Feminist

Hoje é a última terça-feira de março, e mais uma vez eu só tenho gratidão por esse canal. No mês em que “celebramos” o dia Internacional da Mulher, gostaria de agradecer a todos os leitores e leitoras do blog por fortalecer o meu feminismo.

Através de vocês fortaleci minha voz, promovi discussões e fiquei mais forte. E por saber que tenho muito para aprender, encerro o mês de março (mas não sua importância) através da fala de uma mulher admirável, muito mais inteligente que eu, cujo discurso não apenas inspira, mas elucida.

Com vocês, senhoras e senhores, a maravilhosa Chimamanda Ngozi Adichie: 

E se não servir, bota a Beyonce de plano de fundo para Chimamanda, e roda a baiana, linda.

 


Fim da sessão

Down, Up | Coisa de Antônia

Essa semana não podia acabar sem uma homenagem.

Pula pra Rede Atlântida e se emociona comigo, vai:

Down (1)

A mudança

Era o terceiro andar, escada abaixo. A cada degrau o sofá pesava mais nos meus braços. “Segura ele pra cima!” – minha mãe orientava. “Não consigo mais!” desabafei enquanto largava o peso morto, apoiando-o sobre o corrimão. Aquele conforto de couro, que já havia acolhido o meu cansaço tantas vezes, agora me fazia suar em meio à musculação que representa fazer a própria mudança. Mudança, essa palhaça desta constante que surge quando você achou que finalmente tinha colocado a casa em ordem. Quando você começa acreditar na existência da estabilidade, vem à mudança, sem hora marcada, dando risada dos planos que você fez e da ordem que conseguiu conquistar. Troca a musica, muda a dança. Chegou a mudança.

Eu nunca tinha me imaginado fazendo o caminho de volta pra casa da minha mãe. Possivelmente porque antes, a ideia de “retornar” tivesse um ar de retrocesso. Passos para trás. Talvez por isso uma parte de mim precisasse de um tempo para respirar antes de arrastar o meu sofá para sua nova posição, lá, embaixo do teto da minha mãe. Quer dizer, o sofá ainda era meu, mas eu não seria a única dona do pedaço. E para quem morou sozinha por mais de 10 anos, compartilhar um teto é uma tarefa – no mínimo – desafiadora. Fato é que a vida tinha nos jogado outra bola curva. Minha família, por razões tão diferentes, quanto parecidas, precisava ficar junta.

E “ficar junto” demanda esforço, como em qualquer outra família. Na minha casa, aquela que era só minha, o controle da TV também era só meu. Eu perambulava pela casa pelada, sem o menor compromisso. As tarefas diárias eram executadas conforme o meu humor, e a rotina da casa obedecia somente às minhas vontades. Neste novo e conhecido lar, não. A TV tem uma programação completa de “Masha e o Urso” e “Tom & Jerry”, alternando, em loop. Eu já não ando mais pelada pela casa, pois a divido com dois mocinhos. As tarefas diárias são compartilhadas em sintonia ritmada, e a rotina da casa obedece às necessidades da família – sem desatender ninguém.

A parte mais engraçada desta mudança, é que surpreendentemente, eu passei a ter mais prazer em voltar para casa depois de um dia puxado, do que quando eu era a única dona do campinho. É como se nesse gap de 10 anos morando sozinha, eu tivesse esquecido das delícias de viver estilo “A Grande Família”, onde tudo é de todo mundo, e todo mundo fala ao mesmo tempo. Adoro quando o meu irmão pula na minha cama, porque acordou com frio, às 6:37 de um sábado. Ou nas fofices que minha mãe faz para deixar meu quarto mais feminino. Ou sobre a arte de comermos juntos. Por que as famílias não comem mais juntas? Um universo familiar inteiro acontece entre o “passa o sal” e o “me alcança o milho, por favor”.       É amor + purê de batata!

Fazer uma mudança, é também revisitar o acumulado. Não dá pra começar uma fase nova, sem uma faxina na vida que já foi. Embalando os meus pertences, revivi muitas memórias, cheirei antigas camisetas, abracei alguns amuletos. Assim como também joguei muito do passado fora. Roupas que eu insistia em guardar, mas que nunca mais irão me servir (graças a Deus, e não ao meu bom senso). Mágoas registradas em cartas de papel amarelado. Um quadro de fotos do ex – que não pode mais ser pendurado em nenhuma das minhas paredes.

Reciclei amizades que já não somam, e coloquei plástico bolha naqueles que nunca vou jogar fora. Voltei a Europa na coleção de postais que nunca saem do meu campo de visão, e joguei pela janela (metaforicamente) extratos bancários e exames médicos. Preenchi malas, mas tentei deixar minha bagagem emocional leve. Pratiquei o desapego, pensando no espaço que preciso abrir para os novos pertences – tangíveis e intangíveis – que quero reunir. Guardar. Dividir.

Acredito que essa é a grande magia da mudança. Ainda que não planejada, ela vem e te convida a recalcular a rota. E fazendo isso… andando por caminhos desconhecidos, ou mesmo revisitando aqueles tão comuns, a gente percebe a beleza da paisagem. Mesmo que a bagagem deixe as nossas costas cansadas. Mesmo que destino nos tire da nossa zona de conforto. A metamorfose é o único pedágio.

– Tá pronta, filha?

– disse minha mãe segurando a outra ponta do meu sofá.

– Tô sim, mãe. Vambora!

– e o sofá ficou mais leve.


Fim da sessão.

Agradecimento #MeuPresenteProDrLéo

* Nota de atualização: no final da semana deste post totalizamos      71 doações; 


Apensar de cheia de palavras, me faltam verbos, substantivos e fofices para agradecer o amor, carinho e empatia que recebemos durante toda a campanha.  Mas vou tentar!

Muito obrigada pelas 65 doações reunidas com a campanha #MeuPresenteProDrLéo!!

doe (3)

Queria agradecer a todos que tentaram doar, e por algum motivo não puderam, a todo mundo que divulgou, apoiou e mandou representantes durante a coleta. Entretanto o meu agradecimento especial, como não poderia deixar de ser, é deles! Os 65 guerreiros que promoveram mais de 26 litros de amor.

  1. Adriana Gomes
  2. Alessandra Willand
  3. Alexandra Evaldt
  4. Aline Mazzocchi
  5. Aline Raupp
  6. Aloha Boeck
  7. Amanda Schenkel
  8. Amanda Talasca
  9. Ana Cristina Mello
  10. Ana Julia Monteiro
  11. Ana Teté Freitas
  12. André Luiz Konrath
  13. Andrea Pereira
  14. Andreia Nunes
  15. Ariane Cacenot
  16. Arthur Daudt
  17. Betina Mallmann
  18. Betina Vargas
  19. Bianca Bitelo
  20. Bruno Machado
  21. Carine Moreira
  22. Carlos Eduardo
  23. Caroline Bistrot
  24. Caroline Voltz
  25. Evandro Rizzoto
  26. Fernanda Costa
  27. Flavia Maria
  28. Francine Reis
  29. Geovane Schwanck
  30. Gilnei Tatsch
  31. Gustavo Leal
  32. Henrique Scalabrin
  33. Jamille Hallam
  34. Jean Ragnini
  35. Juliane Kappke
  36. Lauren Burmann
  37. Lindonira dos Santos
  38. Loredana Magalhães
  39. Louise Silveira
  40. Luisa Backes
  41. Marcelo Schilling
  42. Marcos Mendes
  43. Marcos Schott
  44. Maria José Menezes
  45. Mariana Felin
  46. Marília Schmitz
  47. Milena Demaman
  48. Minéia Vinch
  49. Mona Dall’Agno
  50. Nanny Ruivo
  51. Paola Mlanarczyki
  52. Voluntário de Pato Branco 1
  53. Voluntário de Pato Branco 2
  54. Voluntário dePato Branco 3
  55. Voluntário de Pato Branco 4
  56. Fabiana Werner (Pato Branco 5)
  57. Patricia Ferraz Neis
  58. Sabrina Padilha
  59. Sidnei Fernando Blos
  60. Suany Morais
  61. Susan Luchtemberg
  62. Tatiani Teixeira
  63. Vanderlei Camargo
  64. Vanessa Trindade
  65. Vitória Polmann

E já que as palavras escritas às vezes não transmitem a emoção, aqui vai a versão falada/engasgada do meu agradecimento:

A cobertura completa da campanha tá na Rede Atlântida através do post “Dando o Sangue” no ATL Girls – acesse o post clicando abaixo:

Dando o sangue

Obrigada demais, gatedo! Vocês são muito especiais. Assim como o meu irmão foi, e segue sendo.

Beijo grande.


Fim da sessão-gratidão SEM FIM

 

Você chegou e eu mudei

Você chegou finalmente. Nossa foi um alvoroço desde o dia que descobriram que você viria. Mamãe anunciava que um menininho chegaria. Pensei “ui, que nojo. Odeio meninos!”, no auge dos meus quatro anos de idade. Papai dizia que eu ia ganhar um irmãozinho, mas o que eu pedi foi uma bicicleta da Turma da Mônica. “Aí tem treta!”, desconfiei. E acho que não fui só eu que fiquei nervosa com a novidade, pois mamãe ficou com um barrigão de tanto comer, devia estar angustiada. Não sei pra que tanta euforia – um menino, oras! Eles choram, brigam e fedem. Eu juro que eu preferia a tal da bicicleta.

Lembro-me do nosso primeiro encontro. Antes de entrar naquele enorme prédio branco com cheiro de limpeza, papai me explicou que eu tinha que ser cuidadosa ao te pegar. “Mas eu nem quero esse moleque!”, pensei no meu apogeu de princesinha da casa. Entrei no quarto esperando te ver, mas só estava a mamãe. Nossa! Ela deve ter feito uma dieta muito boa, pois o barrigão dela sumiu. Ela me recebeu com o seu melhor abraço, alisou meus cabelos negros e me beijou a ponta do nariz. Disse que estava com saudades e que tinha alguém que queria me apresentar. “O menino?” (ugh! Que nojo). “Sim, o seu irmãozinho. O nome dele é Leonardo!”. Naquela hora uma moça de branco entregou um pacotinho para a mamãe. “Ai meu Deus, o pacotinho tem mãozinhas!!!” – exclamei. O pacotinho era você.

Você não era nada como os moleques que eu conhecia. Não fedia e nem brigava. Mas chorar sim, isso você sabia fazer bem feito. Tinha a cara amassada e um ar de bronquinha. Papai te botou no meu colo, comigo sentada no sofá do quarto da mamãe. Segurei-te com meus pequenos braços morrendo de medo de te machucar. Como alguém podia ser tão pequenininho e frágil? – pensei. Você chorou e esperneou, enquanto papai e mamãe tentavam não parecer preocupados com um possível primeiro tombo. Então beijei a ponta do teu nariz e te disse “não precisa chorar, tua irmãzinha tá aqui”. Você parou de chorar. Deu uma resmungada de leve e dormiu. Aí quem chorou foi o papai e a mamãe – “mas que família mais chorona”, disparei.

Você chegou e eu mudei. Mudei para algo que não sabia definir. Eu me sentia responsável por ti como a mamãe, mas diferente. Você virou meu amiguinho, mas diferente. Era também como um brinquedo –uma boneca, mas diferente. De repente me vi generosa com minhas guloseimas e joguinhos. Aprendi a ter força pra carregar a tua gordice fofa. Vi-me policiando teu sono, vigiando teus primeiros passos cambaleantes, e disfarçando o resultado das tuas travessuras, como a vez em que tu enfiaste a gata Juma na bacia de roupas da mamãe. Expliquei-te que gatinhas não gostavam de água, muito menos de Quiboa. Você sorriu o sorriso de olhinhos japoneses e lambeu a minha bochecha. Acho que era para ser um beijo, mas precisava de mais prática.

Você saiu das fraldas e cresceu em duas piscadas de olhos. E eu não preguei mais o olho direito, desde que você ganhou o mundo. Não cabia mais na proteção do meu colo, mas sempre voltava pra segurança do meu abraço. Continuou com a cara de pidão sempre que queria algo meu, e eu desaprendi a pedi-las de volta. Não te dava mais minhas guloseimas, mas a minha energia, e o meu tempo. Ser irmãzinha me parecia uma tarefa árdua, cansativa, eterna e intransferível. Mas se alguém tentasse ocupar o meu lugar, arrancar-lhe-ia os olhos com minhas próprias mãos.

Você chegou e eu mudei. Mudei para melhor porque entendi o que era companheirismo. Compaixão e responsabilidade. Fui ensinada na marra o que era tolerância, paciência e perdão. Você chegou e eu mudei, porque aprendi a dividir, compartilhar e consensar.  Você chegou e eu mudei porque passei a valorizar cada gesto de carinho, abraço, beijinho e lambida. Você chegou e eu passei a ter orgulho da tua trajetória, desde a criança ranhenta, até o ser humano adulto que me inspirava tanto quanto buscava inspiração. Você chegou e eu mudei, para nunca mais ser a mesma. Você chegou e fez de mim, hoje e para toda a vida: irmã.

Fim da sessão.


Não foi só o Leonardo que nasceu no dia 15 de março. Eu nasci irmã, junto com a data. E hoje, além de uma saudade imensa, sinto uma eterna alegria de ter me transformado na irmã que ele quis, pediu e mereceu. Feliz aniversário, meu irmão. Aniversário da vida linda que eu pude compartilhar. E feliz aniversário para mim, que desde a tua chegada, tenho a mais estimada das honras, que é ser irmã.

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#ViajoSozinha | Coisa de Antônia

#‎ViajoSozinha‬. Como um ato heroico neste mundo-homem. Viajo porque gosto. Porque preciso. Viajo sozinha em despeito a quem acha que é dono da minha gaiola, ou do meu corpo livre. Como Maria José e Marina, eu me arrisco a afrontar este mundo sendo feliz em movimento – e quando digo “arrisco”, é pelo simples fato de ser mulher, viajante e ‘sozinha’. “

Leia  mais no ATL Girls da Rede Atlântida clicando na imagem abaixo:

Coisa de Antônia (4)

O mundo é seu, mas não ande sozinha.

Eles dizem que o mundo é nosso, mas que não podemos andar “sozinhas”. Viajar sozinha. Ir até a esquina sozinha. Precisamos do “Vamos Juntas” para o simples ato de transitar.

Eles dizem que ser mãe é uma dádiva, mas impedem a tua escolha, marginalizando aquelas que optam pelo contrário. As mesmas pessoas que condenam o aborto, muitas vezes são desprovidas de um útero, ou mesmo da responsabilidade com a paternidade, já que o aborto masculino é legalizado de longa data.

Eles sexualizam o ato de amamentar, na mesma proporção que cobram tua responsabilidade como mãe.

Eles elogiam o vermelho do teu batom, mas negam o roxo da tua pele. Aquele que surge sempre que você “cai no banheiro” ou “tropeça na escada”.  Eles criticam o vermelho do teu batom, que é muito vermelho, o que caracteriza a tua falta de pudor e teu ar libertino. Puta, tu só podes ser.

Dão-te flores no trabalho, e um salário menor do que os colegas que vestem cuecas.

Se for negra, ou gorda, ou lésbica, teu valor será dado como inferior. Matam-te nas periferias, com a velocidade da internet 3.0, que diz que o mundo anda politicamente correto em excesso. Promovem a gordofobia, pois tuas curvas não cabem dentro de limitados padrões e da miopia de quem não entende nada sobre diversidade. Te agridem por gostares de mulher, porque teu problema é mesmo falta de pau.

Eles celebram a mulher moderna e decidida, mas condenam-na pelos shortinhos, saias, decotes, biquínis, tapas-sexo, burcas.

Vestem teus trajes no carnaval, e apedrejam outras mulheres que um dia nasceram homens.

Gostam da tua sensibilidade, te ridicularizam quando estás sensível.

Tua opinião é bem-vinda, desde que seja respaldada da razão masculina, ou o teu discurso alternará entre o “papo de mal comida” ou “de vagabunda”. Impressionante como a opinião feminina tem relação direta com a sua frequência sexual.

Serás exigida ser uma dama na sociedade e uma vagabunda na cama, enquanto muitos deles se comportam como querem na sociedade, e pouco se importam com o que queres na cama.

Alegam que somos sagradas criaturas aperfeiçoadas da costela de Adão, mas estupram os templos de Eva por que “pedimos por isso” através de nossa indumentária ou atitude.

Celebram nossa divindade de gerar a vida, enquanto a nossa própria é constantemente assediada, humilhada, mutilada, vendida, explorada, marginalizada. E com este tratamento que recebe um grupo sub-humano, um resto de gente, uma insignificância, não hei de celebrar o dia da mulher.

Dia 08 de março é um dia de luta, não deixe-se enganar pelas flores. Sim, nós somos maravilhosas! Mas lembre-se de o caminho pela igualdade é longo e árduo. Nós temos muito que revindicar, proteger, preservar. Que este dia sirva para reforçar de que juntas , somos muitas. Aliás, somos metade da força que povoa e movimenta este planeta. E mãe da outra metade. Tá mais do que na hora de botar ordem na casa.

E se o mundo é mesmo nosso, guerreemos para ter a segurança e liberdade de andar por ele sozinhas. Sozinhas, e mesmo assim, uma ao lado da outra.


Fim da sessão.

“Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida”

Milton Nascimento

Aos meus erros, obrigada.

2016 tá me parecendo meio zicado sabe? Além do pandemônio em volta do zika vírus, a economia parece que segue doente, a política celebra o grande circo que sabe ser, e o social anda em pé de guerra com o politicamente correto. Sim, o Leonardo di Caprio finalmente ganhou o Oscar, (e teve que ser devorado por um urso pra isso), mas no resto do nosso drama diário é outra história. Chego a alegar que pensar em dias melhores, às vezes é digno de Glória Pires, “não sou capaz de opinar”.

Desde que decidi deitar no divã pela primeira vez, me vi enfrentando a difícil tarefa de desassociar do outro, as consequências negativas na minha vida. Assim, foram anos enfrentando crises e encarando problemas pessoais, numa análise profunda de causa e consequência, efeito e ressonância. Após muito treino, foi tornando-se  natural o processo de assumir os meus próprios erros, e deixando de responsabilizar os outros por eles. De certa forma, eu passei a entender que as minhas quedas eram muito mais tropeções, do que rasteiras. Afinal, se eu sou a autora da minha vida, como posso entregar a caneta a outrem?

Ainda que vivendo em dias tensos, não consigo desacreditar que a solução das minhas angustias está no outro. Óbvio que eu também me indigno com o ICMS, a falta de incentivo à educação e funk “Tá tranquilo, Tá favorável” (até porque não tá nem um nem outro). O que eu não consigo pensar é que chorar num cantinho frente às dores do mundo, vai resolver qualquer uma das minhas.  Até porque ter raiva de alguém, só causa efeito em mim, e não colabora para solução de dilema algum. Culpar meu trabalho da minha falta de dinheiro, não faz cifras extras entrar na minha conta. E praguejar o meu cupido, não coloca Mark Ruffalo na minha porta (eu sei que ele é casado, mas uma garota pode sonhar). Então veja que depositar em outros ou em outras coisas, as nossas frustrações, é tão eficaz quando mascar chiclete pra curar dor de cabeça.

O que reparei nessa mudança de sistema, é que uma vez assumindo que eu sou responsável por todo desvio na minha jornada, eu também me tornava dona do leme, e mais preocupada em aprender o meu caminho. Não que eu não comemore meus acertos, e os divida com outras pessoas. Sim, eu celebro as minhas conquistas e compartilho os meus méritos. Os erros não. Os erros eu quero que sejam somente meus, pois através deles costumo aprender mais e melhor. Os erros me fazem mais esperta. Ajudam-me a desacelerar o carro, a pagar minhas contas em dia, a fazer exames preventivos. Os meus erros me tornam mais tolerante com os erros dos outros, afinal, quem nuca?  O que não quer dizer que eu preciso errar sempre para aprender. Mas confesso que algumas das lições mais difíceis e duras que aprendi, foram em momentos de distresse, e de juntar a própria carcaça do chão, pra começar tudo de novo. Ou seja, os erros me tornaram mais resiliente. Persistente no caminho do sucesso. Ou até teimosa, como diria a minha mãe (claro que teimosa é ela, que teima comigo).

A desvantagem de assumir os próprios erros é a baixa tolerância ao mimimi alheio. Quando você passar a pegar as suas limitações pelas bolas e encará-las de frente, é difícil ter respeito por quem transfere toda e qualquer culpa de seus infortúnios. “O meu trabalho não me reconhece/promove/dá aumento”. “O meu relacionamento terminou por causa das amigas/filhos/manias dela(e).” “Eu não emagreço”. “Meus pais não me incentivam”.”Eu sou mesmo um azarado (sobra até pro cosmos)”. Ok, a vida sabe ser dura às vezes, mas passar por ela justificando baixo rendimento ou infelicidade é assumir uma atitude perdedora. E o que mais desmotiva em lidar com pessoas como estas, as reclamistas, as mimimis, as eu-não-tive-uma-chance, as a-culpa-é-da-vida, é que elas limitam por completo seu poder de aprendizado ou superação. Não tem como você aprender com os erros, se você transfere a responsabilidade deles pro vizinho/mãe/ex-mulher. Errar dói, sim, assim como aprender e crescer (e aparecer). Agora o que pode condenar alguém ao conformismo e dodoísmo por uma eternidade, é transferir pros outros a única possibilidade de mudar o rumo das coisas na própria vida.

Então eu vim aqui solenemente agradecer a todos os meus erros, que moldaram uma versão melhor de mim mesma. Vocês, meus professores dedicados, de castigos adequados e lições valiosas, a vocês a minha sincera gratidão. Através de vocês, meus deslizes, mancadas, enganos, equívocos,  eu calibro a minha expectativa e compaixão. Eu compreendo o valor dos meus acertos. E a medida da minha força. Através de vocês, eu me torno dona única e exclusiva do meu sucesso, dos meus sonhos e da linda história que quero escrever. Aos meus erros, muito obrigada.

Agora, você que tá aí, sentando no cantinho, chorando com as baratas, se quiser continuar dizendo que a responsabilidades dos desacertos não é sua, pode ficar bem à vontade. Afinal a culpa é sua, você joga ela em quem quiser. 😉

Fim da sessão.