu? Pula pra lá, sua desvairadinha, e conta pra nós:

A gente namora, mas você não sabe

Coisa de Antônia: Olhos que sorriem

Pára tudo! Ai, sério. Vamos combinar. Tem coisa mais sensacional no mundo do que os sorrisos que vão além dos lábios? Não tem não! E lá no ATL Girls da Rede Atlântida eu deságuo toda a minha paixão por este espetáculo.

Pisca pra lá!

olhos que sorriem (1)

 

Coisa de Antônia: Gata Borralheira

No “Coisa de Antônia” no ATL Girls da Rede Atlântida, vamos relembrar um clássico dos contos de fada… da vida real.

Entra na sua abóbora e corre pra lá: