Quem é ela

Hoje o dia é dia dela e por isso eu peço licença para falar. Não da Antônia, esse codinome que criou como a máscara da heroína que luta pra ser. Hoje eu vou falar da Aline, afinal é o aniversário dela. E apesar deste espaço refletir muito sobre o que ela pensa,  nem tanto se aqui se vê sobre Aline. Então hoje a Antônia vai falar da Aline.

Ela é de aquário, e isso por si só já fala muito sobre ela. Tem uma intensidade que é tanto sua maior virtude, quanto a sua maior inimiga. Fala demais, pensa demais, sofre demais, analisa demais, quer demais do mundo. É irritada pela manhã, e uma pilha a noite. Há quem diga que adora o estrelato, e poucos (muito poucos) sabem o quanto ela é tímida. Ainda que tímida nunca seja um adjetivo usado para defini-la, ela encara o público com suas piadas e língua felina para lidar com o medo que sente da crítica pública. E ela odeia sentir medo. Insiste em pegar o medo pelas bolas, simplesmente porque odeia render-se a ele. E ganhou mais do que perdeu nesta briga.

A Aline nasceu no verão, e acha que muito do seu espirito reflete a estação que brindou a sua chegada. Tem água salgada misturada ao sangue, e sonhou por muito tempo em ser surfista – sonho que foi interrompido por uma quilha e quatro pontos na testa em sua primeira tentativa. Ainda assim, é no mar que ela cura a cabeça. Sonha em se apaixonar por um surfista, ou ver nos irmãos mais novos o sonho de dropar uma onda. A praia é como um divã feito de areia, onde ela guarda sua memórias mais queridas. Do tempo de campista com os pais desde a sua primeira ida à praia, aos 17 dias de idade. Assim como nas inúmeras trips com as amigas e amigos ao longo de toda a sua história.

É teimosa como ninguém. Tem o jeitinho da mãe, adora receber os amigos, cuidar das pessoas, ser gentil até com quem não merece. Ela tem o gênio do pai, de quem nunca desiste, não leva desaforo para casa, e acha que o mundo não lhe deve favores. Tem um fraco por tudo que os irmãos lhe pedem. Foi sempre a melhor amiga do seu irmão Leonardo, com quem viveu poucas e boas, e gozou de cada momento junto daquele que era tanto o seu parceiro de crime, como o seu porto seguro. Pensa no irmão todo dia, antes ou depois de sua despedida.

Tem no braço esquerdo uma tatuagem de trevo de quatro folhas com a letra “L”, uma lembrança que ela fez ainda durante a vida dele – que era canhoto – marcando na pele que o irmão era a maior prova de sua sorte. Ganhou o Mateus e o Murilo já na idade de ser mãe, então tem por eles um misto de amor fraterno e materno. Mas reconhece hoje que a dupla foi um presente de Deus, para ajuda-la nas despedidas da vida, já que ela nunca se virou muito bem sem o irmão.

É arriada quase sempre – adora tirar sarro, irônica mais do que gostaria, e braba muitas vezes. Dá papo reto nos amigos. Carregaria camelos nas costas pelo deserto, se soubesse que poderia defender as pessoas que ama de todo mal. Sofre quando não consegue, e ainda tá aprendendo a deixar estar. Ela odeia confiar no destino para ver o curso da história se ajeitar, mas aprendeu a acreditar no tempo a duros tapas na cara. O tempo hoje manda nela, pois já entendeu que ele rei de toda cruzada.

No amor teve boas e péssimas lições. Já esteve com a cara no fundo do poço para então entender que cavava na direção errada. Aprendeu muito do que quer, mas principalmente o que não quer de um companheiro. Não tem pretensão de casar, mas se casasse seria na praia, com flores no cabelo, e num altar com o melhor amigo. Ainda está aprendendo a aceitar carinho, odeia que tentem mandar nela, mas é só pedir miando que ela entrega tudo de melhor numa boa. Ama sexo, falar dele, aprender com ele, e acha que ainda vai se divertir muito com o tema. Na cama ou neste divã.

Descobriu-se feminista há pouco tempo, e tem aprendido a importância de fazer desta uma de suas bandeiras. Por ela, e por todas.

Formada em publicidade, sempre teve um fraco para as artes. Ama musicais como o ar que ela respira. Já dançou, já fez teatro, já pintou e hoje escreve. Escreve como forma de terapia, pois na palavra escrita enxerga o espelho da alma. E foi escrevendo que se viu conectando com o mundo, lugar que ela adora explorar. É uma viajante fervorosa, ama o desconhecido como forma de se conhecer. Têm saudades eternas de Londres, lugar que chamou de casa e de amor por algum tempo. Mas adora voltar para o colo da família, sempre que possível. Tem a língua presa. Bebe, fuma e fala palavrão, e não se orgulha de nenhum dos três. Mas também não se envergonha.

Estreou no mundo aos 30 dias de janeiro, e hoje completa 32 anos. Se perguntar a quem a conhece, dirão que sua maior característica é a determinação. Para ela, determinação é apenas um reflexo do seu jeito errante de levar a vida. Ela sabe que está aprendendo, e que desistir, é perder uma oportunidade de fazê-lo. E aprender, é uma das poucas coisas que ela não abre mão. É uma sonhadora incorrigível. O nome dela é Aline, que do latim quer dizer “de linhagem nobre”, mas a única nobreza que ela leva, é aquela que carrega dentro do peito. Se preocupa em juntar histórias, mais do que dinheiro.

Precisou da Antônia para se apaixonar por ela mesma, mas hoje sabe que não trocaria de lugar com ninguém. E nesse aniversário, talvez seja justamente esse o maior presente que ela poderia dar a ela mesma. Esse é o seu feliz aniversário. E ela adora fazer aniversário.


Fim da sessão especial de aniversário.

Presente. Presentes são coisas que a gente dá para aniversariantes para lembrá-los de celebrar o PRESENTE DA VIDA, lembrá-los de viver o presente. E considerando que ela entrega tanto do seu presente para este divã, a Aline se deu o direito de pedir um presente de aniversário a todos vocês.

Do dia 30 de janeiro, o aniversário dela, até o dia 15 de março, o aniversário do Leonardo, ela gostaria de pedir de presente uma DOAÇÃO DE SANGUE. Ano passado reunimos 72 doações durante a campanha de aniversário do Léo, e esse ano temos a meta moral de superar esse número juntando os dois aniversários, e para isso precisamos da ajuda de vocês. Queremos celebrar a vida com um pouquinho da sua. Faça uma doação no ponto de coleta mais próximo, tire uma foto, publique ou envie sua foto para o blog com a #meuPresenteÉminhaVida  e convide um amigo para participar. Juntos, vamos ajudar mais pessoas a comemorarem os seus aniversários. Tem presente melhor que esse? Contamos com vocês – não deixe a aniversariante na mão!

#meuPresenteÉminhaVida

Não diga “eu te amo”, diga “vamos viajar”.

Já faz algum tempo que viajar mudou a minha vida, como poucas coisas neste mundo conseguiram. Eu sei, oportunidades de emprego são maravilhosas, conquistar algum poder aquisitivo também, um pedido de namoro é algo especial, mas nenhuma destas conquistas fala tanto com o meu coração cigano, quando um convite para pegar a estrada.

Eu fui do tipo de viajante dita “loba solitária”. Não que eu não quisesse ninguém comigo, do contrário, eu viajei muito sozinha justamente para me pré-dispor a conhecer pessoas. O fato de botar a mochila das costas e marcar um encontro com o mundo proporcionou-me conhecer algumas das pessoas mais fantásticas que tive o prazer de cruzar. E eu celebro os amores e amizades que espalhei por aí até hoje, num misto de saudade e euforia a cada novo contato.

Mas algo sobre convidar alguém para viajar faz o meu estômago dar cambalhotas e cair em espacato. Primeiro porque viajar é um ato que por si só exige muita coragem. Você sai da zona de conforto, e isso exige todo tipo de preparo mental para os perrengues do caminho.  Viajar acompanhado exige um preparo ainda maior. Sim, porque você se vê obrigado a discutir como resolver cada situação e concordar com as soluções necessárias a cada novo dilema. É como consertar a roda da bicicleta enquanto anda nela. Viajar acompanhado é abrir mão do que “EU” quero fazer, e achar harmonia no que “NÓS” iremos fazer. E para uma viajante independente como eu, abrir mão de algo no momento mais egoísta da vida – aquele tempo que eu tiro para desbravar o mundo – é o maior ato de altruísmo que alguém pode esperar de mim.

A exemplo das maravilhas de dividir estes momentos, eu posso citar a sensação maravilhosa de chegar numa praia nunca explorada antes e olhar para o lado e ver a boca cheia de dentes de uma melhor amiga no maior sorriso do mundo. Talvez o sorriso seja mais belo que a própria praia. Dividir a cama de um hostel com aquela sua outra amiga que fez questão de te encontrar num pais distante (mas que esqueceu de fazer uma reserva) pode ser considerada uma forma de amor também. Segurar na mão de alguém enquanto admira a vista de uma alta colina na Escócia tem o mesmo frisson de um orgasmo. Beijar sob luz das estrelas e ver acompanhada o sol nascer na ilha grega de Ios, é uma memória que jamais vai se esvair da minha mente.

Então perceba que viajar é um ato de amor próprio. E dividir esses momentos especiais é algo sublime.

Na semana passada eu me despedi de alguém que conquistou rapidamente um lugar no meu coração. E como eu sou masoquista fui até o aeroporto dizer o meu “até breve”  – aeroporto, aquele lugar que sozinho já me desestabiliza. E nesse exercício de ir embora e deixar ir embora, eu fiquei para trás no portão de embarque lembrando-me de tanta gente que amo e que em algum momento já se despediu de mim. Naquelas despedidas, me dei conta que muito mais do que dizer “eu te amo”, eu dizia “te espero lá, vem viajar comigo”. Era esse o meu jeito de dizer que amava – provando que eu estava disposta a dividir o melhor do mundo com aquela pessoa – seja ela pai, mãe, irmãos, amigas, amores.

E isso aconteceu comigo mais uma vez nesta semana, mas desta vez eu estava do outro lado da mesa da proposta. Lá da Austrália, eu ouvi a minha frase preferida “ei lindona, vamos viajar, vem pra cá passar um tempo comigo”. Pronto! Talvez um convite de casamento não tivesse me arrancado uma euforia maior. Comuniquei uma amiga sobre a proposta, e ela disse “vem pra cá mesmo, eu te ajudo com a passagem”. Eu tive dois convites de amor em um mesmo dia. Eu pude jurar que eu era a garota mais sortuda do mundo.

Não sei o que acontece com o meu peito nômade, mas essa proposta tem um poder sobre mim como nenhuma outra. Talvez porque eu sei que viajar junto dá trabalho. Ou porque eu tenha certeza que as memórias de uma viagem são intensas, especiais e marcantes. Ou simplesmente porque o meu ideal de relação envolva justamente a ideia de alguém querendo me entregar o mundo, de celebrar meu anseio por liberdade e de querer me ver dançar a alegria de conhecer novos territórios. Pode ser que seja porque eu sou a melhor versão de mim com uma mochila nas costas, e o amor seja mais convidativo. Ou apenas porque eu sou louca por viajar e nenhuma outra analogia seja necessária.

De qualquer forma, não importa se a viagem é até a praia logo ali, ou se o convite é para atravessar o mundo. Eu não me preocupo se um lance é um lance, ou se vai ser romance. O convite não precisa vir de um amor arrebatador, pode ser um amigo, ou alguém que tenha saudades. Amor para mim fica óbvio com a sugestão de visitar essa minha velha amiga chamada estrada. Receber um convite meu para uma viajem, é, sem dúvidas, ter a oportunidade de ocupar o lugar de maior prestígio na minha vida. Não precisa de promessas de amizades eternas, juras de amor, alianças ou outras provas tradicionais de carinho.

Só dois passaportes e o mundo.

Então se quiser provar que ama um viajante, não diga “eu te amo”. Diga “vamos viajar”. Eu tenho certeza que ele vai amar e arrumar as malas correndo. E neste caso, não responda “eu te amo também”, diga “eu estou indo!”.

Fim da sessão.

Ele é de câncer

Não sei o quanto a influência do cosmos interfere na relação das pessoas, mas nunca neguei a forte presença de aquário na maneira como eu levo a vida.

Já tive virginianos que ferraram com a minha estrutura, em compensação três das mulheres que mais amo e me toleram são do mesmo signo. O meu irmão e também melhor amigo era de peixes, o que fazia sentido já que ele – de peixes- e eu – de Aquário- nos completávamos. Ao contrário, é claro, de muito pisciano que eu já quis matar por viverem no mundo da lua. Ou seja, o horóscopo acerta e erra comigo o suficiente para que eu tenha as minhas dúvidas.

Mas ele é de câncer e acredita no poder das estrelas. Emotivo e intenso, disse que a culpa é do elemento água que rege sua personalidade. Ele me explica que eu sou elemento ar, mesmo sendo de Aquário, o que pra mim não faz sentido. Pouco de câncer faz sentido pra mim. Ele não disputa com a minha liderança como alguém de Leão faria, pois vaidade não é o negócio dele. Tem tantas perguntas sobre a vida quanto Libra, e a energia por metas e novidades como um Ariano. Ele é fiel como Touro, entretanto não gosta de ciúmes. Ele é de câncer, o que é uma incógnita pra mim.

Eu tento ler seus olhos claros, que ele jura que são verdes, mas que eu juro que ficam azuis quando ele está feliz. Talvez seja uma coisa de câncer ser camaleão, em que nem uma coisa óbvia como a descrição dos olhos é simples com ele. Gosta de atenção, e nisso eu culpo o signo – carma também dos meus irmãos gêmeos e de uma amiga manhosa que Londres me deu, todos cancerianos. Ele é de câncer e tem o coração brincalhão. Faz carinho numa hora, e na outra coloca um dedo lambido na sua orelha provando que quem é de câncer não envelhece. Finge retirar a pinta que eu tenho embaixo do lábio e coloca em algum ponto do próprio rosto, em meio à gargalhadas. Ele tem a inocência que alguém de Escorpião consideraria tolice, mas ele é de câncer, so he doesn’t care.

Ele é de câncer, e como todo canceriano, é caseiro e gosta de família. Mas ele admira a minha habilidade social e meu interesse constante pela muvuca, ainda que ele esteja longe de ser um ermitão. O caranguejo dele não apresenta riscos de me machucar, e eu não sei porque isso me atrai, já que eu sempre tive o dedo podre de escolher quem apresentasse a maior probabilidade de me magoar. É observador, e diz que eu sou linda assim que eu acordo, com o rímel que eu insisto em não tirar e que pela manhã me borra até a altura da minha bochecha. Diz que meu cabelo é sensacional, mesmo quando tenho a franja grudada na testa pelo suor provocado pelo calor do sol do meio-dia ou daquele que ele provoca a meia-noite. Ele é de câncer, e parece ser meio louco quando gosta das coisas que eu mais abomino em mim. Mas confesso que “linda” é um estado de espírito que me desperta sempre que o adjetivo cai da boca dele, seguido de um beijo demorado.

Ele é de câncer e sua sensibilidade por vezes beira o descontrole, por isso ele diz que eu sou racional. Logo eu, racional. A dona do divã. Mas eu invejo a sapequice dele e a crença que ele tem de que tudo sempre vai dar certo. Ou do encantamento de como ele olha o mundo. Prova a maturidade emocional dele quando respeita a minha rebeldia aquariana (leia “tolice aquariana”), quando ajo daquela forma de quem diz “eu não sou obrigada a nada”, e concorda que de fato eu não sou mesmo, e assim me ganha mais ainda. Exige meu tempo sem parecer vulnerável ou piegas (até porque o contrário me embrulharia o estômago).

Ele é de câncer e faz pensar que minha tão estimada liberdade é um artigo de luxo dispensável perto do que ele me entrega quando eu me jogo no seu abraço. Perigoso esse signo de câncer.

Já me peguei suspirando alto, ou sorrindo abobada quando ele me explica a força dos quatro elementos nos signos. Acho graça de como acredita que saca completamente as pessoas toda vez que descobre qual é o ascendente delas, ou de como a lua tem efeito sobre as marés e sobre o meu humor. Ele é de câncer e o efeito dele em mim me inspira. Como outros musos inspiradores que já passaram por minhas histórias. Mas ele é diferente, ele é de câncer.

E ainda que eu tenha dúvidas sobre a real influência do seu signo, se ele combina com o meu, ou até mesmo qual a verdadeira cor dos seus olhos, uma certeza fica: eu adoro o jeito como ele olha pra mim. Com seus olhos verdes ou azuis. Mas também, pudera: Ele é de câncer.

Fim da sessão.

Amores de verão

Lembro de amores de verão datando o mesmo tempo que lembro de ir para a praia. Eles acontecem como aquelas tempestades de final de tarde. Você nunca prevê quando e como elas chegam, mas sabem que elas são garantidas na temporada de férias, tal como praia cheia, milho caindo na areia e uma tostada do sol. Amores de verão estão no itinerário da estação e para eles não tem protetor – ardem e deixam marcas.

O meu primeiro amor de verão foi o Marquinhos. A gente tomava sorvete todo início de noite sob a supervisão da irmã mais velha dele. Na verdade, nós dois eramos a desculpa da irmã dele para dar um rolê, pois na maior parte do tempo em que eu tomava sorvete com o Marquinhos, a Carla, irmã mais velha dele, se amassava na praia com um garoto de tatuagem tribal no braço. A Carla voltava para o camping e me entregava para os meus pais, e depois ia para casa com o irmão mais novo dizendo que ele havia se comportado, disfarçando os lábios esfolados de tanto beijar. Eu adorava o Marquinhos e o sorvete. Mas não via a hora de queimar na mesma febre da Carla – os amores fervorosos da estação mais quente.

Todo verão, não importava a minha idade, eu me despedia de um amor de verão com juras de comprometimento eterno – de resguardar-me o ano todo. Prometia escrever e visitar. Poucos destes romances resistiam as águas de março. Ao longo dos meus amores de verão, eu fui aprendendo que eles não subiam a serra – não por uma questão de regra, mas muito mais por uma tendência. Era como se alguns calafrios pertencessem somente aquele período que a gente tira para curtir a vida. Alguns abraços só surgissem acima das dunas, e alguns beijos necessitassem da água do mar. Mas sua curta duração era proporcional a sua intensidade.

Tenho fraco por amores de verão, da mesma forma que tenho fraco pela vida que se leva na praia. Talvez porque as coisas sejam mais simples, e as decisões não tenham tantas ponderações. Tudo pode começar com um “fica comigo essa noite” ou “vamos ficar juntinhos” sem que isso soe como uma proposta indecente ou o primeiro passo para um relacionamento complicado. “Fica comigo” às vezes pode durar uma temporada. Ou tem a duração de um sol nascendo. O tempo não faz a regra aqui.

E para alguém que é um furacão como eu, que faz tudo demais, pensa demais, fala demais, analisa demais, é alívio encontrar situações que me fazem parar e esquecer do tempo. Encontrar pessoas que anulem o resto das mais de 7 bilhões de pessoas na Terra e alguns marcianos, nem que seja por alguns instantes. E os amores de verão são assim. São únicos, intensos e marcantes.

Penso que a culpa pode ser do mar. Uma influência do ambiente. Não tem nada que me desconserte mais que um banho de mar acompanhada. Não sei se é falta de roupa entre os corpos, ou se o cheiro do sal misturado com o suor. Me convidar para um banho de mar tem o mesmo frisson de um primeiro beijo. Uma adrenalina a cada onda. Acho que Iemanjá gosta de ver corpos entrelaçados, e por isso promove uma gostosa hidromassagem com o ritmo das marés para os casais recém-formados. Eu faço uma prece sincera por cada beijo salgado que já ganhei, dei ou roubei.

As vezes me pego pensando que a culpa também pode ser da areia. Um abraço a milanesa me parece ter o mesmo apelo que um bife da mesma modalidade – é uma camada a mais de gostosura. Dica: peça alguém para massagear seu pé sujo de areia –  a mão carinhosa unindo forças a milhares de grãos em uma esfoliação natural. Você vê estrelas mesmo com o sol a pico, eu prometo. E por falar em sol, não quero nem começar a falar sobre a minha percepção em relação a passar o protetor solar em curvas recém-descobertas. Pescoço, costas, aquela linha da cintura que termina no caminho da virilha, bermuda a dentro. Pedro Bial não ama tanto o filtro solar como eu, garanto.

Mas talvez o que mais me seduz nos amores de verão é a celebração da alegria do outro. Eu sou suspeita já que para mim não existe nada mais sedutor em alguém do que a sua felicidade. E férias promovem uma mudança no nosso status quo. Verão proporciona essa alegria, e assim as pessoas ficam mais bonitas, mais saborosas. Pessoas alegres são mais atraentes, não tem discussão.

Amores de verão são como aquele picolé do melhor sabor que congela o nosso cérebro, porque o tomamos muito rápido sabendo que ele pode derreter e se esvair.

Ora, mas pode ser que eu ainda esteja sob efeito do amor de verão ao ponto de super valorizá-lo. Eu ainda tenho os lábios esfolados de beijos na praia (a irmã do Marquinhos manjava dos paranauês), e a cabeça girando de tantas batidas que dei nas estrelas do céu na carona de um foguete chamado “preliminares de horário de verão” – que entregam sempre uma hora a mais. Quem sabe esse tipo de amor só exista mesmo na minha cabeça, que é apaixonada pela primeira estação do ano e tudo que ela traz.

Ou não, ou de fato estes amores sejam mesmo um fenômeno de verão, que vão e volta com as marés, mudam com o vento, ou chegam de repente como as tempestades tropicais. E se assim for, meu único desejo é deixar molhar mesmo. No mar, na chuva, ou no calor incomparável dos amores de verão.

Fim da sessão.

Sessões TOP 5

Oi gatedo!

Estou passando aqui pelo blog só para avisar que me dei essa semana de férias, e para você não ficarem com saudades, estou deixando aqui as 5 sessões mais acessadas de 2016. Aproveitem e coloquem nos comentários quais as suas sessões preferidas do ano que passou.

Mandem mensagem, mandem beijos, só não mandem mais nudes – eu tava brincando quando dizia para mandar nudes. 😉

1) É preciso ir embora

2) É preciso deixar ir embora

3) Desculpe o transtorno, mas eu cansei de falar de ex.

4) Despatriados

5) Irmã mais velha

E que venha 2017!

Fim da sessão retrospectiva.