Coisa de Antônia: Mandingas Infalíveis de Ano Novo

Hoje no ATL Girls da Rede Atlântida decidi antecipar o último post de 2015 do Coisa de Antônia para você se preparar para 2016. Selecionei uma relação cabulosa de magias e feitiços para você conquistar tudo que deseja no ano que inicia. Não acredita? Dá 7 pulinhos já pra lá:

Mandingas Infalíveis de Ano Novo

1 ano de Antônia no Divã

O primeiro aniversário é sempre muito especial, e este não poderia passar em branco. Hoje eu vim aqui, não atrás de um texto como de costume, porque queria olhando no olho de todos vocês dizer muito obrigada.

Obrigada por segurar na minha mão naquele que foi o ano mais difícil da minha vida. Obrigada por viver intensamente comigo este  1 ano de divã. A vocês meu sincero e carinhoso: Muito obrigada!

Fim da sessão – e do ano!

Inspiração contagiosa

Uma das grandes maravilhas do ser humano é a sua capacidade de reciclar a fé na vida. A esperança parece uma daquelas mudinhas que nasce em meio a uma rachadura no concreto ou no asfalto, sabe? Sob as condições mais improváveis de sobrevivência, vinda lá debaixo da dureza do curso da vida, ela insiste, empurra, renasce. Ela força a saída para a luz, alimentando-se da sede de prevalecer. Ela não se deixa amassar pela pedra, ela não se acomoda com a escuridão. Perseverar é um ato heroico por parte da mudinha. E exatamente como ela, é cada um de nós. Somos movidos a perseverança, resiliência. Instigados a acreditar.

Esse processo de luta pelo canudo do meu irmão provou que a inexistência da afetividade significa quase nada enquanto houver empatia. “Empatia é quase amor”, neste caso. Gente que não conhecia a nossa família, pessoas que nunca ouviram falar do meu irmão, indivíduos que jamais tinham falado comigo antes do meu pedido público. Um mar de rostos desconhecidos (além dos conhecidos), soltando seu latim na internet e chamando a atenção da mídia em prol de um bem que sequer lhes traria algum benefício. O benefício estava em ajudar, ser parte de algo que faria bem a outra família. Um canudo, um abraço, o reconhecimento. O que fosse. A minha família virou a família de tanta gente, e o nosso pedido virou o pedido de muitos. A empatia sabe ser a coisa mais linda deste mundo, não sabe?

E aqui aconteceu um processo interessante de inspiração retroalimentada. A nossa luta foi admirada e com o encorajamento da torcida, a nossa esperança – como a mudinha – prevaleceu. E o contrário também foi verdadeiro. Em resposta ao nosso pequeno ato heroico, daquele que força a passagem pelo concreto (leis, protocolos, tudo muito concreto), outras pessoas tomaram atitudes lindas. Recebemos ofertas de inúmeros advogados querendo operar pro bono na nossa causa, mesmo sabendo que já estávamos legalmente amparados. Pessoas linkaram seus contatos da mídia conosco na tentativa de fortalecer uma opinião publica favorável. Emails e mensagens de apoio foram enviados de todo o Brasil e de fora dele. Pacientes do meu irmão nos procuraram para contar de suas experiências, no intuito de reforçar a nossa (já gigantesca) admiração pelo Leonardo. Amigos voltaram a se falar, pois colocaram a nossa despedida em perspectiva. Pais que perderam seus filhos se fortaleceram com a nossa história, nos agradeceram e abraçaram. Sem qualquer pretensão de inspirar – talvez apenas ao Murilo e ao Mateus no que diz respeito ao amor fraternal  – ainda assim, sem objetivamente querer transformar nossa história, em um ato de inspiração, inspiramos.

“O mundo ainda tem jeito” – uns disseram. “Que coragem é essa?” – perguntavam outros. “Esta família é prova de amor, força e lealdade” – admiraram-se os demais. Veja que isso nunca foi o nosso plano. Disseram-me que eu era uma irmã de ouro, contudo o meu reconhecimento pessoal nunca esteve no meu pleito. Ou no de qualquer integrante da minha família. Queríamos tão somente manter intacta a consistente fonte de apoio que sempre fomos para o Leonardo.

Acontece que quando o coração da gente está no lugar certo, coisas admiráveis acertam. E inspiram outras pessoas. E cá pra nós, o mundo está mesmo precisando de histórias de gente que não desiste. Gente que se doa. Que pede ajuda de coração aberto. Jamais teríamos conseguido o reconhecimento da faculdade se tivéssemos nos resumido exclusivamente aos nossos recursos. A esperança requer humildade. É a extensão do próprio coração, pegando emprestado o amor que há no outro. Não surpreendentemente, a parte mais bonita da inspiração, é que ela é contagiosa. Atos de bondade inspiram outros atos de bondade. A coragem do outro, engrandece a nossa. A perseverança alheia encoraja a nossa própria tenacidade. A inspiração contagia.

E estes exemplos não precisam ser majestosos atos públicos ou demonstrações imponentes de nossos mais estimados predicados. Não mesmo. Pequenos atos de amor e bondade mudam o mundo. E eles inspiram tantos outros. Nós não precisamos ser gigantescos nas nossas ações, apenas regar a esperança com extraordinárias doses de perseverança e lealdade – como a mudinha, nascendo em meio ao concreto. A mudinha que em si, é pequena. Mas que é oxigênio para a nossa caminhada,  por caminhos muito mais floridos e verdejantes.


Fim da sessão

É preciso lutar

O dia 18 de dezembro de 2015 foi esperado e planejado pela minha família durante seis anos. Para a data estava agendada uma grande festa, em celebração a maior das conquistas, a formatura de medicina do Léo, irmão e filho querido, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Veja que tudo mudou há dois meses. Após um mal súbito, aos 26 anos, nosso garoto de ouro veio a falecer. E quando digo garoto de ouro me refiro ao seu bom coração, seu altruísmo, e dedicação com tudo que fez em seu tempo aqui neste plano.

Após a partida do Léo, reunimos as poucas forças que nos restavam para atender um único pedido. Queríamos o canudo dele. E pedimos a PUCRS que ele fosse entregue a família na formatura. Passaram-se então 60 dias excruciantes num jogo de empurra-empurra de responsabilidade. Hora  a definição era responsabilidade da direção da faculdade de medicina, hora era do jurídico, hora da comissão de formatura. Foram-nos apresentados todos os empecilhos, nos solicitaram apresentação de documentos adicionais, foram levantadas algumas dificuldades com a turma, tudo sendo resolvido pela família e advogados a cada passo numa espécie de gincana agonizante contra o tempo. Dia 17, a 30 horas da formatura, nosso pedido foi formalmente negado. A justificativa? O Léo não teria concluído as duas últimas cadeiras do curso. Ele não tinha presença nelas. Simplesmente porque faleceu. Ele rodou por faltas porque partiu para o céu. Ficamos arrasados. Por nós, e pelo meu irmão.

E aqui entendam, que o meu irmão não era qualquer aluno. Não que lhe coubesse qualquer privilégio, para nós a entrega era um direito e um tremendo bom senso. O Leonardo foi presidente do diretório acadêmico Garcia Prado, quando lutou ativamente pela redução do aumento das mensalidades, pois acreditava que o curso de medicina deveria ser acessível e não impossível aos menos privilegiados, alem de batalhar por inúmeras melhorias dentro da universidade que escolheu. Foi conselheiro do DU-AMGRIS. Fez estágio no renomado Jackson Memorial Hospital da University Miller of Miami. Reuniu mais de seis mil horas de atividades complementares como participante e organizador. Escreveu artigos para revistas de medicina nacionais e internacionais. Foi contemplado com uma bolsa de MD-PhD antes mesmo da formatura. Seria Dr. com PhD em neurociência. Colega querido de todas as ATMs. Aluno respeitado por toda a Famed. Teve uma passagem irretocável de seis anos na PUCRS. Sua ausência nos últimos dias de faculdade não foi opcional.  O canudo já era dele. Bastava a PUCRS entregar-nos.

Evidente que dentro da legislação e regimento interno a PUCRS não feria a nenhuma lei ou norma. Estava completamente respaldada por seu estatuto. Ainda entendendo sua posição, precisávamos lutar até o final pela humanização do nosso pedido. Acreditávamos que a entrega do canudo era uma forma simbólica de reconhecer os feitos do Leonardo e mais uma vez pedimos a universidade reconsiderasse. Faltando pouco mais de 24h para a solenidade, recorremos às redes sociais pedindo apoio. Em um país que clama por educação, um aluno deste calibre não receber o reconhecimento de uma faculdade católica, na área de ciências humanas, no curso de medicina que é forjado pela empatia, nos parecia desumano e contraditório. Para nós e para a comunidade com quem o Léo se envolvia. A comoção na internet através da hashtag #PUCRSentregueOcanudo foi a prova disso. Foram milhares de compartilhamentos por todo Brasil, chamando a atenção da mídia e também da própria faculdade. O perfil de Facebook do Léo acabou sendo desativado pelo próprio site, quando recebeu tanta atenção (e dada a sua condição atual). O evento virtual de apoio na mesma rede social, reuniu mais de cinco mil participantes em poucas horas. Evento que foi cancelado prontamente quando soubemos que a turma e também a PUCRS temiam uma presença física massiva em protesto na solenidade. Cancelamos o evento no Facebook (onde estava claro tratar-se de um apoio puramente virtual) em respeito aos formados da turma do Léo e suas famílias – não queríamos que temessem que a alegria de sua formatura fosse comprometida de alguma forma. Eles sentiram em poucas horas de aflição, o que sentimos durante 60 dias, e nunca desejávamos isso a eles. Ou a nós.

Na cerimônia estávamos todos lá, vestindo o jaleco branco do Léo através de camisetas personalizadas. Explicamos ao Murilo e ao Mateus, meus irmãos e do Léo que tem apenas cinco aninhos, que muito embora tivessem treinado em casa a retirada do canudo do mano com o controle remoto, não haveria o esperado momento. Para minimizar nossa frustração, levamos nossos próprios canudos, em forma de nosso respeito ao futuro doutor. Após a homenagem dos alunos da turma através de vídeo e menção em discurso – discurso que o Léo faria se estivesse aqui – levantamos nossos canudos e dissemos ao alto “Léo este canudo é teu”. Queríamos que ele soubesse que embora a universidade nos tivesse negado a entrega de qualquer coisa, onde ele estivesse, teria a certeza de que o canudo era e sempre foi dele.

Mas nem tudo estava perdido. Algo aconteceu, que só acontece nas boas histórias. Uma reviravolta. Representando a PUCRS, o Sr. Dr. Jefferson Braga, mestre de cerimônia da solenidade anunciou com voz engasgada e feições de alta emoção, que sua posição superior na mesa de formatura lhe garantia algumas vantagens. Quebrando o protocolo da cerimônia, chamou a família do Léo para entregar-lhes não um canudo, mas um abraço. A musica do Léo foi tocada, e lá junto aos seus colegas, a família do Dr. Leonardo Mazzocchi sentiu sua presença mais forte. Lagrimas e aplausos em pé calaram a nossa dor por alguns minutos, e de alguma forma, estávamos em paz. Em meio a tanta emoção, alguém não esqueceu o nosso objetivo principal. Chorando muito no colo da mana, o Murilo, com toda a sua sabedoria e sensibilidade de quem é fã do irmão, levantou o canudo improvisado sacudindo-o ao alto. Nossa missão estava cumprida. Além disso duas amigas e doutoras recém formadas ao final da solenidade  nos entregaram seus próprios canudos em reconhecimento ao Léo, um que ficou com a minha mãe  e outro que foi entregue ao meu pai.

Sim, foi difícil e dolorido. Mas que mudança não é? E se não couber a nós, cidadãos, modelar as instituições para que se tornem cada vez mais humanas e honrosas, quem o fará? Desprestigiar a PUCRS nunca foi nosso objetivo. Como faríamos se foi esta a faculdade que o Leonardo escolheu e para a qual tanto se dedicou? Não, nós pedimos que nos escutassem. Clamamos em coro por uma mudança de atitude. E ela nos ouviu. Gosto de pensar que aprendeu conosco. E por isso abraçou-nos. Abraçou ao Léo. Penso que o Sr. Dr. Jefferson Braga, representando a PUCRS, entendeu ali que o protocolo podia ser quebrado, para que nossa fé na faculdade não fosse. Fé no seu lado mais humano. Provou que a Famed da PUCRS pode sim aplicar  a empatia que ensina. A turma, na sua maioria, demonstrou seu altruísmo nos cedendo espaço, o que não é surpresa, justo que formam um grupo que tinha a mais alta estima do colega que partiu. A #PUCRSentregouOabraço!

Aprendemos juntos que por amor vale a pena lutar. Levantar bandeiras. Criar campanha. Hashtags. Quebrar protocolos. Que histórias assim fortaleçam nossa crença que podemos modificar as instituições e acima de tudo, nossa própria humanidade. Nossa causa foi abraçada por muitos. E essa luta nos fez mais fortes. O amor prevaleceu. E quando digo prevaleceu e não “venceu”, é porque tudo isso não se tratava de uma disputa. Prevaleceu porque amor, empatia, humanidade, não são exigidos a ninguém. Ou existem ou não existem nas pessoas. E que estes sentimentos sigam nos movimentando, modificando, sabendo que eles não encerram quando a vida acaba. Amor, dedicação, sacrifícios, transcendem nosso tempo aqui neste plano. E que todo aquele que lutou por um sonho possa ter o seu nome lembrado e reconhecido, sempre que for preciso. Ao fim da cerimônia, um casal aproximou-se de nós pedindo também um abraço. Eram pais de um filho único que havia falecido na tragédia da Boate Kiss, de Santa Maria. Disseram-nos que coincidência nenhuma havia nos colocado tão próximos naquela plateia, que aquilo fora arquitetado por dois jovens lá em cima, operando pela nossa dor comum. A mãe do jovem, agradeceu a minha mãe por ter participado do nosso momento lindo na formatura, um ato de amor que fez tanto sentido para ela, tanto quanto fez para nós.

Alguns questionaram nossas razões, acusaram nossos egos, falaram que aquele era tão somente um pedaço de papel, apenas um canudo vazio. Ora para nós, ele era cheio de propósito e alegria. Representava o espírito do meu irmão, que nunca desistiu frente a uma dificuldade, que nunca se paralisou frente a uma injustiça, e que sempre se dedicou com seus amores. Aprendi por fim que a minha família NUNCA VAI DESISTIR. Da vida, da memória do meu irmão, de nós mesmos, de ter fé. Este Natal será marcado por encerramentos, como a formatura, e também pelo nascimento de novos ciclos. Novos sentimentos. Como família. Como amigos. Como seres de amor.  A renovação da nossa força. E força, meus caros, se aprende a ter, lutando. Então é preciso sim lutar. Não por vencer ou perder, mas simplesmente pela necessidade humana de sonhar e acreditar que podemos mover montanhas.

Na volta da solenidade perguntei ao Murilo se ele tinha chorado ao levantar o canudo do mano por estar nervoso ou emocionado. Sorrindo, o pequeno disse-me prontamente:

“Não mana, chorei porque estava feliz”.

Lutar vale a pena.


Fim da sessão.

E se palavras não transcrevem a emoção – cá está o vídeo*:

*vídeo = precisa estar logado no Facebook.

AGRADECIMENTO FORMAIS E NECESSÁRIOS

Primeiramente a universidade PUCRS e ao Dr. Jefferson Braga, por atender ao nosso pedido massivo de reconhecimento através da família do Léo. Aos Drs. Carlos Eduardo e Loredana Magalhães e família, nossos amigos e parte escolhida da nossa família, por nos aconselharam judicialmente e espiritualmente durante todo este processo. Aos veículos de comunicação por terem nos procurado demonstrando interesse na causa e por tratarem dela com delicadeza, atendendo aos nossos pedidos de jamais denegrir de qualquer forma a instituição PUCRS. A turma ATM 2015 que nos ajudou, aturou muitas vezes, compreendeu e apoiou o nosso pedido – em especial as colegas e agora Dras. Tatzie e Valentina.  A Nanda, Luisa, Nessa, Nathália e Andressa por serem maravilhosas amigas do Léo e agora se tornarem nossas. As minhas amigas, que também são amigas do Léo, por todo reboliço, numa mistura de revolta e amor, causado por seus grandes corações – Doka, Bia, Irlene, Jéssica. Aos amigos e família da minha mãe pelo suporte a ela – Nhaiobi, Duda, Déia, Elaine, Nilton, Jane. As minhas amigas e amigos que me abraçam na boa, na ruim e na difícil, Luana, Amanda, Pri, Pedro, Ana Cristina, Bárbara e tantos outros. A todos os leitores do Antônia no Divã, que sempre me enchem de amor, e ontem tomaram partido na minha luta pessoal. Muito obrigada por todo amor que recebo aqui. Ao DCE da PUCRS e ao Espartano Udep, todo o meu respeito. Meu agradecimento a todas as manifestações de carinho e encorajamento, através de compartilhamentos, emails, whatsapps e abraços – nos adoramos abraços. Ao meu pai por sempre me proteger e aconselhar. A minha mãe por ser a maior guerreira que já conheci, e por ter criado filhos idealistas e gentis. Ao Mateus por dizer que “o nosso show” (pra ele tudo que tem um palco é um show) pro mano Léo estava maravilhoso. Ao Murilo por tão lindamente levantar aquele canudo.

E ao Léo. Por promover sempre o melhor de todos nós. Por ser um exemplo. Somente hoje entendi que tua partida, que nos transformou tanto, não muda algumas coisas. Seguimos querendo sempre tudo de melhor pra ti. Seguimos cuidando de uns aos outros. Seguimos tentando ser bons e justos. Seguimos celebrando tuas, muito nossas, conquistas e glórias. Pessoalmente como tua irmã, a minha atitude, em nada mudou. Continuo te entregando tudo de mim, não pelo reconhecimento, mas porque não saberia fazer diferente.  Ontem sei que tu estavas sorrindo pra muita coisa, e dando risada de outras tantas. Parabéns pela formatura, Sr. Dr. Leonardo Mazzocchi – PhD na vida e depois dela.

A garota antes alegre

“Ela vem?” – “Sim, com toda alegria”;

Ora pois, não há sexta-feira sem sua euforia.

Do seu lado tem riso, piada e graça;

Gostam dela com praia, boteco e cachaça.

Ela é rainha da parceria;

Companhia pra dor e também pra alegria;

Se precisar de ajuda, seu nome é só chamar;

Nunca disse “não” a um amigo, nunca deixou de ajudar.

Eis que numa sexta-feira, o seu belo riso foi da vida embora

E a garota antes alegre, viu sua felicidade caindo fora;

“Vamos chamá-la, ela pode estar precisando de um abraço”

“Acho melhor não, ela precisa mesmo é de tempo e de espaço”.

E assim a garota agora triste, viu muita gente silenciar

Por não saber o que dizer, ou por talvez não importar

A tristeza não era bem-vinda, era melhor não convidar

“Vamos esperar a alegria de volta, para a garota outra vez chamar”

A garota esbravejou pela atenção

que com tantos ousou dedicar;

Viu-se com o coração da mão,

e lágrimas que muita gente não quis secar;

E lá na Lutolândia, quando tão pouca gente foi visitar

A garota viu que era de sua alegria que o povo gostava de adorar

Os poucos amigos que ficaram, ela decidiu pra sempre lembrar

Os demais não levariam rancor, mas algo dentro do peito acabava de mudar

A garota entendeu de vez,

que tantos se afastam de quem está chorando

E nestas horas é melhor ter poucos bons amigos na mão,

do que muitos que só valorizam as risadas, pra longe voando

Mas a garota antes alegre, acredita que um dia a tristeza irá embora

Que o tempo confortará o coração, e lhe trará paz em alguma hora

Prometeu seu sorriso mais lindo, pra quando a felicidade decidir voltar,

E uma vida de abraços para os amigos que do seu lado decidiram ficar.

Então se a dor ensina a gemer,

hoje ela também mostra em quem confiar

Esse versinho veio aqui agradecer,

Quem mesmo na ausência do sorriso, aquela garota conseguiu amar.


Fim da sessão

♥ Amor de verdade, não é aquele que você recebe na melhor versão de si mesmo – mas na pior. Esta foi uma singela homenagem às amigas e amigos que ficaram do meu lado quando mais precisei.

É deles minha eterna gratidão.

Coisa de Antônia: Olhos que sorriem

Pára tudo! Ai, sério. Vamos combinar. Tem coisa mais sensacional no mundo do que os sorrisos que vão além dos lábios? Não tem não! E lá no ATL Girls da Rede Atlântida eu deságuo toda a minha paixão por este espetáculo.

Pisca pra lá!

olhos que sorriem (1)

 

Feito é melhor que perfeito

Recentemente eu fui apresentada ao meu mais novo affaire. E quando eu digo “meu”, é porque a outra parte não está obrigatoriamente envolvida comigo, entretanto não restam dúvidas do meu interesse por ele. Seu nome é Charles Watson, um escocês que adotou o Brasil desde a época de 70, pesquisador, professor, palestrante, artista. Um indivíduo cuja inteligência é atraente na mesma proporção que é intimidadora. Alguém que usa fotos das sombras de pessoas no chão de Hiroxima para analisar a inversão poética de sermos todos passageiros por esse mundo. Somos todos sobras, afinal, não somos? Transitórios. Temporários.

E tratando da nossa temporariedade por aqui, Charles Watson nos desafia a praticar nossa criatividade como forma de transformar a nossa relação com o tempo e o espaço. Basicamente o cara desmistifica a ideia de que o processo criativo dependeria de um talento nato, uma “propensão divina”. Quando os alunos de suas aulas tentam contestá-lo usando Beethoven, Michelangelo e outros gênios para alegar superioridade pré-existente, Charles traz a questão do comportamento para a discussão. Usa estudos no córtex direito e esquerdo para provar que todos têm a capacidade de desenvolver habilidades. Para ele, talento não existe. É fruto de trabalho duro. Da capacidade de errar e seguir tentando, da compensação de dificuldades, da superação do medo e acima de tudo da disponibilidade.

“Todo mundo tem ideias.               A diferença está em quem decide concretizá-las.” – Charles Watson

Lembrei-me de uma conversa que tive com um amigo, não faz muito tempo, a respeito de um consultor que eu julgava deveras raso. E de fato o que me irritava é que muito além do meu julgamento, o negócio do cara ia “muito bem obrigado!”. Naquela conversa tive um rompante arrogante dizendo “eu faria esse trabalho muito melhor que ele”, quando o meu amigo me interrompeu: “a diferença entre vocês dois é que diferentemente de você, ele foi lá e fez”. Chocante? Não, né? E aqui reina a diferença entre pessoas que constroem sonhos e apenas os imaginam: a atitude. No seu sotaque importado, Charles nos convence durante as horas de curso que a criatividade é parte de um processo de convicção no investimento (tempo, recursos) e aceitação de que o erro é um pré-requisito. “A plateia é um mal necessário”, diz ele, reforçando de que a parte passional do envolvimento é muito mais importante que a validação alheia.

E aí estamos aqui, você e eu, cheios de ideias na cabeça, arquivadas naquele cantinho escuro dos nossos cérebros, ideias estas que foram julgadas insuficientemente boas para ir para o papel, ação, resultado. O medo de errar ficou tão grande e comum que paralisou a maior parte das pessoas, que assim preferem não explorar seu lado mais criativo onde quer que seja – “vou ficar aqui, nesse lugar comum onde eu não aprendo nada e também não me divirto já que ele é mais seguro”. O escocês com ares de durão cutuca-nos lembrando de que a vida deveria ser muito mais interessante do que “confortável”.  O curso progride e Charles mostra, prova e comprova de que exercitar a nossa criatividade em resolver problemas amplifica a nossa capacidade de lidar com a adversidade do mundo. Treina nosso cérebro a superar as frustrações envolvidas no aprendizado.  Edifica a ideia de que a criatividade se faz presente muito mais no processo, do que no produto final, afinal.

“Como o mundo se expande quando nos mantemos curiosos” – Charles Watson

A minha inquietação foi tanta com a lavagem cerebral promovida pelo Sr. Watson, que me peguei pensando no meu próprio processo criativo. Lembrei-me que tive que pegar emprestado a admiração de outros antes de jogar meus pensamentos para o grande público. Eu peguei deles a confiança, porque a dita “criativa” que vos fala, tinha medo de se expor e perder este importante rótulo social (sim, porque nenhum cidadão acusado de criativo, talentoso, habilidoso, quer abrir mão disso). Peguei-me analisando minha experiência de quatro anos de volta ao Brasil, que pode ser dividida em dois momentos distintos: três anos em que eu não estava escrevendo, e o um ano em que eu estou. Durante o período que eu não estava escrevendo, eu não li nenhum livro, não participei de nenhum curso, e realizei apenas uma curta viagem nas proximidades do Brasil. Durante um ano em que eu escrevi, eu li três livros (ok, não é muito, mas é 3x mais do que nenhum!), fiz quatro cursos envolvendo desde redes sociais a meditação, assisti doze palestras e dei uma, ministrei duas aulas e passei 30 dias na Austrália. Então veja que a escrita em si não é a parte mais importante. A escrita passou a me dar significado, e com significado veio a paixão, com a paixão veio a disponibilidade, com disponibilidade há o trabalho duro, e um dia, quem sabe, o reconhecimento alheio – já que o meu reconhecimento está na validade deste processo. E nele, eu já estou ganhando.

Neste divã, escrever me faz encarar outras formas de ver o mundo. Assim como uma aspirante a chef de cozinha, alguém que dança por amor, ou todas as outras pessoas que se arriscaram a trabalhar sua criatividade. E novas formas de ver o mundo são essenciais ao passo de que as respostas do passado, não servirão para os problemas do futuro – disse Charles Watson.  Desenvolver a criatividade nos faz questionar, muito mais que responder. Expandir, ao invés de conter. E não exercer uma habilidade ou elaborar um projeto por conta no julgamento de não ser uma ideia nova é perda de tempo, aliás, alegar que existe uma ideia que só você teve é um delírio, pois o mundo é composto de muita gente. Então por que não começar agora? Tirar o pó daquele seu caderno de desenho, reabrir o velho diário, reservar espaço para aquilo que te traz significado? Estes encontros podem promover o conhecimento de outro “eu”, que o conforto não permitiria. E é em territórios menos familiares, que podemos encontrar lados ainda mais atraentes da nossa personalidade. Não seria lindo? Aliás, não SERÁ lindo?

Então fica aqui, meu registro para prosperidade de um encontro elucidador com alguém estimulante como Charles Watson. O cara que chacoalhou a mediocridade da minha preocupação com a opinião alheia, e me lembrou de que o processo de fazer é muito mais enriquecedor e produtivo.  Que feito, é melhor do que perfeito.

Está é mais uma contribuição que lanço pro mundo, lugar muito melhor que a minha gaveta ou um arquivo no meu desktop.  E se o medo de errar um dia voltar a me assombrar e paralisar, volto aqui e me convenço de novo e mais uma vez, de que desempenho está relacionado obrigatoriamente com disponibilidade, trabalho e paixão. Que os melhores frutos são colhidos por quem se atreveu a subir na árvore. E os vôos mais altos alçados por aqueles que não tiveram medo de sair da gaiola.


Fim da sessão.

Com vocês,  Charles Watson♥:

Coisa de Antônia: O lado negro da força

Ai, ai, ai. Tá difícil de enxergar na escuridão da negatividade. Pois peguem seus sabres de luz e venham comigo lutar contra o lado negro da força no ATL Girls da Rede Atlântida.

No botão  abaixo, clicar você deve – diria Yoda.

antônia no divã - o lado negro da força

 

Mãe, deixa-me cuidar de você

Mãe, deita aqui no meu colo, nós precisamos conversar. Sabe, mãe, eu já estou bem grandinha agora. Eu não sou mais a menina que chorava com medo do escuro do meu quarto. De fato eu ainda tenho medo, tenho medo do lado escuro do ser humano, tenho medo do lado escuro do meu coração. Mas graças a você, mãe, eu também tenho coragem. E tendo coragem quero te pedir um favor: mãe, deixa-me cuidar de você.

Mãe, deixa-me cuidar de você porque meus ombros carregam fardos menores. Veja, esses meus ombros não tem o peso do mundo que as mães costumam carregar. Deixa-me pegar um pouco desta bagagem que tu carregas, pelo menos por um pedaço do caminho. Eu sou mais jovem, mãe. Meus passos podem não ser tão certeiros como os teus, mas deixa-me tentar aliviar o teu cansaço. Sei que tua jornada é difícil, e por isso quero fazê-la do teu lado, pois se pudesse a faria por ti. Joga tua carga em mim, pois é pra ti que tenho as paletas largas. Aposta tua fadiga em mim, mãe.

Mãe, deixa-me cuidar de você porque meus olhos ainda não choraram tuas lágrimas. E lágrimas de mãe são as mais salgadas, mais doloridas. Lágrimas de tristeza que deveriam ser tão raras, já que seus olhos mereciam ser aguados apenas com lágrimas de alegria. Deixa-me ser tua visão, e enxergar, não apenas ver. Deixa-me olhar por ti, guardar teu sono, encontrar o caminho por você. Ainda que meus olhos não sejam perspicazes como os teus, prometo tentar olhar o mundo com a doçura que tu olhas pros meus irmãos, pros teus amores, pra mim. Deixa vai, mãe.

Mãe, por favor, me deixa cuida de ti. Deixa que o meu coração acalente o teu, porque o meu nunca sofreu angústias e preocupações como as tuas. Só alguém que cria amor dentro do próprio umbigo sabe o nervosismo de ter o coração palpitando fora do peito e correndo pelo mundo. Eu sei, você diz que filho se cria pra vida, mas eu vejo no teu olho como queria que jamais saíssemos debaixo das tuas asas. Mãe, deixa meu coração cuidar do teu, pois o meu ainda é inexperiente e por isso é destemido. Sei que nele não cabe tanta gente como coração de mãe, mas cabe você, mesmo com tua grandiosidade.

Mãe, me deixa te escutar. Meus ouvidos não são tão reconfortantes quantos os teus, mas prometo minha atenção exclusiva. Deixa-me ouvir teus lamentos, como tantas vezes tu ouviste os meus. Deixa que eu ouça os ruídos do mundo e os transforme em canções de ninar só para ti. Deixe que eu lide com o barulho que perturba e aquele silêncio que desespera. Deixa-me ouvir por ti e suspirar na tua orelha desejos de dias melhores, sempre.

Mãe, deixa-me lutar tuas batalhas. Deixa-me absorver teus medos. Deixa-me segurar tua mão e passar a minha na tua cabeça. Mãe, já chegou a hora da gente trocar de lugar um pouquinho. E eu não tenho pretensão nenhuma de ser tão boa quanto você, mas me deixa tentar fazer deste mundo um lugar melhor para te merecer. Como você sempre fez por mim. Deixa-me te dizer que vai ficar tudo bem – ainda que eu não tenha certeza, mas prometo simular aquela tua cara de quem não tem dúvidas. Um dia talvez eu faça o mesmo pelos meus filhos. Mas hoje, deita aqui no meu colo e deixa-me cuidar de você.


Fim da sessão.

Jorge e Mateus – Ciclo